jacks
Mesmo com várias mulheres à disposição eu quis realizar um fetiche. Fui a um bordel. Esses de beira de estrada. Sempre me perguntava: “Por que nunca parei em um antes?”. E sempre que passava por um, pensava: “Um dia vou em um desses.” Eu deveria ter ficado só com o pensamento…

Mas não. Eu, Jack, precisava ir em um bordel para realizar um fetiche. Bom… Não era sujo; ponto positivo. Tinha muita mulher bonita; ponto positivo. Tinha muita bebida; outro ponto positivo. Não vi os preços… Ponto negativo.

Como estava pouco movimentado, me senti o rei do pedaço. Tinha todas as atenções voltadas a mim. Pra começar, me sentei e acompanhei encostado em uma poltrona de braços abertos, a performance de uma stripper no mínimo sensacional. Pedi algumas doses para acompanhar toda a alucinação do momento. Cheguei a ter quatro garotas me servindo e dançando para mim. Naquele momento eu estava no paraíso.

Eu achava que a situação estava tão boa que não parei de beber. Bebi tanto e tão rápido que não percebi quando o álcool subiu para a cabeça. Eu estava completamente bêbado quando levei duas mulheres para uma das salas privadas. E ainda paguei adiantado.

Para elas, que gostaram de mim, era só mais um cliente. Um ótimo cliente. Mas eu estava bêbado. Muito bêbado. Fui empurrar a cadeira para me levantar e acabei derrubando-a com tudo o que tinha em cima. Quebrei um copo e duas garrafas, uma de cerveja e uma de wisky. Pra piorar quando fui erguer a mesa, me desequilibrei e caí com o ombro no chão. Pelo menos elas foram educadas e antes de rirem da minha cara, me perguntaram se estava tudo bem. Mas nem que não estivesse. Eu nunca ia dizer que estava tão bêbado que nem me aguentava mais.

Fomos para a sala privada. De cara já rasguei a cortina quando tropecei em um degrau. Que eu não sei por que raios tem a porra de um degrau naquele lugar. Tudo bem, as garotas me apoiaram e tentaram me colocar na cama. Tentaram. Eu vomitei na cama inteira e elas saíram correndo.

Fiquei sentado uns dez minutos na beira da cama esperando me recompor, então decidi ir embora. Já tinha tido minha cota de diversão, estava começando a dar trabalho. Eu pensava que estava indo embora, mas eu não sei por que a porra da bandeira do meu cartão não passa na maioria dos lugares que frequento. Eu tenho que aprender a perguntar assim que entro em um estabelecimento. Ainda vou aprender.

As garotas me custaram quase todo o dinheiro em espécie que eu tinha comigo e, como já disse, eu não tinha visto os preços. NUNCA MAIS eu volto para beber em um bordel. Ficou caro pra caralho e eu não tinha como pagar. Depois de muita conversa com o dono do lugar e muitos empurrões dos seguranças, entramos em um acordo: eu lavaria e limparia tudo e depois, quando acabasse, eles iriam me acompanhar até minha casa para receber o resto.

Aquilo durou a noite inteira. Só acabei tudo seis horas da manhã, quando todos foram embora. Sim, o dono do bordel foi com o carro dele me seguindo até em casa. É… O carro dele é bem chamativo e tem um adesivo em cada lado com o nome do bordel, todo mundo conhece. Ele parou em casa, pegou o dinheiro e foi embora.

Agora todos os meus vizinhos sabem onde passei a noite, sabem que passei vergonha, e eu realmente não me importo. No final de tudo, acabei indo para um bordel realizar um fetiche e voltei pra casa todo fodido.

(Este texto é do Murilo Tavares Ferreira. Tem uma ideia e quer escrever um conto do Jack? Manda pra gente!)

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