Como é possível um ser humano falar e fazer tanta merda quanto eu fiz ontem? A Luíza deve supor que saiu com um babuíno que mal balbuciava seu próprio nome. Puta que me pariu. Não que eu esteja apaixonado, ou que queira algo sério com ela. Não é isso. Eu acho que não. Tentei ser leve e brincalhão. Mas algo me dizia que aquela piada do “Quer quetechupe?” passando para ela o Heinz, não ia dar certo. Quantos anos você tem Jack? 12? Porra. Travou a PSN.

Eu preciso manter uma imagem, cuidar do meu marketing pessoal. Não que eu esteja preocupado com o que a Luíza achou de mim. Ela não é a única mulher do mundo. Mas é tão cheirosa. Fiquei nervoso porque foi a primeira vez que saímos para jantar, sem muita bebida e música alta, para abafar qualquer besteira que eu falasse. Ela sentou com tanta elegância e pediu a carta de vinho. Comecei a suar lembrando dos Ice’s que eu tinha comprado achando que ela bebia qualquer coisa.

E o pior, ela me tratou diferente. Não era como a Ritinha, a Carmem, a Priscila e todas as outras que já me beijaram e me xingaram, não exatamente nessa ordem. Que porra! Caralho, Jack, que papo é esse? Se derretendo por causa de mulher? Quer saber, vou chamar a Priscila pra vir aqui em casa, pra espairecer com esse assunto de Luíza.

10% de bateria, já dá pra ligar. Alô, Priscila? Tudo bem, gata? Eu também tô bem, precisando me esquentar. Tempo chuvoso faz muito frio né? Tá fazendo o quê? Vem fazer nada aqui comigo. A gente pode fazer um monte de nada na minha cama. Eu pago seu táxi, pode vir. Beleza! Tô te esperando, Luíza. Puta que pariu