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Foto: Manuela Scarpa/Brazil News

Na terça-feira (8) rolou a entrevista coletiva de O Musical Mamonas para a imprensa, que conta a história de uma das bandas mais irreverentes do rock nacional e que marcou época no meio dos anos 90, mesmo com apenas 8 meses de sucesso e shows pelo Brasil – os Mamonas Assassinas, claro. Além da mídia, estavam presentes o elenco completo, os produtores, o diretor José Possi Neto e os músicos que participam da empreitada. Os atores que fazem os cinco Mamonas são: Ruy Brissac (Dinho), Arthur Ienzura (Sérgio), Elcio Bonazzi (Samuel), Yudi Tamashiro (Bento) e Adriano Tunes (Júlio).

A entrevista foi bem descontraída, com piadas e brincadeiras, bem ao estilo Mamonas Assassinas mesmo, o que demonstrou muito entrosamento entre atores e equipes. Eles falaram do processo de seleção, dos ensaios, da emoção de interpretar os cinco músicos de Guarulhos, entre outras coisas.

Sobre os momentos de maior emoção para os atores, o Yudi falou sobre os dois que, para ele, “deram um choque no coração”: “Vários momentos são emocionantes, mas dois momentos que são muito importantes, o momento que o Samuel fala e o final também. É um final que, quando para, dá um choque no coração, que a lágrima desce. Nos ensaios a gente chora.”

O time completou: “Todos conhecem a história dos Mamonas e eles tiveram um momento de mudança depois de tudo que eles passaram, eles lutaram muito para chegar onde chegaram e próximo ao final da história deles eles conseguiram uma resposta de tudo que eles lutaram muito forte, muito legal. Esse é um dos momentos que mais emociona na peça e, além de tudo, a conquista dos cinco, quando eles se olham e enxergam que conquistaram tudo aquilo e onde eles chegaram, na peça é um momento muito emocionante.”

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Foto: Manuela Scarpa/Brazil News

ENSAIOS EMOCIONANTES

Eles ainda falaram sobre o processo de dois meses de ensaios e o fato de terem conhecido os pais e parentes dos Mamonas como uma emoção muito grande e que com isso eles acabaram esquecendo que era um trabalho. Além disso, um dos momentos marcantes do musical é o discurso que o Dinho fez no ginásio Tomeuzão, quando falou de sonhos e de lutar para conquistar os objetivos. Arthur Ienzura falou que também são muito emocionantes os momentos em que tocam músicas que não são dos Mamonas, mas sim as influências da banda, como Titãs e Engenheiros do Havaí.

ESCOLHA DO ELENCO

Possi falou a respeito dos ensaios, que neles havia a presença de familiares dos Mamonas e sobre quando os cinco atores receberam a confirmação de quando tinham sido aprovados: “A gente foi bem sacana… Dissemos para eles voltarem na segunda de manhã para um último teste… e eles estavam tensos, cansados, com o saco na lua porque eram três semanas e a definição não saia. Quando eles começaram a passar a coreografia eu disse ‘para, para, para que não tá legal, é melhor eles fazerem pro espelho pois não têm capacidade de fazerem sozinhos’ e aí abrimos as cortinas do espelho e tinha um cartaz enorme que a produção tinha preparado dizendo ‘Parabéns vocês são o elenco de Mamonas’. Acho que é o momento em que eu me emocionei neste processo e várias famílias estavam lá, então a partir daí eu fui sentindo que havia essa ligação.”

DETALHES DA PEÇA

O diretor ainda contou um momento muito legal que aconteceu durante os ensaios do musical: “Há três dias atrás, um irmão e um sobrinho do Bento Hinoto [guitarrista do Mamonas] que não tinham visto e nem sabiam de nada assistiram a um corrido nosso [corrido é o ensaio do espetáculo inteiro, na linguagem do teatro]… e ele estava ali e eu ficava olhando e pensando ‘esse homem não gostou de nada’, japonês não demonstra, não exterioriza, e quando terminou foi tão bonito o que eles colocaram, eles não queriam ir embora do teatro, pararam no primeiro andar, no hall, mas o mais importante que eles disseram foi que nunca imaginavam que voltariam a rir com essa história e com essas piadas.”

O elenco ainda confidenciou que o musical será cheio de interação com o público e até com o improviso, bem ao estilo Mamonas Assassinas mesmo e segundo Possi, ele teve até que controlar tudo isso, além das brincadeiras, durante os ensaios, pois os meninos não paravam.

