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Ana tem 29 anos e, na internet, é conhecida como Ana Stripper. Em vez de boates escuras, ela tira a roupa no conforto do seu apartamento de dois quartos localizado em um bairro de classe média de Santos, no litoral paulista. Trabalha de domingo a domingo, com pausas para comer, fazer ginástica e sair com o namorado – não apenas ele, como também seus melhores amigos e sua família sabem de onde vem o sustento da moça, embora frequentemente ela seja obrigada a explicar que não faz programas. “Nada contra, mas não sou prostituta”, afirma.

Assim como Ana, há um considerável número de garotas que faturam exibindo-se pela internet. Não existem estatísticas sobre o mercado no Brasil. “Como muitas atuam na informalidade, é impossível fazer este cálculo”, afirma Evandro Shiroma, vice-presidente da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico. Ana diz que, por mês, tira “mais do que 10 000 e menos do que 20 000 reais” – o valor inclui ainda o faturamento do site Nua na Rua, com vídeos nos quais se exibe despida em locais públicos, e a venda de suas lingeries usadas, endereçadas para alguns clientes em envelopes pardos. As camgirls – ou webcam models – são substitutas modernas das atendentes de telessexo. Se, por telefone, pouco importava a aparência, no sexo virtual é essencial que elas sejam aquilo que dizem ser…

Há três grupos bem definidos de camgirls. O primeiro é formado por garotas de classe média que trabalham por conta própria e não fazem sexo presencial com seus clientes. Na avaliação delas, uma stripper virtual usa a beleza para ganhar dinheiro da mesma forma que a hostess de um restaurante badalado – com a diferença de que, normalmente, ganham mais. No segundo grupo estão as garotas de programa que usam os shows eróticos como isca para conquistar novos clientes. No terceiro, estão as modelos contratadas por sites especializados, como o DreamCam, o LoveCam e o Quentíssimas. Nesses casos, as moças fazem o show e recebem uma porcentagem sobre o valor pago, que varia entre 30% e 75%. As modelos não são autorizadas a negociar programas durante os shows.

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Em um mercado com excesso de oferta erótica como é a internet, quem assume uma postura profissional costuma se dar bem. Rebeca Galabarof, 22 anos, é um exemplo disso. Rebeca foi uma garota rica até completar 14 anos, quando os negócios de sua família quebraram e ela teve de se mudar de São Paulo para o interior do estado. Quando completou 18 anos, passou no vestibular para direito em uma universidade particular da capital. Para pagar as contas, começou a procurar emprego como vendedora de loja ou hostess. Uma amiga chamou-a em um canto. “Sou olheira de uma agência de cam models”, revelou. Rebeca quis saber do que se tratava, e a amiga enviou, por e-mail, links sobre o serviço. A jovem estudante gostou do que viu e levou o assunto para o jantar em família. “Vai fundo, filha”, disse a mãe, Paula Sanches. Dias depois, Rebeca estava em uma casa no Morumbi, bairro da zona nobre de São Paulo, para seu primeiro dia de trabalho para o site americano ImLive. Cada modelo ficava em um cômodo com um computador equipado com webcam.

O primeiro cliente de Rebeca tinha 28 anos e era natural de Bangladesh. Ali, a moça se descobriu. “Eu já tinha estudado teatro e vi que o trabalho era uma forma de me expressar artisticamente”, conta. No começo, trabalhava uma média de cinco horas por dia – e ficava à vontade por saber que só aparecia para quem estava no exterior, uma vez que seu acesso era bloqueado no Brasil (uma forma de proteger as modelos que querem manter segredo sobre a atividade). Em 2010, montou sua própria agência de camgirls, a StudioVCH, que recruta garotas brasileiras para atuar em mais de mil sites espalhados pelo mundo.

(A reportagem é da antiga Playboy e o link original foi removido da página)

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