Terminou nessa última sexta-feira (26) aquela que é uma das semanas mais corridas pra jornalistas e assessorias de tecnologias no Brasil e no mundo: a da edição anual da Mobile World Congress, ou MWC para os íntimos. O evento, que acontece poucas semanas depois da CES, é o maior dos focados exclusivamente em dispositivos móveis, e costuma servir de palco para que algumas das maiores empresas do mercado (com exceção da Apple) apresentem aqueles que serão seus principais produtos no decorrer do ano. A edição 2016 do congresso não foi muito diferente, e separei aqui seis dos anúncios mais marcantes (e também interessantes) feitos na semana do evento. Confira aí:

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LG G5

Iniciada antes mesmo do começo do evento, ainda no domingo, a apresentação da LG foi marcada por uma mudança no estilo da empresa sul-coreana, que agora tenta passar uma imagem de “jovem”. Essa nova mentalidade foi meio que mostrada no G5, sucessor do já bem avaliado G4 e um dos smartphones mais promissores anunciados durante essa semana de MWC. Por quê? Simplesmente por ser o primeiro aparelho produzido em massa que adota um sistema de módulos. Explicando: o G5 traz, embaixo de sua tela quad HD de 5,3’’, uma parte removível, que puxa junto com ela a bateria do dispositivo.

É esse o tal módulo, que pode ser substituído por outro de bateria, caso a carga acabe, ou por um que traz consigo uma câmera com ajustes manuais, melhor do que a padrão do aparelho. Além dessas duas opções, a LG ainda revelou durante a apresentação um terceiro módulo, que adiciona um reprodutor de som em alta definição ao celular, ideal para audiófilos. Ainda não é um smartphone completamente modular como o Project ARA, do Google, mas a adição desse recurso em seu principal modelo do portfólio não deixa de ser um movimento interessante por parte da LG. Se logo de cara já há uma opção de módulo para melhorar a câmera e outra para aprimorar o som, imagine o que pode aparecer nos próximos meses? Só resta esperar que a empresa sul-coreana não abandone essa ideia. O G5 ainda não data de lançamento definida, mas deve chegar ao hemisfério norte em abril, trazendo consigo, além da bonita tela, um processador Snapdragon 820, bateria de 2.800 mAh, câmera traseira de 16 MP e 4 GB de RAM.

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Samsung Galaxy S7

A Samsung já não foi tão ousada quanto a rival sul-coreana no anúncio do Galaxy S7. Mas isso não quer dizer que a apresentação de seu novo smartphone high-end tenha decepcionado. Longe disso, na verdade: pelo que foi mostrado pela empresa, o S7 (e sua versão com bordas curvas, o S7 Edge) trará basicamente tudo que o já excelente S6 trazia. Ou seja, uma bateria melhor, suporte a cartão microSD e resistência à água (IP68, que indica que o aparelho aguenta até 30 minutos submerso a 1,5 metro). Isso tudo vem num corpo de metal e vidro, similar ao já apresentado pelo S6, mas com uma traseira curva, que deve facilitar a pegada.

Por dentro, o S7 terá uma versão com processador Snapdragon 820 quad-core e outra com um Exynos 8890 octa-core. Independente do chip, o aparelho contará com 4 GB de RAM, pelo menos 32 GB de capacidade de armazenamento e tela quad HD de 5,1 polegadas (5,5’’ no S7 Edge). A câmera traseira será de 12 megapixels, contra 16 MP do S6 – um aparente downgrade. Mas não se engane: o conjunto contará com lente de abertura f/1,7 (quanto mais próximo do 0, maior é ela) e tecnologia de pixels duplos, que deverá melhorar ainda mais a captação de luz para você não ter que depender tanto do flash nas hora de tirar fotos. Por fim, a bateria será de 3.000 mAh (3.600 no S7 Edge), uma bela melhoria em relação aos 2.500 mAh do S6. Lá fora, o lançamento acontece em março, mas ainda não há confirmação da data no Brasil – embora a Samsung nunca demore muito para trazer o aparelho para as lojas daqui.

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Xiaomi Mi 5 Pro

Saindo do mundo das gigantes que atuam com força no ocidente, a Xiaomi (que até trouxe dois modelos seus ao Brasil) foi outra que anunciou seu smartphone mais high-end: o Mi 5 Pro. Com quase as mesmas configurações dos outros dois supracitados, o aparelho da chinesa traz um processador Snapdragon 820, 4 GB de RAM e 128 GB de espaço, mas embalados por um corpo com traseira de cerâmica, uma de suas características mais chamativas.

