O fim de ano está chegando, e com ele vem o resto do 13º salário, a Black Friday e o Natal. É a época ideal pra aproveitar umas promoções e trocar uns eletrônicos de casa – ainda mais porque a Lei do Bem, que corta uns impostos de computadores e smartphones, deve cair no fim de novembro fazer preços subirem. E se na minha última coluna falei de celulares, dessa vez o tema é notebook – um negócio que, se você não escolher direito, só te faz passar raiva.

Preciso de um processador potente? Quanto de memória é o ideal? Tela touch ou nem precisa? O que se deve levar em conta, afinal, na hora de comprar um notebook? Bem, isso varia de acordo com o que você pretende fazer. E por isso mesmo tentei dividir a resposta em três partes – ou posts –, cada um focando em um público-alvo. O primeiro você lê a seguir.

Os notebooks para o dia a dia

Sabe aquele pessoal que usa o notebook praticamente só em casa, pra navegar na internet, abrir o Facebook, o Twitter ou o Orkut, ouvir umas músicas e ver uns filmes e séries? Então, é desse dia a dia que estou falando. São atividades que você poderia muito bem fazer em um tablet e que, por não exigirem tanto do computador, não vão demandar um aparelho tão caro.

imagem1-compaqpresario

O Compaq Presario CQ-23

“Quer dizer que eu posso comprar o mais barato que tiver?” Bem, depende. Se você não se importa em ter um notebook um pouco diferente, a resposta é “sim”. Além dos laptops com Windows, algumas lojas por aqui vendem Chromebooks, que custam menos de 1000 reais e rodam o sistema Chrome OS – que mais parece uma versão crescida do Chrome. Eles não são compatíveis com programas do Windows, e no lugar do Office, rodam o Google Docs, por exemplo. Justamente por isso, é preciso mantê-lo conectado à internet para fazer quase tudo.

Para quem pretende usar o laptop principalmente em casa ou em ambientes com Wi-Fi, eles não deixam de ser boas opções. Mas se a ideia não te cativou, vamos ver o que é preciso ter em mente na hora de comprar um notebook rodando Windows mesmo.

O processador – Para o cérebro do notebook, a opção mais indicada é ir de Intel. Não é que eu tenha algo contra os concorrentes AMDs – o problema é que é difícil achar notebooks equipados com processadores da marca por aqui.

Enfim, se você quer gastar no máximo 1500 reais, vá de Intel Celeron dual ou quad core. É um processador de entrada, básico, que está longe de ser essa potência toda. Mas ele deve ser suficiente para executar as tarefas que falei acima e até rodar o Word pra escrever e o Power Point para fazer uma apresentação mais despretensiosa.

imagem2-samsungessentials

O Samsung Essentials E21

Se você puder gastar até uns 2000 reais, já vale a pena caçar um notebook com Intel Core i3 de quarta ou quinta gerações. Nessa linha, dá pra identificar isso pelo primeiro número no modelo do chip: o 4005U, por exemplo, é de quarta, enquanto o 5005U é de quinta. E se você tiver um pouco mais de 2000 reais para gastar, é até interessante investir em um i5 dessas mesmas gerações. É meio exagerado, mas ao menos o notebook aguenta um pouco mais.

Modelos com esses dois chips costumam aguentar um bom tempo longe da tomada. Além disso, apesar de não serem os mais indicados para jogar, aguentam bem melhor o tranco em atividades mais exigentes – inclusive dá pra se arriscar um Photoshop com um i5.

Mas o mais importante aqui, independente do quanto você for gastar, é conferir o modelo do processador nas especificações técnicas. Jogue o nome no Google, abra o site da Intel e veja de que período e de que ano ele é, para que você não acabe comprando algo de 2013 ou antes. Esse Celeron quad core aqui, por exemplo, encontrado em alguns notebooks vendidos no Brasil, foi lançado no fim de 2014 – e dependendo do preço, pode ser um bom negócio.

A memória – Por mais baratos que estejam, evite modelos com apenas 2 GB de RAM. Para não passar raiva, dê preferência para pelo menos 4 GB – isso faz com que eles engasguem bem menos na hora de rodar vários programas juntos ou de abrir muitas abas no navegador. Confira também se ela é DDR3 nas especificações técnicas. É meio que o padrão da indústria hoje, mas né, nunca se sabe que tipo de armadilha se esconde nessas ofertas.

