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A fotógrafa brasileira Alle Manzano expõe, em outubro, o ensaio “Toque-me”, que são 16 telas com 16 mulheres reais dividindo a cena com diferentes instrumentos musicais. A ideia de Alle com a exposição é mostrar que o toque está “extinto” atualmente, numa era em que as pessoas se comunicam principalmente por meios digitais: “Além de ser envolvida emocionalmente com a música, percebi também que muitas mulheres eram vazias, insatisfeitas sentimentalmente e carentes de um toque desejado”.

Para ela, todo tipo de toque é importante e especial, e que cada pessoa tem seu jeito de tocar e ser tocado, assim como os instrumentos. A data e local da exposição serão divulgados em breve.

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– Conta um pouco sobre a ideia das fotos, de misturar mulheres e instrumentos. Você disse que tem a ver com a falta de toque hoje em dia…
O toque está em extinção. Hoje, conversamos através de aplicativos, passamos os nossos sentimentos através de emoticons, gravamos vozes e não nos falamos mais com as pessoas que amamos. Sentamos à mesa com amigos, familiares e namorados, mas estamos com a mente conectada virtualmente em pessoas que, muitas vezes, nem fazem sentido, em vidas felizes por fotos publicadas. Deixamos a felicidade real, que está na nossa frente, e transportamos nossos sentimentos por algo que nem existe. Daí veio a minha ideia, além de ser envolvida emocionalmente com a música, percebi também que muitas mulheres eram vazias, insatisfeitas sentimentalmente e carentes de um toque desejado. Daí veio a minha ideia, sou extremamente envolvida com a música. A música consegue nos arrepiar da cabeça aos pés, através do toque, da letra, da melodia, a música é uma ligação intensa de sentimento. Quero, através dessa exposição, mostrar o quanto é bom nos arrepiar com o toque. 

– Quais instrumentos entraram nas fotos?
Bateria, banjo, órgão, piano, pandeiro, sanfona, saxofone tenor, trompete, violino, violão, baixo, guitarra, flauta, tuba, saxofone soprano e baixolão.

– Por que escolheu “mulheres reais”?
Pela despreparação de alguma delas para encarar uma câmera. Pela insegurança do próprio corpo, pelo prazer em ver elas se sentirem feliz com o resultado do ensaio.

– Elas sugeriam os instrumentos?
Não, algumas tinham, mas para outras precisei pedir emprestado para alguns músicos. O que foi mais difícil na realização dos ensaios, pois a grande maioria dos músicos tem ciúmes dos seus instrumentos (com toda razão), então foi bem difícil.

– Acha que as mulheres sentem mais falta de toque? Ou que são mais exigentes de toques específicos…?
Acredito que o toque é especifico para cada um de nós, tanto para homens quanto para as mulheres. A falta de toque esta na banalização do sexo – não se toca, apenas se faz sexo. Ninguém mais se da o prazer suficiente de se conhecer, de se tocar com vontade, de sentir o toque desejado. Tudo acontece tão rápido que ninguém tem tempo de satisfazer de verdade apenas gozam.

– Você toca algum instrumento?
Não toco nenhum instrumento, mas sou amante da música. Não faço nada, absolutamente nada sem musica, não fico um dia sem ouvir um ritmo que me toca a fundo.