Home Filmes Você já ouviu falar em Twin Peaks? E sabe da importância dessa série?

Você já ouviu falar em Twin Peaks? E sabe da importância dessa série?

27 anos depois do final de sua segunda temporada, Twin Peaks está de volta com 18 novos episódios, todos dirigidos por David Lynch, um gênio do cinema, e distribuída no Brasil pela Netflix. Mas antes de dar play nessa nova temporada, é preciso entender não apenas o que é Twin Peaks, mas também sua importância para a história das séries.

No início dos anos 90, o que se consumia em séries eram produtos entalados, com seus casos da semana e roteiros que se repetiam. Twin Peaks era exibida em TV aberta, na ABC, e sua estreia teve uma audiência superior a 30 milhões de espectadores. Porém ao invés de personagens sem muita profundidade, e histórias repetitivas, David Lynch entregou uma história complexa que misturava realidade e sonhos, em uma bizarra sinfonia surreal.

Não é preciso mais do que dois episódios para reconhecer em Twin Peaks alguns lugares já visitados. A influência da série é gigantesca, e obras como True Detective e (principalmente) The Killing bebem muito na fonte. Isso sem contar o tema recorrente de um detetive com hábitos incomuns caindo de paraquedas em uma cidade também incomum. Não seria exagero dizer que até mesmo Fargo, que é baseada nos filmes dos Coen, também tem fortes doses de Twin Peaks.

E se a cidade americana na fronteira com o Canadá é pequena e ilimitada, o mesmo não se pode dizer de seus realizadores. A imaginação aqui pulsa forte, e a capacidade de David Lynch transformar o ordinário em extraordinário é uma das coisas mais deliciosas de ser acompanhar, e mesmo depois de tantas excelentes séries, é muito bom ser novamente impactado com a boa e velha criatividade.

Tudo acontece em Twin Peaks

Em Twin Peaks a cidade é parte pulsante da história, e é preciso decifrá-la para entender seus personagens. Quando, durante uma reunião, o sheriff Harry diz a Dale Cooper que existe algo místico ao redor daquele lugar, é porque de fato deve existir. Morei no interior até meus 26 anos de idade, e cidades pequenas e afastadas dos grandes centros (Salto do Itararé, minha cidade natal, fica a quase 400km da capital Curitiba) costumam ter sua própria atmosfera. Os habitantes parecem conectados e presos a algum centro gravitacional que puxa todos de volta.

É como se de fato, essas cidades tivessem vida própria. Sendo assim, os habitantes de Twin Peaks são como raízes de uma árvore antiga, no caso, a própria a cidade. Dale Cooper é o organismo invasor, mas ainda assim, tão estranho, enigmático e incrível como qualquer um ali. E é impressionante como o personagem rouba pra si todos os holofotes quando está em cena. Seus pequenos vícios e maneirismos mostram o cuidado de Lynch e Frost na criação desses personagens.

A forma como ele pausadamente transpira prazer a cada pedaço de torta é um exemplo disso: pequenos detalhes que vão sendo empregados em cada personagem da série, características exclusivas para que possamos nos apegar a cada um deles de maneiras diferentes.

O assassinato de Laura Palmer é só o estopim para fazer esse pequeno lugar pegar fogo, e uma desculpa para o espectador servir de voyeur. E Twin Peaks vale qualquer esforço de observação. É de fato uma das séries mais importantes da televisão, e a cena do anão dançarino, bom, essa eu ainda não consegui superar.

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