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Trabalhar em casa é o sonho de muita gente. Agora imagine alguém que trabalha em casa, na frente do computador e sem roupa. Maravilha, não? Esse é o dia a dia de uma camgirl, com um adicional: a webcam ligada.

Os “shows” das camgirls estão, cada dia mais, chamando atenção das pessoas para um mercado que vem crescendo e dando lucros. Muitas mulheres que começaram a fazer strip-tease em sites para tirar uma renda extra, hoje pagam todas as suas contas com o que ganham por se exibirem na internet. Mas não é assim, uma bagunça – ainda mais em tempos de “manda nudes”. As moças que já fazem disso uma profissão, trabalham em sites específicos, que dão todo o suporte e segurança a elas.

Entrevistamos duas camgirls do TestosteronaCam, a “Bruxinha” e a “Mia Cherry”, as duas com 25 anos e boas histórias para contar sobre a profissão de camgirl, da qual as duas vivem atualmente. 

Bruxinha” trabalha como camgirl desde 2011 e não mostra o rosto no site. Antes disso, ela trabalhou em caixa de banco, lotérica, em hospital como auxiliar de enfermagem, mas hoje tem a internet como único trabalho remunerado. Ela conta que sempre ficou muito tempo no computador jogando online e um dia conheceu um site de camgirls: “Comecei a frequentá-lo diariamente e, por ser um webchat, eu me exibia na cam por diversão. Então, quando criaram o Camera Hot, eu logo fiquei sabendo e me cadastrei assim que comprei minha webcam HD. Por eu já gostar desse clima de webcam, me adaptei facilmente”.

Mia Cherry trabalha como camgirl há menos tempo, desde 2014 e, ao contrário de Bruxinha, mostra o rosto por lá e, inclusive, defende que isso seja feito: “Na verdade, as camgirls brasileiras têm essa mania de se esconderem, o que eu considero errado. Quer dizer, se você preza tanto por sua imagem e precisa se esconder, é melhor nem virar camgirl!  Para vocês terem uma ideia, na maioria dos sites gringos é proibido ficar sem mostrar o rosto por muito tempo, só nos sites brasileiros isso costuma acontecer, falo isso pelos sites que já trabalhei e o que eu vi. Quando se propõe a esse tipo de trabalho, tem que aprender a não se afetar com comentários negativos e preconceito, porque vão existir muitos, principalmente se você se expor e puser sua cara a tapa. Deve ser até por isso que muita menina se esconde”.

 

SALÁRIO

Elas contam que os preços dos shows variam de acordo com o site e que as variações em sites gringos vão de U$0,60 a U$5,00 por minuto. Aqui no Brasil, é possível encontrar shows que variam de R$1,50 por minuto, até R$5,00 por minuto. Bruxinha explica que “depende muito de quem entra”. “Quando o cliente é antigo, geralmente se tornam mais íntimos, amigos e confidentes, esses ficam 1, 2 horas. Quando é novo, geralmente ficam pouco tempo, de 10 a 30 minutos. O preço é fixo e são 3 opções: chat simples custa R$1,30 por minuto; chat privado são R$2,50 por minuto e, voyer, R$1,70 por minuto”.

CARREIRA

“Ser camgirl é como qualquer tipo de carreira, você só será sucedido caso você se esforce!”, afirma Mia. E, nesse ponto, ela tem toda razão. Como tudo que parece ser “dinheiro fácil” na internet vira moda rapidamente, algumas meninas embarcam nessa porque acham que vão ficar ricas na primeira semana de trabalho, o que obviamente não acontece. E ela ainda fala da concorrência do mercado: “Hoje em dia existem muitas camgirls, muitas. Para você ter uma ideia, já vi sites com mais de 2 mil meninas onlines de uma vez. Ser camgirl é muito fácil, você só tem que fazer cadastro num site e se conectar. Então tem muita menina, mas se você fizer um bom trabalho, você acaba se destacando”.