É TEATRO PRA VALER!

E para aqueles que pensam que os atores principais são músicos e que o espetáculo será uma espécie de cover dos Mamonas, está muito enganado. Todos são atores, dançarinos e até músicos, mas será realmente um musical voltado para o teatro, não uma apresentação de bandas covers como vemos por aí.

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Ah mas no meio de tudo isso eu tinha que fazer a minha pergunta, né?! Bom, fiz a pergunta para os cinco atores principais:

O que vocês descobriram, durante todo o processo de estudo dos personagens, dos testes e ensaios, que tinham em comum com os cinco Mamonas originais?

Arthur Ienzura (Sérgio): Bom, pra mim, eu já tocava bateria na época de colégio, aí parei de tocar e quando fui fazer o teste vi que no flyer estava que ‘tocar instrumento é diferencial’ aí pensei ‘ah vamos lá, né?!’. Fui em um estúdio no Rio, aprendi a tocar Vira-Vira e cheguei no teste e o Possi falou ‘Vi aqui que você toca bateria’ e eu respondi que não tocava e sim enganava e ele ‘Então vamos ver se você toca mesmo’. Ai sentei nervoso e consegui tocar. Ele disse que eu conseguia enganar bem. Ai o Possi disse pra gente ver qual o signo do Sérgio e entrou na internet pra ver e ele era libriano. Aí perguntei que dia ele nasceu. Ele me respondeu que foi no dia 30 de setembro aí eu gelei. Eu nasci no dia 30 de setembro, então acho que esse é esse o lado que me aproxima muito do temperamento dele, ser libriano e ter nascido no mesmo dia, além do fato de tocar bateria.

Ruy Brissac (Dinho): Pra mim com o Dinho é a aparência… Mentira, mentira… (risos) Eu sempre cantei desde a adolescência. Quando era pequeno eu cantava ópera e quando cresci comecei a cantar rock e aí decidi ser ator e vim para São Paulo me especializar e aí fiquei um ator-cantor e depois dessa dançarino, completo (risos). É isso, eu sempre fui muito extrovertido com meus amigos, sempre fiz palhaçadas, enfim, tanto que falavam que eu era parecido com ele pelas brincadeiras. A imitação foi um ponto… Eu nunca fui imitador e quando tinha que imitar o Silvio Santos eu olhava pra ele (Possi) e falava ‘Jesus, o que eu vou fazer com esse SIlvio Santos que não entra?!’, mas a gente vai treinando e agora entrou e tá forte aqui! Silvio Santos, Lula, Gil Gomes…

Elcio Bonazzi (Samuel): Eu acho que a covinha talvez (risos). Bom, eu não toco baixo, mas tô correndo atrás com os músicos para aprender alguns movimentos, mas é lógico que eu não vou tocar baixo como o Samuel tocava, em três meses de ensaio, mas uma coisa que eu admiro nele e o que eu mais escutei de muito gente quando eu peguei o papel é que ele era um cara muito do bem, de paz pra caramba e que as pessoas gostavam muito dele. Eu não sou tão legal quanto ele, acho que sou mais chatinho que ele (risos), ele era muito gente boa mesmo, mas acho que não só comigo, mas com o cinco e acho que é até por isso que estamos aqui, é que nós precisamos o tempo inteiro de gente dizendo ‘gente, para’, ‘gente, chega’, ‘sai de cima da cabeça do outro’, ‘para de zoar, de brincar’. Acho que temos um pouco dessa personalidade deles, que temos esse timming de comédia, de brincadeira, tudo mundo aqui fala pra caramba. Todos nós temos um pouco de cada um deles. Eu trouxe um pouco de mim para ele e eu peguei um pouco dele Samuel pra mim, mas também tenho um pouco de Dinho, de Sérgio, das ideias do Júlio…

Adriano Tunes (Júlio): Eu não sei se me assemelho tanto com o Júlio porque ele era bem tímido, né? Mas acredito que o fato de eu ser muito observador também, principalmente quando eu chego num trabalho novo, trabalhar com pessoas que eu não conheço, pela primeira vez, eu fico bem calado porque eu fico observando e tentando entender cada um e isso me deixou próximo do Júlio e depois tendo contato com a Paula [Rasec, irmã do tecladista Júlio] percebi que sou bem família como ele era. Aí de repente algumas coisas foram se assemelhando. A minha carreira com os Mamonas no geral, talvez se assemelhe por exemplo, eu considero esse espetáculo como um divisor de águas na minha carreira… esse é o primeiro grande musical, o primeiro grande espetáculo que eu faço, então acredito que essa virada de página na minha vida calhou de ser com os Mamonas, que também deram uma virada de página na vida deles que depois de serem o Utopia viraram Mamonas. Esses detalhes que, inclusive, me emocionaram bastante na época das audições, de ser logo os Mamonas que fizeram a minha carreira dar um bom em 2016.

