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A máfia sem glamour em Os Bons Companheiros

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Existem bons filmes que você da uma olhadinha vez ou outra. Existem filmes legais que você se diverte em um sábado de inverno. E existem filmes fodas, clássicos irretocáveis que quanto mais se assiste, melhores ficam. É o caso de Os Bons Companheiros de Martin Scorsese, que quase 30 anos depois, segue uma obra de arte e um retrato cru e sem romantismo da máfia italiana nos EUA.

Martin Scorsese que cresceu nos subúrbios de Nova York e mostrou seu conhecimento pela prodridão humana e das ruas em Taxi Driver e Touro Indomável, se tornaria uma autoridade em longas de máfia. E tudo começou com Os Bons Companheiros e sua forma crua e visceral de retratar uma época onde o respeito e a família de O Poderoso Chefão não eram tão importantes assim.

Apesar da comparação ser injusta, afinal, Poderoso Chefão é provavelmente a maior obra cinematográfica de todos os tempos, Jerry Capeci, colunista de um site especializado sobre máfia e crime organizado, ousa colocar a obra de Scorsese e Francis Ford Coppola lado a lado: “O Poderoso Chefão romantizou os gângsteres e os tornou pessoas que matavam em nome da honra. Mas Os Bons Companheiros os mostrou como realmente são: caras violentos e sanguinários que matam sem pensar, que atiram na perna de alguém só para se divertirem”.

Violência gratuita

Violência é a palavra chave. Martin Scorsese é agressivo com sua montagem que fragmenta a história em pequenos acontecimentos, assim vamos aos poucos conhecendo que são Henry, Jimmy e Tommy. Da ascensão de um pobre garoto meio italiano e meio irlandês a um orgulhoso gangster, até sua queda onde torna-se aquilo que mais temia: um homem comum.

Os Bons Companheiros está longe de criar alguma empatia com seus personagens. Mesmo que você inveje Henry cortando fila em restaurantes e distribuindo notas de 20 como gorjetas, não há uma ligação emocional como a de Michael Corleone pela sua família. O exemplo disso é quando Jimmy resolve fazer a limpa em seus companheiros após um milionário assalto.

Os Bons Companheiros é cruel e necessário para mostrar que dentro desse jogo sobrevive apenas o mais forte. Não existe uma linha de diálogo que não seja incrível, não existe uma passagem que não seja inesquecível.

Ray Liotta, Joe Pesci e Robert De Niro simplesmente fantásticos e a vontade com seus personagens. É o que Martin Scorsese sabe fazer de melhor, um ótimo diretor de atores. Os Bons Companheiros é uma viagem ao mundo do crime glamourizado através das décadas, mas Scorsese chuta a mesa pra cima e abre seu filme com um homem semi morto no porta malas. “Até onde me lembro, sempre quis ser um gângster” diz o personagem de Henry.

Onde ver: tem na Netflix.
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