A bateria de 3500 mAh é outro ponto de destaque, assim como o leitor de digitais posicionado na parte da frente (no mesmo lugar dos modelos da Samsung) e a tela gigante de 5,7’’ e resolução quad HD (2560 x 1440 pixels, caso ainda não tenha procurado). É, em suma, um senhor aparelho, que ainda deverá custar pouco lá fora: 415 dólares, cerca de 25.000 reais 1.650 reais na cotação atual. Também não tem previsão de chegada no Brasil.

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HP Elite x3

HP? Smartphone? O quê? Pois é. Mais conhecida por fabricar computadores e impressoras, a HP foi à MWC para apresentar seu mais novo smartphone high-end: um monstro chamado Elite x3, que conta com o mesmo processador respeitável e a mesma alta quantidade de RAM dos três anteriores dessa lista. Mas com uma diferencial crucial na plataforma: em vez de rodar Android, o aparelho aqui vem com Windows 10. Alguns podem até argumentar que é um baita de um desperdício por parte da empresa fazer isso, mas a ideia da HP não deixa de ser interessante. Segundo a apresentação, a proposta é colocar em um único aparelho poder de fogo suficiente para que ele funcione como um smartphone e também como um PC.

Como? Usando um recurso chamado Continuum do Windows 10. Com ele, basta conectar o smartphone, um mouse, um teclado e um monitor a uma dock especial para que o dispositivo móvel passe a funcionar como o “gabinete” de um computador. A interface é basicamente a mesma da apresentada pelo Windows 10 nos PCs, com menu Iniciar e tudo. E a HP também está trabalhando em um jeito para fazer os programas de computador rodarem numa boa nessa bagunça (ainda há todo um problema de compatibilidade graças aos processadores de arquiteturas diferentes usados em smartphones e em PCs). O Elite x3 não tem data de lançamento definida, mas também terá foco em empresas.

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CAT S60

O CAT S60 faz jus à marca que o fabrica, a Caterpillar. Com corpo emborrachado, ele aguenta quedas de cara e de quina no concreto a uma altura de até 1,8 metro e ainda resiste a água a até 5 metros de profundidade (e por uma hora). Só esses dois pontos já seriam ótimos chamarizes para seu público-alvo, que costuma ser composto por engenheiros e outros profissionais que trabalham em áreas não muito amigáveis para smartphones sensíveis. Mas o novo modelo de celular da marca de tratores não para por aí. Para atrair ainda mais o interesse desse público seleto, ele também oferece um sensor térmico na câmera traseira, que o torna capaz de exibir mapas de calor em tempo real.

O recurso é obra da Flir, uma empresa especializada nisso, e o S60 é o primeiro smartphone a oferecer uma funcionalidade do tipo (de verdade, não por meio de um app enganador). Ele não traz muito mais além disso (o processador é um Snapdragon 617, a RAM é de 3 GB e a tela é só HD). Mas quem liga para isso quando dá para ver no escuro e através de paredes com o celular?

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Netxbit Robin

À primeira vista, fora o design diferente, com cores mais vivas e bordas não arredondadas, o Nextbit Robin não parece trazer muita coisa nova. Suas especificações não são das mais chamativas (um Snapdragon 808 com 3 GB de RAM e tela Full HD), sua câmera não é das melhores do mercado e seu sistema é o Android em seu estado quase puro. Mas o aparelho, nascido de uma campanha no Kickstarter, se destaca no quesito armazenamento, e promete nunca deixar você sem espaço para guardar vídeos, fotos, músicas, apps e outras coisas mais.

Quer dizer, não exatamente “nunca”, porque isso seria tempo demais. Mas a ideia por trás do Robin é oferecer, além dos 32 GB de capacidade de armazenamento padrão, mais 100 GB de espaço na nuvem, em um servidor da própria Nextbit, para fazer backups automáticos de apps e fotos guardados no dispositivo. Com isso, sempre que a memória interna do smartphone ficar abaixo dos 2 GB, os aplicativos menos utilizados serão desinstalados automaticamente, sendo substituídos por um “fantasminha”. Deu vontade de usar o aplicativo de novo? Basta clicar nessa sombra para que ele seja rapidamente “puxado” do backup na nuvem, do mesmo jeito que estava antes – e o mesmo vale para as fotos.

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