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Eduarda e Mônica RETURN

Olha só o Blog do Edu de novo na área com post novo pra nossa LEGIÃO de leitores.

O texto de hoje não é meu, e sim da nossa querida redatora Carol Borgia, que pegou a minha versão moderna de Eduardo e Mônica postada aqui algumas semanas atrás e transformou numa história completamente diferente, mas com a mesma essência!

Vem com a gente!

Eduarda e Mônica RETURN

Eduarda e Mônica RETURN

Eduarda abriu os olhos mas não quis se levantar. Ficou deitada e viu que horas eram.  Ao seu lado, Mônica dormia. Havia soltado um ou dois peidos durante o sono da madruga. Um ou dois que Eduarda havia ouvido até cair no sono também. A realidade do sexo entre mulheres é diferentão do filme meloso e romântico da TV. 

Eduarda olhou ao redor, reparou na bagunça do quarto. Livros de autores que já tinha lido. Uma garrafa de pinot noir pela metade. Bordas secas de pizza e um Xbox One. Game que era presente da conturbada ex de Mônica. Na parede, posters de bandas de rock. 

Eduarda se levantou e abriu uma fresta na janela. Acendeu um careto de menta e ficou ali matando tempo, prevendo a reação das brother quando contasse que transou com a tal da Mônica. 

– Nos pegamos no meio de uma festa de confraternização. Essas que o Renato dá. Conversamos só de assunto filosófico e cabeçudo. Rolou muita afinidade e identificação como sempre. Fomos pro apê dela. Burguesinha namastê com quadros coloridos, incensos, um buda em miniatura perto da TV. Tudo bem a cara dela, mesmo. 

Suas amigas fariam mais algumas piadas maliciosas só pra saber mais detalhes.

 — A Mônica, hein? Ela chupa gostoso, amiga?

Ela sabia que a Rafa, a puro deboche do grupo, também diria: 

— A Mônica é mó piranha. Rebu de tudo as sapatão! 

Mas Eduarda não deixaria isso afetá-la. Também era linha certa no rebuceteio de várias bi e sapatão. Além disso, falando em lésbicas, ela já tinha a resposta na ponta da língua.

Mônica acordou com a claridade que inundou o recinto. Sentiu o cheiro delicioso do cigarro de menta. Percebeu que Eduarda olhava pra ela enquanto fumava e sorria. Mônica disfarçou, mas teve vontade de revirar os olhos. Personalidade bem diferente da gentil moça que pregava paz e meditação nas rodinhas de mulherzinha cool até a noite anterior. Eduarda já tinha ouvido até uns cara que tinham trepado com Mônica justificarem que ela era uma cuzona por baixo daquele glacê da sua falsa gentileza. Mas pensou que era papo de macho recalcado. Mônica fechou o semblante e soltou:

—Achei que você já tivesse ido embora.

Eduarda tentou filtrar o mau humor:

— Eu ia, mas gostei de ficar te vendo dormir. 

— As pessoas têm essa mania comigo. Puta merda.

— Ah, é!!? Muita gente tem te visto dormir, ultimamente? 

— Ah, cara. Não vai ficar regulando minhas foda, agora. Né, Eduarda?

— Credo como você tá grossa!

Eduarda tava só de calcinha, ciente do seu belo corpo mignon definido que muita gente daria tudo pra foder uma vezinha sequer. Jogou o careto pela janela e voltou pra cama no intuito de transar outra vez. Mônica puxou o lençol, se cobriu e falou:

— Olha, Eduarda. Você é muito amorzinho, sabe? Adorei tudo e tals, mas tô cansada. Tenho trampo da facul amanhã e quero dormir um pouco mais.

Uma ponta de decepção surgiu no olhar de Eduarda que começou a se vestir.

— Trampo do que?

— Alemão.

— Ué, mas você não cursa medicina, sua loka? 

— Sim, mas também tô estudando Alemão. 

— O sonho de ler Kafka no original. Tô ligada. Cê me falou ontem, enquanto tava bem fofa comigo. 

