Em 1977, Sylvester Stallone tinha sido indicado ao Globo de Ouro pela atuação como Rocky Balboa no primeiro filme da série, mas não levou. Quarenta anos depois, o ator finalmente recebeu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, pelo mesmo papel, na continuação “Creed: Nascido para Lutar” – e ainda é um dos favoritos ao Oscar.

Um dos maiores lutadores de boxe da história do cinema volta às telas, mas desta vez fora dos ringues. O longa coloca Rocky Balboa no papel de treinador de Adonis Johnson (Michal B. Jordan) filho do antigo campeão dos pesos pesados, Apollo Creed, morto durante sua luta no quarto capítulo da série.

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O filme consegue unir referências dos outros seis filmes de forma que a densidade emocional seja tamanha e capaz de encher de lágrimas, em algum momento, até os olhos dos mais fortes e durões. É incrível como, aos 69 anos, Sylvester Stallone se apresentou de forma impecável, mantendo as características conhecidas dos filmes anteriores e mostrando a capacidade de renovação do ator e deixando claras as dificuldades advindas da idade avançada. O que eu quero dizer é que, não tentaram criar um Rocky invencível, imune a tudo – pelo contrário. O que podemos ver é um Rocky frágil, que sofre com os problemas do tempo como qualquer outra pessoa.

Apesar de ser uma sequência, não falta material para os desavisados – diálogos, comentários, digressões, fotos, tudo suavemente incluso para lembrar ou situar o espectador que está chegando agora e sendo apresentado agora a “Rockylândia”.

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Ao contrário dos filmes anteriores, o foco não fica em Rocky, e vai tramando o enredo de superação dos outros dois personagens: Adonis, que luta para construir carreira no boxe sem depender do legado deixado pelo pai, e sua namorada, Bianca (Tessa Thompson), uma talentosa cantora de R&B que sofre com perda gradual de audição. É retomada da ideia de lutar “contra todos, inclusive contra si mesmo”, já cantada anteriormente.

Balboa, dono de um restaurante após a aposentadoria dos ringues, enfrenta a doença que matou sua mulher e em vários momentos é chamado a lidar com dramas reais. Tudo com o que estamos acostumados a ver: longos diálogos com lições de vida e metáforas motivacionais.

O cineasta Ryan Coogler talvez tenha feito o filme mais visualmente impressionante de toda a série. As cenas dentro do ringue são, sem exageros, as mais reais que me lembro de ter visto. Planos-sequência da perspectiva dos lutadores, sons e cortes daqueles que faz você sentir cada soco. Impecável.

Ah, e claro, da trilha sonora, dona de uma das músicas mais marcantes das últimas décadas, deixa tudo amarrado e assinado, como mais um capítulo de uma saga emotiva, inspiradora e brilhante.