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10 Filmes pra você entender sobre o racismo

Se você habita o mesmo planeta que nós, já deve ter visto as tristes notícias envolvendo a trágica morte de George Floyd, um cidadão negro brutalmente assassinado por quem supostamente deveria defender as pessoas, um policial. Com o debate sobre racismo tão em alta, seria uma irresponsabilidade da nossa parte fechar os olhos e não fazer a nossa parte.

No Brasil o caso João Pedro também ganhou notoriedade, é triste constatar que ainda nos dias de hoje o racismo exista de forma tão pesada.

Pensando nisso, convidamos o Caio Costa, do podcast Blogcitário, pra nos ajudar a montar uma lista de filmes que ajudam a explicar o racismo.

Você confere a seguir os filmes indicados pelo Caio e pela redação do Testosterona.

Os diretores Spike Lee e Jordan Peele

Filmes pra refletir sobre o racismo

Dicas do Caio

Infiltrado na Klan (2018)

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Uma das obras prima de Spike Lee, que finalmente ganhou o reconhecimento do Oscar em 2019 ao premiá-lo pelo seu roteiro adaptado do livro pelo mesmo nome que narra este caso que aconteceu na vida real.

O filme conta a história, passada no final da década de 1970, do policial preto nos Estados Unidos que entrou para a seita racista Ku Klux Klan. Só pela premissa, que soa absurda no primeiro momento, é conduzida pelo caminho do humor por boa parte do tempo.

Mas não se engane, pois o diretor sabe muito bem o destino que ele quer conduzir. O humor é uma arma poderosa para colocar questões espinhosas na cara do telespectador.

O riso deixa agradável a porrada que o roteiro dá ao questionar o racismo na estrutura da polícia, um olhar mais detalhado nos membros da KKK e até mesmo as trocas de “papéis” entre a dupla protagonista, faz o telespectador se colocar no lugar dos envolvidos na trama.

Como citei, o humor está ali para o nocaute ao fim da obra, que se faz ainda mais necessária no momento que vivemos no Brasil, onde muitas pessoas precisam entender o que foi realmente a KKK antes de querer sair por aí com esta “interpretação”

Cidade de Deus – 10 anos depois (2013)

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Todo mundo sabe a importância de Cidade de Deus para o Cinema Brasileiro. Concorreu ao Oscar e foi celebrado nos principais festivais ao redor do mundo com todos os méritos.

Enquanto a obra impactou a indústria, será que a obra mudou a vida dos atores? Como eles estavam dez anos depois? Esta é a proposta deste documentário, que deixa um sabor agridoce na audiência.

Aqui fica claro o racismo estruturado no mercado. Enquanto Cidade de Deus se tornou um dos melhores filmes de todos os tempos graças ao desempenho de não atores, fica nítido como, mesmo ajudando a obra de Fernando Meirelles a atingir “oto patamar”, apenas Seu Jorge e Alice Braga, que eram os mais famosos do elenco, continuaram suas carreiras e até rodaram filmes estrangeiros.

Já Leandro Firmino, que entregou o icônico Zé Pequeno, até apareceu em alguns papéis pequenos da TV, nunca mais teve outra oportunidade. Alexandre Rodrigues (Buscapé), foi um pouco mais longe por alguns anos, mas também caiu no ostracismo. Douglas Silva, que era garoto na época, certamente foi mais longe na carreira.

Voltando ao documentário, é possível retornar à realidade após a euforia. Pode não ser tão envolvente quanto o filme, mas acredito ser fundamental assistir e refletir sobre como a cor da pele dificulta coloca ainda mais barreiras na corrida da ascensão social, por mais talento que tenha.

Dicas da Francini

Estrelas Além do Tempo (2016)

A minha escolha foi por filmes com protagonistas mulheres por entrar em outra questão que deixa tudo ainda mais difícil, além do racismo: o preconceito de gênero.

Estrelas Além do Tempo conta uma história pouco conhecida do grupo de mulheres negras que foi fundamental para o avanço tecnológico e matemático que permitiu a ida do primeiro americano ao espaço.

