O fim do ano está logo aí, e junto com ele vem a época de promoções – Black Friday, Natal e, claro, as tradicionais queimas de estoques que rolam em janeiro. Então, continuando aquele guia para comprar notebook que comecei aqui há umas três semanas (foi mal a demora), o foco desta segunda parte é um mais profissional: os laptops usados para trabalhar. São máquinas que precisam ser um pouco mais robustas, porque vão ter que aguentar programas mais pesados (e mais leves também) sem engasgos – e, mais importante de tudo, sem travar.

Os notebooks para trabalhar (e, por que não?, jogar)

Pode esquecer os Chromebooks e os notebooks mais básicos (aqueles com Intel Celeron) sugeridos na primeira parte desse guia. Se for preciso fazer algo além de escrever no Word ou criar um Power Point sem muita firula, é bom partir direto para um modelo com processador um pouco mais avançado – e, consequentemente, mais caro.
“Mas quão mais?” Novamente, vai depender do que você precisa fazer no trabalho. Se a ideia é mexer com umas planilhas não tão extensas, fazer apresentações elaboradas-mas-nem-tanto e editar o básico no Photoshop, já dá pra conseguir um bom notebook, que não engasga, por algo entre 2000 e 3000 reais. Mas se você tiver que lidar com uma quantidade maior de dados e com uns Power Points animados (e obviamente mais pesados), o valor sobe. E se o objetivo for rodar um Photoshop seriamente, o negócio pode dar um belo salto no preço.

O processador – Para mexer com apresentações e planilhas não tão complexas – o trabalho padrão de escritório, que não exige muito –, um Core i3 de quarta ou quinta geração (como o dos modelos usados no dia a dia mesmo) até deve dar conta do recado, mas engasgando um pouco. Para garantir, o melhor mesmo é pensar em um i5 dessas mesmas gerações (os modelos iniciados com 4 ou 5, lembra?) ou, dependendo da demanda, até mesmo em um i7. Eles vão lidar melhor com atividades que exigem muito da CPU, como planilhas extensas e documentos mais pesados, e também aguentam bem o tranco de um Photoshop rotineiro – além de ajudarem bem na duração da bateria.

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Dell Inspiron 15

Mas se a ideia é ir além do básico no Photoshop e mexer com outros programas gráficos, nem sequer pense em um i3. O recomendado é ficar com pelo menos um i5 de quinta geração, talvez até acompanhado de uma boa placa de vídeo integrada ou de uma dedicada (mais informações no tópico a seguir). E se a demanda for alta mesmo, vale a pena investir em um modelo com um Core i7. Dependendo da versão, o processador já vem com um bom chip gráfico integrado – ou ao menos o notebook vem com uma placa de vídeo dedicada. Porém, os preços nesse último caso certamente passarão dos 3000 e poucos reais.

Vídeo (a parte mais importante) – O trabalho gráfico mais pesado deve exigir um pouco mais em termos de processamento (gráfico, obviamente). Por isso, caso seu trabalho exija algo do tipo, é bom pensar na “placa” de vídeo (não é exatamente uma placa, e sim uma unidade bem menor) que vem no notebook. Aqui, há dois tipos: as integradas e as dedicadas. As primeiras (HD Graphics, Iris ou Iris Pro) já fazem parte do “pacote” dos processadores Intel, enquanto as segundas são as populares Nvidias e Radeons.

Os processadores i5 de quinta geração vêm, por padrão, com pelo menos um chip HD Graphics 5500 integrado. Acima dele, estão a GPU (unidade de processamento gráfico, na sigla em inglês) HD Graphics 5600, a HD Graphics 6000, a Iris Graphics 6100 e a Iris Pro Graphics 6200 dos Intel Core i7 de quinta geração e as HD Graphics 520 e 530 e Iris Graphics 540 e 550 dos Intel Core i7 de sexta geração (a atual). É muito número – e por isso vou tentar simplificar.

De cara, se a sua ideia não é trabalhar tanto com processamento de imagens, sem exigir tanto do notebook para processá-las ou até renderizar vídeos, pode ficar tranquilo e ir com alguma das HD Graphics que acompanham os i5 ou i7 das duas gerações que falei. Elas vão dar conta do recado, porque nesses casos quem vai pegar mais no batente será mesmo o processador.

Mas se você for mais hardcore e quiser fazer o notebook trabalhar pra caralho, evite os modelos de i7 que têm apenas uma HD Graphics como chip gráfico. Como você vai saber isso? Olhando na parte das configurações no site da lojinha e batendo o modelo do processador com essa lista (pra 5ª geração) ou com essa (pra 6ª). Ela não está completa, mas mostra o modelo e a GPU que o acompanha. Se não encontrá-lo, o Google é seu amigo nessas horas. Enfim, se o processador do notebook que você gostou vem com um Iris Pro, pode se dar por satisfeito – essas GPUs são boas pra processar e renderizar o resultado do seu trabalho. Senão, é melhor caçar outro aparelho ou checar se ele ao menos vem com um chip gráfico dedicado.

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Lenovo Yoga 500

Notebooks com esse tipo de GPU normalmente são bem identificados pelos próprios lojistas logo no título da oferta. Mas existem chips e chips nesses casos. Há modelos que vêm com uma Radeon R7 265M ou uma GeForce 920M (que aguentam bem o tranco, mas ainda são superadas pelas Iris Pro em alguns comparativos) e modelos que têm uma competente GeForce GT 840M ou uma Geforce GT 940M, que é ainda melhor.

