Flores pra Algermon foi publicado pela primeira vez por Daniel Keys em 1956 como um conto, e sete anos depois como um romance. O livro fez um enorme sucesso, foi premiado e teve até uma adaptação pro cinema.

Ele é um dos livros recomendados pros estudantes nos Estados Unidos há algum tempo, e agora ganhou uma edição nacional pela Editora Aleph.

Flores para Algernon

A história num primeiro momento parece simples, mas é capaz de despertar no leitor um emaranhando de sentimentos e emoções. Charlie, tem 32 anos e apresenta um baixo desenvolvimento intelectual, seu QI é muito baixo e seu sonho é ficar inteligente pra fazer amigos. Ele trabalha numa padaria onde todos os seus “amigos” vivem rindo dele, por ele ser retardado.

Uma oportunidade se apresenta e Charlie é escolhido pra uma cirurgia experimental inovadora, que promete aumentar o seu QI e torná-lo uma pessoa inteligente. A cirurgia foi testada anteriormente em Algernon, um rato de laboratório que mostrou avanços significativos.

Como este é o grande sonho da sua vida, ele se submete ao experimento e sua vida começa a passar por infinitas transformações

Relatórios de progresso

Todo a história é contada por Charlie no livro através dos seus relatórios de progresso, que começam antes da cirurgia. No começo, ele escreve errado, e tem pensamentos que são compatíveis com o de uma criança, e sua visão do mundo ao seu redor é extremamente simples. Ele acredita que tem amigos, porque todos estão sempre rindo com ele. Ele tem noção da sua limitação intelectual, mas não entende como isso afeta o seu mundo.

Charlie passa a ser submetido a testes pra medir a evolução do seu intelecto, em disputas em labirintos com Algermon, a fim de comparar a evolução das duas cobaias. No começo ele é sempre superado pelo rato, mas com o passar do tempo vai se tornando mais inteligente.

Os relatórios vão seguindo e em algum ponto fica nítido pro leitor que algo está mudando na cabeça de Charlie, ele começa a escrever melhor, tem uma sede infinita por aprender,  seu vocabulário se torna mais rebuscado,  ele e vai se tornando uma pessoa mais consciente de si mesma.

A busca pela inteligência

O problema é que com essa nova percepção, Charlie vê que na verdade todos zombaram dele a vida inteira, e ele começa a perceber que a sua família o abandonou. Entende que foi mandado pra uma instituição para pessoas como ele, e que foi tirado de lá por um amigo do seu tio.

Através de flashbacks, ele revive momentos complicados da sua infância, e passa por um doloroso processo de entender que o mundo é muito mais complicado agora, as pessoas são cruéis, e que antigamente ele de certa forma estava protegido dessa triste realidade, no seu pequeno mundo.

Charlie vai se tornando cada vez mais inteligente, lê diversos livros, aprende inúmeros idiomas e consegue enfim a tão sonhada inteligência. Ele só não sabia que apesar do conhecimento, sua evolução emocional seria muito mais lenta.

Ele se torna um gênio, mas por dentro é como se fosse um adolescente, ansioso, medroso, e que ainda não tem a estrutura emocional pra lidar com seus novos problemas devido aos seus traumas durante a infância e adolescência. Ele se afasta de todos ao seu redor, e se vê novamente num mundo onde ninguém o entende.

Segue um trecho:

“Eu não sei o que é pior: não saber o que você é, e ser feliz; ou se tornar aquilo que você sempre quis ser, e ficar sozinho”

Uma leitura intensa e necessária

Quero evitar spoilers, mas a coisa se complica de tal forma que ele chega a questionar a sua própria existência. Charlie na verdade contesta tudo, seus médicos que só pensavam nele como um experimento, ou mesmo as pessoas que gostavam dele, e se vê numa solidão sem fim.

O Livro é triste, intenso, e faz com que você se coloque em outras perspectivas e sinta as frustrações que Charlie sentiu, tanto antes quanto depois da cirurgia.

Vale destacar outro trecho:

“Essa inteligência tinha gerado uma cisão entre mim e todas as pessoas que conhecia e amava, me arrancando da paradaria. Agora, estou mais sozinho do que nunca. Eu me pergunto o que aconteceria se colocassem Algernon de volta na gaiola grande com alguns dos outros ratos. Eles se voltariam contra ele?”

 



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