Nos anos 60 a segregação racial ainda estava em vigor nos EUA e as mulheres lutam por espaço em cargos de liderança, participação em reuniões, acesso a documentos e reconhecimento por seu trabalho.

O filme, que é uma ficção baseada em fatos reais, foca na história de três mulheres: Katharine Johnson (Taraji P. Henson), que fez os cálculos de reentrada da cápsula espacial levando o astronauta John Glenn, Dorothy Vaughan (Octavia Spencer), uma das únicas supervisoras negras da agência, e Mary Jackson (Janelle Monáe), a primeira engenheira negra da Nasa. 

O filme mostra a segregação para uso de banheiros, de refeitório, e até garrafas de café diferentes para negros e brancos. É muito importante para entender o racismo num estilo de filme que também traz bons sentimentos, já que a história é de afirmação, conquistas e acaba bem. Ah, também importante para ver com crianças, em especial, meninas.

Histórias Cruzadas (2011)

Essa indicação é também para entende outro aspecto do racismo de que tem-se falado bastante também e que é importante entender pra, na sede de ajudar, não acabar cometendo o mesmo erro: o complexo do branco salvador.

A história é sobre empregadas domésticas negras nos EUA em 1960, mas reforçando a pessoa branca que resolve os problemas de personagens não-brancos, problemas estes que não poderiam ser resolvidos por eles por conta própria.

Em filmes, a crítica das comunidades negras é de que isso reforça uma representação das relações raciais onde características e sentimentos positivos são atribuídos a pessoas brancas.

Tem Emma Stone, Viola Davis e, de novo, Octavia Spencer. Skeeter, personagem de Emma Stone, é uma jornalista que decide escrever um livro da perspectiva das empregadas (conhecido como The Help), mostrando como elas estão sofrendo racismo na casa de brancos.

Dicas do Julian

Django Livre (2012)

Esse filme já me chamou atenção pelos nomes que estão envolvidos, Samuel L Jackson, Leornado Dicaprio, Jamie Foxx entre outros, e conta com a assinatura do Quentin Tarantino, uma fórmula com tudo para dar certo.

O filme conta da história de Django (Jaime Foxx), um ex escravo que ajudado pelo Dr. King Schultz (Christoph Waltz) vai em busca da sua mulher, Brunhilde (Kerry Washington).

O filme nos mostra uma América escravocrata onde o negro é considerado pela maioria das pessoas como um ser inferior e o racismo está por toda parte. Em meio a isso temos Django, um negro orgulhoso, que em sua jornada mostra o quanto ele é capaz e que ele não inferior a ninguém por causa da raça. Esse é o filme mais fogo nos racista na prática que eu assisti, visto que para alcançar seu objetivo Django mata todos que entram em seu caminho.

Um detalhe bem curioso no filme acontece o Dr. Schultz dar o poder de escolha pro Django, dizendo que ele pode escolher qualquer roupa que queira e Django escolhe um conjunto azul bastante chamativo e isso tem um embasamento real, pois os negros escravizados nem podiam escolher sua próprias roupas, usando geralmente trapos em cores neutras, então os negros que conquistaram sua liberdades sempre escolhiam roupas muito coloridas e bem chamativas para mostrar que eles não pertenciam mais a ninguém e tinham o poder de escolher o que querem fazer da vida.

Corra! (2017)

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Com certeza Corra! é um filme que me surpreendeu muito, quando fiquei sabendo sobre esse filme não sabia o que esperar dele, me foi apresentado como um filme de terror para negros, algo totalmente novo para mim.

Escrito e dirigido pelo Jordan Peele, até então muito conhecido por seus trabalhos na comédia, Corra! conta a história de Chris Washington (Daniel Kaluuya) que está indo conhecer a família da sua namorada Rose Armitage (Allison Williams), e o que poderia ser uma situação comum na vida de um casal escala de um modo inesperado para um terror que só me fazia pensar o porque o Chris não não foi embora logo que percebeu certos acontecimentos estranhos e desconfortáveis envolvendo tanto a família da namorada quanto o núcleo do qual fazem parte.

