Muitas vezes reclamam que eu falo muito palavrão. Dizem que quem utiliza-se muito de palavras de baixo calão é que não tem o que dizer. E que eu tinha que me preocupar com isso. Afinal, o que pensariam de mim? Bom. Foda-se.

Eu só quero ter o direito de esbravejar alguns palavrões em paz. Só isso. Sem prejudicar ninguém, nem agredir ninguém, apenas pelo direito de poder exclamar “Puta que pariu!” quando esqueço a carteira em casa e já estou no rumo do motel. Ou de xingar solenemente o filho da puta que me corta no trânsito. Claro, com os vidros fechados, onde somente a minha alma possa me escutar.

Além disso, o palavrão tem um efeito relaxante e libertador. Todo mundo já falou ou escreveu sobre, não é nenhuma novidade. Existem coisas e situações que só são melhor expressadas através de um sonoro palavrão. Afinal, ninguém dá com o dedo do pé na porta e exclama “Ai caramba!”. Aliás, acho que nem os mexicanos falam assim, só nas novelas mesmo.

“Mas é feio! É inconveniente!”. Não consigo entender. É uma palavra, como qualquer outra. A única diferença é que, em sua maioria, refere-se a alguma coisa sexual. Ou seja. O tabu não é o palavrão. É o sexo. Porra. Não sei quantos milênios de civilização pra ficarem com frescura por causa da palavra “buceta”? Esse povo acha que veio da onde? Da cegonha?

Sou pela legalização do palavrão, que já é mais controversa que a da maconha. Não por leis escritas. Mas pela lei da hipocrisia que, infelizmente, é o que reina nesse caralho.