Mas nem tudo é tão simples quanto parece. Assim como as atrizes pornô, que já contamos aqui, as camgirls também sofrem com o preconceito e a falta de respeito. Uma das confusões mais comuns, segundo elas, é os clientes acharem que elas também são garotas de programa.

PRECONCEITO

É possível imaginar que não é tarefa fácil contar para a família e para os amigos sobre a decisão da profissão escolhida. Bruxinha revela que a maioria das pessoas com quem convive não sabe: “Pouquíssima gente sabe. Meu pai, por exemplo, não conto sobre isso e sei que ele não aceitaria. Mas os poucos que sabem entenderam numa boa, até me ajudam quando preciso”. Já Mia tem uma posição mais dura com relação a isso: “A unica opinião que realmente me importa na vida é a da minha mãe, e ela sabe e me dá suporte. No momento estou solteira, mas se for pra namorar com alguém, vai ser com alguém que aceite o meu estilo de vida. Se a pessoa não aceitar, prefiro nem começar um relacionamento. E esse ponto de vista também vale para amigos e colegas, se a pessoa não aceita, eu corto da minha vida”.

Bruxinha

Bruxinha

HIPOCRISIA

Mia Cherry levanta uma questão de hipocrisia e até de machismo que envolve o preconceito com as camgirls: “Sabe o que é pior? São os hipócritas que enchem a boca pra falar e julgar meninas que prestam esses serviços, mas não conseguem ir dormir sem bater uma punhetinha assistindo algum vídeo na internet.  A pessoa praticamente tá batendo punheta com a mão direita, e te julgando com a mão esquerda… Na minha visão, isso é incrivelmente hipócrita! Tanto camgirls, como atrizes pornô, prostitutas, acompanhantes e etc, são apenas mulheres trabalhando, prestando um serviço.  Pior é uma sociedade que usa nosso produtos, e nos julga.  Complicado, né? Por isso temos que aprender a não nos afetarmos com isso”, dispara Mia.

FALTA DE RESPEITO

É preciso ter pulso firme e lembrar que é a camgirl quem manda na sala. Bruxinha diz que não tem grandes problemas quanto a isso e que procura “levar na esportiva”: Brinco, tento quebrar o clima com zoação, piadinhas mas, se ainda assim continuam , deixo no vácuo.  Mas não posso reclamar, esses anos todos trabalhando na cam, foram raríssimas vezes que me trataram com desrespeito, a maioria é sempre muito legal comigo”.

CURIOSIDADES

Perguntei a elas qual a coisa mais bizarra, engraçada ou absurda que algum cliente já pediu a elas. As respostas são divertidíssimas.

Bruxinha: “Nossa, foram tantas! Minha sala sempre foi uma zona, toda bagunçada, já teve de tudo um pouco, mas vou citar alguns exemplos. Já me pediram para cantar “Galopeira” (e alto, viu); um amigo pediu que eu ficasse conversando com a mãe dele para distraí-la; já pediram para eu me masturbar sentada na janela do prédio (e claro que não deu certo, quase me esborrachei, e aviso, nunca tentem fazer isso em casa); já me pediram para tomar banho com diversos tipos de coisas como gelatina, leite, amoeba (sim, amoeba, claro que tive que fazer isso em casa).

Mia: “Às vezes apareceram uns pedidos muito legais, por exemplo uma vez um casal ligou a webcam pra eu assistir, e começaram a transar na minha frente e eu tinha que mandar o que eles iam fazer, foi muito legal! Basicamente o cara me pagou pra eu assistir ele comendo a mina dele, vida boa, quantas pessoas ganham pra fazer isso? Às vezes aparecem também umas coisas que assustam. Uma vez eu estava em um show duplo com outra menina, o cara ligou a webcam e começou a brincar com o próprio pênis. Até ai tudo bem, mas uma hora ele amarrou um fio dental em volta do saco, e começou a apertar e girar, fazendo atrito. Foi tão forte, que o saco dele começou a sangrar. Ele então ficou mostrando o sangue e cutucando a ferida pra gente, minha amiga não aguentou e até foi pra longe do computador, foi chocante!