Eu assumo que sou chato pra comer. E não tô falando de mulher, não. Na verdade, acho que sou até mais criterioso pra comida mesmo. É claro que não é de frescura que tô falando. Não sou desses que quer conhecer a cozinha do restaurante, checar a higiene e o alvará da vigilância sanitária. Não é isso. Eu como lanche de rua, vou até ao Habbib’s da Praia Grande, se precisar. Mas comida mesmo, almoço, janta, eu gosto é de comer bem.

Não troco um bom strogonoff por nada. Uma macarronada bem feita, sem aqueles molhos prontos, sabe? Molho de tomate de verdade, com tempero. Tem um self-service aqui perto de casa que não é lá aquelas coisas, mas dá pra sobreviver. A cozinheira é até que boa, mas parece que falta alguma coisa. Uma vez arrumei uma gata que gostava de cozinhar e, meu Deus, o que era aquele strogonoff que ela fazia?! Era incrível. Mas aquela era de outro mundo. Ficou uns 3 dias aqui em casa e, com 1kg de peito de frango, ela fez receitas diferentes todos os dias. Eu nunca tinha visto 1kg de peito de frango render tanto. Mas ela foi embora. Deve estar cozinhando pra outro, horas dessas.

Coisa linda que é uma mulher que cozinha, né? Quando elas gostam de você, pode ver, cara, elas vão pra cozinha. Parece que têm gosto de cozinhar, entende? É tipo um carinho, um “vem cá que eu cuido de você”. São raras essas. E é uma coisa linda, poesia pura aquela mulher descalça, de camiseta e calcinha, se virando com o que você tem na geladeira pra fazer uma comida legal. Até me dá gosto de arrumar a mesa, juro. Aí ela aparece com um prato lindo, aquela carinha e um “ah, foi o que deu pra fazer, espero que goste”. Porra, que lindo isso. Você imaginou a cena aí, né? Eu sei, eu também.

Eu levo pra sair, pago lanche, não peço pra ninguém ir pro fogão, não! Vocês acham que eu mando a mulherada pra pia, mas de jeito nenhum que faço isso. Até porque, corre o risco de ela não voltar. Sim, esse risco existe de qualquer jeito, mas é bom não abusar. Nem lavar a louça. Fica lá na pia, dias e dias, mas não deixo lavar nada, não. As mais íntimas ficam com dó (indignadas é a palavra certa) e já chegam resolvendo o caos. Reclamam do primeiro ao último copo. “Como você consegue viver nessa zona?”, “Isso aqui tá um chiqueiro!”, “E a última vez que lavo essa louça aqui, hein!”. Mas voltam. Essas voltam. Inclusive, saudades do seu strognoff, gata.