Nós nem bem terminamos de comemorar que a Playboy brasileira manteria as fotos de mulheres nuas na revista quando, às vésperas do feriadão, fomos bombardeados com esta notícia: a Playboy vai acabar. Confesso que não botei muita fé na hora porque há muito tempo ouvimos esses rumores de que a revista estaria vivendo seus últimos dias, então não foi lá uma surpresa tão grande. Mas na quinta-feira (19) a Abril anunciou que não mais editará a revista a partir de 2016. A editora não renovou a licença para utilizar a marca que, eventualmente, até pode ser adquirida por outro publisher interessado. Então, ainda há esperanças.

É muito verdade que as edições brasileiras vinham perdendo o brilho ano a ano, mês a mês, colocando desconhecidas nas capas e se apoiando na tradição para manter seu público. Mas não resistiu à geração “Manda Nudes” e, se já respirava por aparelhos com a transformação no consumo de mídia e ensaios nus, ainda sofreu os efeitos da reestruturação da Editora.

O atual diretor da revista, Sérgio Xavier Filho, ainda não falou sobre a decisão nem revelou quem poderá ser a última capa da Playboy. Em seu perfil no Twitter, só o que ele postou sobre o caso foi:

Em nota oficial, a Abril informou que a decisão faz parte de uma “estratégia de reposicionamento focado nas necessidades dos leitores e do mercado” iniciado há um ano com a “revisão do portfólio de produtos e a radical readequação das ofertas Abril à sua audiência, anunciantes e agências”. A marca será publicada pela última vez no próximo mês de dezembro.

Com tudo (e apesar de tudo), ele veio fazendo o que pode com o que tinha. Inclusive, enquanto escrevia este texto, a revista anunciou no Twitter:

Desde quando sentimos uma diferença grande nas “estrelas” de capa também na edição de aniversário (que era a mais aguardada do ano e a que recebia mais investimento), entrevistei o ex-diretor, Edson Aran, questionando sobre o cenário que ele tinha deixado na revista e o que podia estar acontecendo para que as mudanças fossem tão visíveis e, digamos, tristes. Na época, há dois anos, ele me disse: “O que eu sei é que o modelo de negócios baseado em celebridades nuas e grandes vendas está morto, mas isso é um problema de mercado, não tem a ver com a revista em si”.

Talvez tenha um fim mais digno a Playboy americana, que anunciou, também recentemente, que não publicaria mais ensaios de mulheres nuas. Até brincamos aqui que a culpa era de todo mundo que dizia ler a revista pelo conteúdo.

Talvez essa história ainda não termine aqui e alguma editora resolva comprar o título, continuar, reformular, sabe Deus. Como dizem, não adianta mais dar flores ao mortos. Eu raramente ainda comprava edições da revista e aposto que você nem se lembra a última vez que entrou na banca para procurar uma Playboy ou quando pagou a última parcela da sua assinatura. De todo modo, é com grande pesar pela tradição que assistimos ao triste fim da revista que participou do descobrimento sexual de tantos adolescentes por aí, que fez a cabeça (e o cérebro) e formou muitos homens por aí.

Para completar o saudosismo, nossa equipe relembrou algumas edições icônicas de épocas diferentes e elegeram as capas que mais marcaram suas vidas. E aí, qual a Playboy de que você nunca vai se esquecer?

Jean Vieira – Musas do Axé Blond (junho/2000)

Eduardo Mendes – Flavia Alessandra (agosto/2006)

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André Filho – Grazi Massafera (agosto/2005)

Diego Pucci – Adriane Galisteu (agosto/1995)

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Matheus Bordallo – Kelly Key (dezembro/2002)

Gustavo Gusmão – Cleo Pires (agosto/2010)

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Marcelo Coletto – Maitê Proença (agosto/1996)

Victor Borges – Deborah Secco (agosto/2002)

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