De qualquer forma, não é exatamente fácil achar um notebook com uma GPU (integrada ou dedicada) ótima ou excepcional em varejistas por aqui. A maioria dos modelos populares vem com uma versão mais “de entrada” do Core i5 ou do Core i7 (ou seja, nada de Iris Pro) ou com os chips gráficos dedicados menos parrudos (como os dois primeiros) e medianos (os dois últimos que citei). Pra saber o que você está comprando, aliás, vale dar um Ctrl+F nesse ranking aqui depois de descobrir o chip nas especificações da loja (ou no Google mesmo).

A memória – Não há muito para se falar aqui: 4 GB são suficientes para o trampo de escritório padrão, mas vá de pelo menos 8 GB se sua ideia é partir para o lado gráfico da coisa. Deve ser o suficiente para aguentar a execução de múltiplos programas. Lembre-se ainda de que a memória precisa ser DDR3 (que é o padrão atual, de qualquer forma) e ter uma boa frequência (1600 MHz é um bom número, e também é o padrão atual da indústria).

O HD – Se você quer bastante espaço, não tem muito jeito: as opções serão os discos rígidos padrões (HDDs), de 500 GB ou 1 TB. Mas se você quer mais velocidade, existem diversas opções de notebooks com SSDs (drives de estado sólido, bem mais rápidos). Eles tendem a ser um pouco mais caros e a oferecer menos espaço para guardar arquivos (entre os mais populares, os maiores têm “somente” 256 GB), mas agilizam muito o tempo de inicialização (vira coisa de poucos segundos) e também aceleram o acesso a arquivos. Vai da necessidade.

A tela – Para trabalhar com imagens e outros recursos gráficos, a resolução é importantíssima. Então, fique atento a esse ponto na hora de escolher o notebook: dê preferência a modelos com display Full HD (1920 x 1080 pixels) ou acima disso. Esqueça os aparelhos que têm aquela resolução padrão de 1366 x 768 pixels. O tamanho da tela, por sua vez, vai da sua preferência.

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Samsung Expert X51

O sistema – Se você, que trabalha com edição de imagens ou de vídeo, quiser simplificar as coisas e tiver um bom dinheiro sobrando, parta direto para os MacBooks Pro, que rodam o sistema OS X da Apple. É bem provável até que você já tenha um, por sinal. A plataforma tem uma gama completa de programas gráficos disponível, e os notebooks que a rodam trazem configurações que se encaixam perfeitamente no que eu falei mais pra cima.

Mas se você não vai trabalhar com tão exigente (ou simplesmente não têm tanta grana assim), saiba que os notebooks muito provavelmente virão com Windows 8.1, atualizável para o Windows 10 ou com o W10 direto. Não dá para fugir disso, a menos que você queira usar algum modelo antigo. Porque, atualmente, só eles vão rodar o Windows 7.

E o que mais? – Novamente, um número razoável de portas USB 3.0 é um bom adicional, assim como alguma saída HDMI para ligar o notebook na TV ou em alguma outra tela maior.

Onde eu acho essas coisas? – Os notebooks menos basicões que sugeri na primeira parte do guia são mais do que o suficientes para fazer o trabalho de escritório padrão. Vale checar a lista deles nesse link aqui. Agora, se você precisa de algo além do básico, a história é outra.

Encontrar um notebook mais parrudo, que aguente bem rodar vários programas ao mesmo tempo ou aplicações mais exigentes, é relativamente fácil. Numa busca rápida, encontrei dois Dells Inspiron 15 com tela de 15,6’’ Full HD, Intel Core i7 5500U, 8 GB de RAM e HD de 1 TB por coisa de 3.600 reais. Um deles ainda vinha com uma GPU dedicada, a Radeon R7 M265. Não é excelente, mas se sai melhor do que a HD Graphics 5500 do outro (que vira tablet) na hora de lidar com um programa de edição de imagens ou até de vídeo (embora não seja o ideal).

A Lenovo já oferece o Yoga 500 (modelo 80NE0006BR), que têm o mesmo i7 5500U (com HD Graphics 5500 integrada), 8 GB de RAM, HD de 1 TB, mas é conversível (vira tablet) e tem tela menor (14’’, ainda assim Full HD). O preço? Também 3.600 reais. E nessa mesma faixa de valor, a marca oferece o Z40 no próprio site, que, apesar de rodar um i7 4500U (4ª geração), tem uma GPU GeForce 820M para dar um leve gás no processamento gráfico. O ThinkPad X1 Carbon e o ThinkPad W541 também estão lá como opções mais parrudas, mas só para quem pode desembolsar 10.000 dinheiros ou mais.

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Avell Titanium W155 PRO

O grande problema aparece na hora de encontrar notebooks com um bom chip gráfico, seja integrado ou dedicado. Até desisti de procurar nas maiores redes os modelos com um i7 mais avançado do que o 5500U – aparentemente, eles estão restritos a lojas especializadas. Mas ao menos achei alguns modelos com GeForces bacanas. Foi o caso do Samsung Expert X51 (código NP500R5H-YD1BR), que tem uma GeForce 940M e um i7 5500U, além de 8 GB de RAM, tela Full HD de 15,6’’ e HD de 1 TB. O preço? Os mesmos 3600 reais.

Mais barato que ele, o Asus X550LN tem uma GeForce 840M e tela do mesmo tamanho (e resolução 1366 x 768), mas roda um i5 4210U e tem 6 GB de RAM. Pelo menos ele custa só 2500 reais. Já mais caros, temos os laptops da Avell. A marca especializada em notebooks para gamers (que funcionam bem para trabalhos mais pesados) oferece umas opções a mais de GPU, como a GeForce 950M, que equipa uns modelos de 4500 a 5000 reais (igual o Titanium W155 PRO da foto aí em cima).