Yudi Tamashiro (Bento): Bom, apesar do cabelo Bob Marley (risos de todos). Quando eu recebi o roteiro eu pensei: ‘Não acredito que ele fez isso, fez aquilo…” – A minha primeira guitarra foi uma Yamaha que ganhei da minha mãe e veio do Japão e a primeira guitarra do Bento, que até está no roteiro como um presente que o marcou, foi uma guitarra Yamaha que ele ganhou da mãe dele. Eu sou skatista e ele também era, então têm diversas coisas… Ele tem aquele lado meio debochado e eu tenho um pouquinho desse lado debochado, então são várias coisas. Mas acho que o mais importante, aqui também no musical, é não esquecer o nosso lado, pois estamos interpretando, fazendo tudo isso, mas estamos nos divertindo demais fazendo esse musical. Acho que é o mais importante. Não consigo fazer nenhum trabalho que eu não me divirta, que não esteja bem com meus amigos e acho que isso é essencial para nós passarmos uma boa mensagem para todos.

Depois do fim da coletiva foi a hora de tirar fotos e esperar pelas exclusivas (estudantes de jornalismo, preparem-se, essa é a hora de separar as mamonas dos meninos). Fomos para fora da Sala Raul Cortez e, em meio a fotos, espera, entrevistas para TVs, canais no YouTube e por aí vai, consegui trocar um pouquinho de ideia com o Ruy Brissac que interpreta o Dinho e, meu Deus, como eles são parecidos, sério!

Fiz duas perguntas e, mesmo em meio à palhaçadas e brincadeiras, ele respondeu em um tom bem sério e consciente e ainda revelou algo da vida dos Mamonas que não estará no musical, dá uma olhada!

Nós estamos em um momento parecido com o que estava acontecendo em 94, 95 e 96… O país está uma droga e por aí vai. O que vocês pensam de interpretar uma banda que veio para fazer a gente rir de tudo que estava acontecendo? Vocês sentem essa responsabilidade, de tipo, “a gente também pode fazer isso hoje”?

Ruy (Dinho): O que mais a gente quer trazer é essa alegria mesmo. Tanto que no musical a gente não fala de acidente… A gente quer trazer só alegria, a parte boa, essa parte que todo mundo se apaixonou por eles. Só queremos trazer isso e somos todos bagunceiros, ficamos todos juntos, todos no mesmo barco e o Brasil está exatamente assim, então não tem porquê as pessoas virem ao teatro, um entretenimento para ouvir ou ver novamente que o Brasil está ruim, então queremos que elas saiam felizes e contentes daqui.

Vocês já tem a dimensão de tudo isso que está acontecendo, se são reconhecidos na rua, se a galera já quer tirar foto…?

Ruy (Dinho): É muito legal! O carinho dos fãs tá muito grande. Desde o momento em que apareceu que faríamos o musical dos Mamonas a maioria dos fãs mandaram mensagens, adicionaram nas redes sociais, falavam que nós tínhamos o apoio deles, porque eles querem reviver aquilo de novo. Eles querem matar aquela saudade. Óbvio que não serão os Mamonas, mas queremos trazer o máximo possível para matar essa saudade, tanto que quando os pais do Dinho vieram assistir eles disseram “muito obrigado, vocês passaram a alegria que eles passavam e a gente pôde matar um pouco da saudade”…

Agora é correr pro teatro para conferir O Musical Mamonas e matar as saudades daqueles anos 90 em que ríamos até de nós mesmos. Vai rolar sempre de quinta a domingo. Espero que vocês tenham gostado. Eu curti muito, afinal há pouco mais de 20 anos atrás eu comprava o meu primeiro CD e era justamente o do Mamonas Assassinas.

SERVIÇO
Onde? Teatro FeComércio, Sala Raul Cortez (R. Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista – São Paulo)
Quando? 11 de março a 29 de maio, de quinta a domingo
Quanto? R$60 a R$120
Informações sobre horários e ingressos no site