O filme nos apresenta o racismo de uma maneira diferente, pois aqui o negro não é considerado inferior, muito pelo contrário, o negro nesse filme é considerado física e geneticamente superiores, e isso faz com que essa sociedade atraia pessoas negras para usar seus corpos a favor deles, mas o detalhe está no fato de que só seus corpos são interessantes não suas mentes, pois apesar de aceitarem a genética dos negros mais vantajosa suas mentes ainda são neste ponto consideradas descartáveis.

Escolhas do Edu

O Mordomo da Casa Branca (2013)

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O filme é uma biografia livremente inspirada na vida de Eugene Allen, um negro que trabalhou na Casa Branca por décadas, e viu a história americana sendo escrita, enquanto trabalhava servindo presidentes e políticos.

O Mordomo da Casa Branca, em resumo, mostra a vida de um garoto que tem a mãe violentada e o pai assassinado, e é colocado pra aprender o trabalho que ocuparia a sua vida toda: servir e ficar calado.

Entretanto, um trabalho na Casa Branca não foi um ofício fácil para Eugene. Os EUA enfrentava problemas de segregação racial, e ele, como negro, assistia de perto sem poder pronunciar uma palavra as medidas tomadas que beneficiariam, ou não, o seu povo.

A narrativa é padrão, e conta toda sua trajetória de vida, mas suas histórias se baseiam puramente na luta por igualdade racial.

O filme sofreu algumas críticas por ser muito sentimental e complacente com personagens históricos.

Duelo de Titãs (2002)

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Mais um filme sobre igualdade racial, e também baseado numa história real. Até meados dos anos 70, na cidade de Alexandria, Virginia, negros e brancos estudavam em escolas diferentes, até que por determinação da justiça foi criada a T. C. Williams High School, uma escola para todos frequentassem juntos.

Entretanto, a cidade estava em clima de guerra por conta do assassinato de um garoto negro por um comerciante local. É nesse clima que tensão que Herman Boone chega na cidade.

Denzel Washington interpreta Herman Boone, primeiro treinador de futebol americano negro da T. C. Williams High School, e como já era de se esperar, ele é alvo de racismo por parte de alunos, pais e até mesmo outros professores dentro da escola.

A forma segura com o que o ténico Boone encara a situação, mesmo tendo que lidar com a desconfiança e a má vontade dos jogadores brancos, fez com que ele pudesse treinar o time e, ao mesmo tempo, quebrar as barreiras criadas pela diferença de cor, promovendo a integração do elenco e, permitindo dessa forma que o grupo pudesse chegar as vitórias.

Escolhas do Rafa

Faça a Coisa Certa (1989)

O filme que consagrou Spike Lee em Hollywood e abriu as portas para diversas oportunidade no mundo cinematográfico. Uma visão que reflete completamente a atual onda dos protestos nos Estados Unidos. 

No filme, Moozie (o próprio Spike Lee) é um entregador de pizzas que trabalha o Salvatore “Sal” Fragione, sua pizzaria italiana é mais tradicional no Brooklyn. Ele adora glorificar ídolos italianos no estabelecimento com fotos nas paredes. Um dia um ativista negro o questiona sobre incluir fotos de negros, esse é o gatilho para um conflito de reconhecimento racial

Mudbound (2017)

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Na época da Segunda Mundial, o filme destacada a amizade entre dois homens, um branco e um negro. A trama se passa no sul dos Estados Unidos, onde o racismo contra os negros é um dos mais forte pela população.

Duas famílias (uma negra, os Jacksons, e a outra branca, os McAllans) são forçadas a compartilhar um pedaço de terra. O filme acompanha o dia a dia dos personagens em situações semelhantes, mas com tratamentos bem distintos, dependendo da cor da pele de cada um deles.

A diretora ainda consegue explorar as duas visões tanto de um lado quanto de outro, enquanto seus protagonistas tentam manter a amizade que os uniu na guerra. 

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