— Ah, Eduarda! Não encana, vai. Não tem nada a vê contigo, gata.  

— Educação é um princípio, anjo. 

— Desculpa, é que de manhã é foda pra mim e….

— Ah, sem essa, Mônica! Isso pode colar com as vadia e os macho que você traz aqui, mas comigo corta essa conversinha mole. Teu yoga e os beck serve pra bosta nenhuma, então. 

— Ah, para. Eu não quero perder tua amizade. Não fica brava! Eu gosto de você. 

Eduarda já tinha perdido o interesse, mas um impulso de civilização lhe ocorreu e ela respondeu: 

— Eu também não quero ficar brava com você. Só não tô entendendo por que tá me tratando assim, como se eu fosse qualquer uma. 

Eduarda tentou mudar o foco do assunto e apontou pro quadro estranho na parede. 

— Sua cópia vagabunda do autorretrato de Van Gogh. 

— É! Uma vez eu falei prum cara que foi minha mãe que pintou.

Eduarda e Mônica riram, mas a tensão logo voltou entre elas. Eduarda rodou a chave na porta e, prestes e vazar dali, perguntou:

— A gente vai transar de novo?

— Acho que não. Cê sabe que eu não tô pronta prum relacionamento.

Eduarda abriu a porta e sumiu no corredor. Nem seu charme e sua foda, sempre elogiada, estavam ajudando na reciprocidade de Mônica. “Mulheres são muito complicadas mesmo”, pensou. Nessa hora daria tudo pra ser hétero. Homem basta dar um chá de buceta, alimentar e ligar a tv que eles ficam calminhos, calminhos. 

Naquela tarde Mônica contou pra sua melhor amiga sobre a noite anterior. 

— Peguei a Eduarda na última festa do Renato. Só queria relaxar um pouco. Fazia tempo que não transava com mulher e resolvemos ir pro meu apê. A mina pega muito bem, miga. Pela Deusa! Gozei pakas pra maldita. Além disso é inteligente, culta, muito gente boa. Ela mexe comigo. Cê sabe. Ai, mas não tô pronta pruma relação assim. Prefiro algo sem envolvimento, sabe? Preciso focar na minha carreira, na facul e ainda tem os intercâmbios. E eu não quero tá com rabo com ninguém. Ela tem o jeito do amor da minha vida, mas não posso. Não agora. Tô sendo egoísta, mas preciso me priorizar nesse momento. 

No fundo ela sabia que não existe razão nas coisas feitas pelo coração. Então resolveu mandar todos e todas a merda, principalmente quando sentia que ia se envolver e ter seus planos de guria mimada atrapalhados. O foco era a razão e o amor por si mesma, só. Século 21, caralho! Amor é porra nenhuma. E viva os coach que pregam que é possível ser feliz sozinha!!

Eduarda encontrou as brother no fim do dia e contou o que tinha acontecido:

— Ah, foi muito bom o papo com a Mônica. Mas a guria ficou meio esquisita hoje de manhã.  Na festa do Renato, tava romântica e pá. Disse que tava facinha pra se apaixonar e tals. Aí a gente se pegou, fomos pro apê dela e rolou. Ela é meio água morna, mas valeu a noite. O problema que acabei me deparando com uma versão fake demais dela. Mais fake que aquele autorretrato do Van Gogh que ela tem na parede. 

— E aí? Mas tão ficando então!?

— Nada! Mina sem empatia nenhuma. Gemeu pra mim a noite toda e de manhã tava mó grossêra, cara. Parece esses macho escroto que goza, vira pro lado e ronca. E peida. Porque a Mônica soltou cada bufa, mana. 

As amigas gargalharam e uma delas falou:

— Não é só homem que é escroto, né, miga? Tem umas guria que são pior que macho. 

— O foda que eu não quero perder a amizade e nem esquentar a cabeça. Mas sei lá. 

Ao fim do papo com as amigas, Eduarda voltou pra casa e fez o que sempre fez. Foi jogar futebol de botão com seu avô.

Baseado no texto de Eduardo Mendes Eduardo Mônica Reloaded

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