O HD – Por menos de 1500 reais e com o processador e a memória indicados, é mais provável que você só encontre modelos com 500 GB disponíveis no HD. Então, se você precisa (ou quer) ter pelo menos 1 TB de espaço pra guardar seus arquivos, o negócio é gastar um dinheirinho a mais e já aproveitar para pegar um notebook com processador melhor. Dependendo da quantia que você tiver, dá até para pensar em comprar um Ultrabook com um disco de estado sólido (ou SSD), que é muito mais rápido do que os HDs normais.

imagem3-lenovog40

O Lenovo G40

A tela – Aqui já não há muitas opções. Na faixa de preço de até 1500 reais (ou 2000, dependendo do processador que escolher), dificilmente você vai encontrar algum bom notebook com Windows com tela sensível ao toque. Os displays também provavelmente ficarão na casa das 14’’ ou 15’’ e terão resolução de 1366 x 768 pixels. Para conseguir algo diferente disso, será preciso desembolsar um pouco mais em uma máquina mais potente (como um Ultrabook ou um MacBook Air) – porque modelos baratos com telas menores costumam ser mais fracos ou ter uma procedência duvidosa.

Se você faz questão de ter uma tela menor e não quer gastar mais do que o valor máximo que falei, os Chromebooks voltam a aparecer como uma boa opção. Só que é como eu escrevi mais pra cima: o sistema é outro (o aparelho roda o Chrome OS, que se parece muito com o navegador Chrome) e eles dependem quase que integralmente de conexão à internet.

O sistema – Com a óbvia exceção dos Chromebooks, a maioria dos notebooks hoje vem com o Windows 8.1, mas prontos para serem atualizados para o Windows 10. Alguns gatos pingados, porém, podem vir com Ubuntu ou algum outro Linux instalado. São bons sistemas, mas que podem dar um susto em que não está acostumado com nada fora do mundo do Windows. Vale a pena, então, ficar atento nas especificações.

Algum extra? – Portas HDMI (para ligar o notebook na TV) e USB 3.0 (pra mais velocidade na transferência de arquivos) são sempre bons adicionais – e quanto mais delas, melhor. Por isso, não deixe de checar a parte de conexões nas especificações técnicas.

imagem4-dellinspiron

O Dell Inspiron 14

E em que modelos eu acho isso? – No decorrer do texto, coloquei as fotos de alguns notebooks desse tipo que encontrei. A Compaq tem um modelo chamado Presario CQ-23 que se encaixa bem nas especificações mais básicas que falei. O notebook – que achei por 1200 reais – tem tela de 14’’, processador Celeron dual-core, 4 GB de memória e HD de 500 GB.

Também achei um Samsung Essentials E21 (ou NP370E4K, da linha lançada em maio) e um HP 14-r050Br, com configurações quase idênticas, por 1300 reais e 1390 reais, respectivamente. Por fim, a Dell tem um Inspiron 14 Série 5000 já com um Core i3 (e Ubuntu no lugar do Windows) por menos de 1600 reais. A HP não é minha marca preferida (tenho um histórico ruim com ela), mas as opções da Samsung e da Dell são bem interessantes.

Um pouco acima deles, um Lenovo G40 com Intel Core i3 4005U (e Windows, vale dizer) estava por 1800 reais (1650 à vista), mesmo preço de um Dell Inspiron 15 Série 3000 de configurações praticamente iguais. Com um i3 de quinta geração, encontrei um notebook conversível da Dell (o Inspiron 13 Série 7000) por salgados 2700 reais e um surpreendente Acer Aspire E5 com HD de 1 TB de quase 1600 reais (a versão com 500 GB estava 1500 reais).

Por fim, de opções com Core i5 de quarta ou quinta gerações, um Lenovo G40 (sim, o mesmo modelo, mas com configuração superior) estava por 2000 dinheiros. Dois Acers Aspire E5 (um com 4 GB e outro com 6 GB de memória RAM) ficavam por 1800 e 1900 reais. Os Dells Inspiron 14 e 15 Série 5000 não saíam por menos de 2000 reais, enquanto um de tela menor (13,3’’, conversível e 4 GB de memória) estava por quase 3000 reais. É pouco menos que um Samsung Style S20, que tem um SSD (um HD bem mais rápido) e encontrei por 3100 reais.