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Eduardo e Mônica Reloaded

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Eduardo e Mônica Reloaded

Eduardo e Mônica Reloaded

Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar, ficou deitado e viu que horas eram.  Ao seu lado, Mônica dormia e roncava pra caralho!

Olhou ao redor, reparou na bagunça do quarto, uma pilha de livros de autores que nunca leu, uma garrafa de conhaque pela metade e um CD do Caetano. Na parede um quadro de um homem de barba ruiva e chapéu ao lado de posters de bandas de rock. Levantou-se, abriu uma fresta na janela e acendeu um cigarro.

Mal podia imaginar a reação dos seus amigos quando contasse que dormiu com a gostosa da Mônica. – Foi muito fácil! Nos pegamos no meio da festa do Renato, ela nem perguntou meu nome! Fomos pra casa dela, um apartamento minúsculo com quadros coloridos, incensos, um buda em miniatura, tudo muito esquisito. Seus amigos fariam mais algumas piadas maldosas e dariam tapinhas nas suas costas.

 — A Mônica, hein? Baita gostosa!

Ele sabia que Dado, o mais descarado do grupo, diria: — Ela dá pra todo mundo! Mas não deixaria isso afetá-lo – a estranha dinâmica que se estabelece entre um grupo de homens usa a rivalidade pra esconder a insegurança – além disso, já tinha a resposta na ponta da língua.

 — Ué, mas ela deu pra mim ou pra você?

Mônica acordou com a claridade que inundou o recinto, sentiu um cheiro horrível de cigarro, percebeu que o rapaz que nem deveria mais estar ali olhava pra ela enquanto fumava e sorria. Revirou os olhos – pra quem gosta de acordar em paz e meditar, a situação se desenhava de maneira inquietante – lembrou que o preço que as mulheres pagam pela sua independência as vezes é caro. Não estava preocupada com o que pensavam sobre sua vida pessoal ou com quem ela ia pra cama, mas aturar certos comportamentos masculinos a deixava irritada. Fechou o semblante.

—Achei que você já tivesse ido embora

— Eu ia, mas gostei de ficar te vendo dormir

— Isso é meio estranho, você sabe né?

— Por quê?

— Ah, cara. Eu não quero acordar com um moleque olhando pra minha cara não.

— Tudo bem, desculpe

Estava só de cueca, ciente do seu belo peitoral definido e cabelo jogado pra trás, que sempre lhe ajudava a conquistar as mulheres. Jogou o cigarro pela janela e andou em direção à cama no intuito de transar outra vez. Ela puxou o lençol e se cobriu.

— Olha, tentou lembrar o nome dele mas não conseguiu, tô cansada, tenho prova amanhã e quero dormir um pouco mais.

Uma ponta de decepção surgiu no olhar de Eduardo, que começou a se vestir, enquanto reparava nos objetos do quarto e tentava estabelecer uma conversa.

— Prova do que?

— Alemão

— Você não faz medicina? 

— Sim, mas também tô num cursinho de Alemão, quero ler Kafka no original.

— Quem é esse?

— Um escritor

— E você precisa ler em alemão?

— Eu já li em português, mas deve ser uma experiência diferente quando se lê um livro na sua língua original.

Ele apontou apontou pra pilha de livros no canto do quarto. — Tem algum livro dele?

— Não, aí só tem poesia. Você gosta?

Eduardo já tinha perdido o interesse no tema e respondeu: — Na verdade não, acho poesia um porre. Tentou mudar o foco do assunto e apontou pro quadro estranho na parede. — Arte curiosa, é alguém da sua família? 

Mônica refletiu se valeria a pena explicar que era uma cópia barata do autorretrato de Van Gogh e decidiu que não. — Sim! é meu avô, foi minha mãe que pintou.

Eduardo nem ouviu a resposta ou a ignorou completamente, imerso em seus pensamentos. Já na porta e prestes e partir ele perguntou:

— Repetimos a farra uma noite dessas?

— Acho que não, foi só algo casual mesmo. Disse sem ânimo.

O sorriso do rapaz se desfez. Durante uma fração de segundos tentou entender o motivo do mau humor da menina. Nem seu charme – que na cabeça dele era o que tinha funcionado com Mônica na noite anterior – estava ajudando. Mulheres são muito complicadas mesmo, pensou. Por fim disse: — A gente se vê! Tchau.

Naquela tarde Mônica contou pra sua melhor amiga sobre a noite anterior. — Conheci um cara na festa do Renato, só queria me divertir e relaxar, levei ele pra casa. O cara ficava se admirando no espelho, acredita? Me tratou como se eu fosse uma boneca inflável e praticamente dormiu em cima de mim, depois de gozar em 2 minutos. Acordei e o filho da puta ainda estava lá. Eu juro amiga, é a última vez que eu saio com homens. No fundo ela sabia que não era, afinal, não existe razão nas coisas feitas pelo coração. 

Eduardo encontrou a turma no fim do dia e contou o que tinha acontecido — Dancei com a Mônica na festa do Renato, não resistiu quando rocei a barba na sua nuca e disse que ela estava muito gostosa. Fomos pro apartamento dela, a doida tem um quadro horrível do avô na parede. 

— E aí? Quis saber um dos colegas

— Transamos a noite toda, acho que ela não deve estar nem conseguindo andar! Todos gargalharam.

— Eduardo! meu herói! disse outro.

— Ela nem quis dar uma rapidinha de manhã, acordou num mau humor do caralho, mulher né? Vai entender…

Seu amigo Dado perguntou quando ele a veria novamente.

— Ah, não sei, não é meu tipo de mulher, ela dá pra todo mundo!

Voltou pra casa e foi jogar futebol de botão com seu avô.

*Crônica por Eduardo Mendes | Veja mais crônicas em: Jornada Literária

Eduardo e Mônica Reloaded, uma crônica sobre como seria o encontro dos personagens da música do Legião Urbana nos dias de hoje

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