Taty Ferreira, do blog Acidez Feminina, aborda questões cotidianas e delicadas das mulheres de forma descontraída e bem-humorada.

livro

Ao contrário do que você deve estar pensando, o livro não é uma solução para as mulheres que se sentem “mal resolvidas”, nem vem com uma fórmula mágica para mudar isso. Taty, inclusive, é bem enfática quando defende que o livro não vai transformar as mulheres da noite para o dia.

Taty, ou Acid Girl, foi colunista no Testosterona e criou seu blog e canal Acidez Feminina para falar por mulheres e para mulheres, racionalizar problemas e mostrar o que se passa na cabeça de uma mulher sincera. Sucesso do YouTube com mais de 70 milhões de visualizações, Taty usou de suas experiências e relatos que recebeu de leitores ao longo dos 5 anos de blog para montar o livro.

Ela faz o papel da amiga que diz as verdades que as mulheres não gostam ou não têm alguém para falar. O famoso “amiga, para que tá feio”, ou aqueles sacolejos de que precisam para ver e repensar as coisas mais óbvias e comuns do cotidiano das mulheres.

Isso também afeta diretamente a vida dos homens. Não é que seja um manual de como ser independente, não precisar de ninguém e dominar o mundo – pelo contrário. É sobre melhorar a convivência, tanto entre mulheres e homens, quanto das mulheres com elas mesmas.

Falando sempre na primeira pessoa do plural, o “nós” da autora tira toda a carga de “cagação de regra” a que estamos acostumados a ver por aí, assim como também exclui o livro do caráter clássico de auto-ajuda. Assim, torna-se uma conversa sincera entre autora e leitora, na qual Taty se inclui como uma mulher que também tem dúvidas, dilemas e desilusões, fazendo uso das próprias histórias e experiências para exemplificar e ajudar as leitoras a enxergarem certas situações.

Para os mais curiosos no que se refere ao mundo feminino e à arte de tentar entender o que as mulheres pensam, a leitura é também válida. São abordados temas como o drama e vitimização que fazem por qualquer coisa, a mania que algumas têm de implicar com as amigas que o namorado já tinha antes delas, e ainda tem um capítulo intitulado “Existem homens que prestam, sim”, defendendo a generalização dos homens por conta de algum trauma.

Questões sobre relacionamento familiar, decisões profissionais, independência financeira, autoconhecimento, sexo e dicas para lidar com a TPM e ter uma vida mais leve também são assuntos tratados por Taty no livro.

Tanto é uma leitura democrática e pensada para inspirar e melhorar os relacionamentos entre pessoas que a vlogueira colocou, ao fim, uma “Seção extra para os homens”, que soa quase como uma carta aberta. Ela reconhece que as mulheres não são fáceis de serem compreendidas, afirma que estão lutando para melhorarem e chama os homens para que acompanhem a mudança e, claro, também sejam pessoas bem resolvidas.