Recentemente a Netflix divulgou uma pesquisa feita por eles para identificar em qual episódio as pessoas são “fisgadas” pelas séries que começam a ver. Foram analisados dados globais de streaming da primeira temporada de algumas das séries mais assistidas da atualidade – tanto séries originais Netflix quanto séries que estrearam em outras redes.

Entre os resultados, sabe-se que 70% do público que assistiu ao episódio-gancho completou a primeira temporada – falando de maneira mais poética, quando os assinantes foram fisgados, não teve volta. “Dada a natureza do horário nobre na TV tradicional, o episódio piloto é indiscutivelmente o ponto mais importante na vida de uma série”, disse Ted Sarandos, diretor de Conteúdo da Netflix, “ Na nossa pesquisa, com mais de 20 séries em 16 países, descobrimos que ninguém nunca foi fisgado no episódio piloto. Isso nos dá confiança de que disponibilizar todos os episódios de uma só vez para os nossos assinantes está mais alinhado em como surgem os fãs.

Segundo o levantamento, estas são as médias globais dos episódios que fisgaram os assinantes:séries-netflix

Para comparar com os dados do gráfico (e por pura curiosidade também), pedimos aos nossos colunistas e outros viciados em séries em qual episódio eles foram fisgados pela sua preferida. Aqui vai o nosso resultado:

better

– BETTER CALL SAUL, por Edu Mendes
Confesso que a minha expectativa com Better Call Saul era bastante alta, simplesmente por ser um spinof de Breaking Bad e por já estar familiarizado,  e gostar muito do personagem. Na verdade a série já me pegou no segundo episódio, que é cheio de ação e situações peculiares, que me remetiam toda hora à Breaking Bad, e preenchendo uma lacuna para os fãs que ficaram órfãos de Walter White. Nosso querido Saul Goodman, que na verdade se chama  Jimmy McGill é um advogado pouco experiente e mal sucedido que acaba tendo ligação com criminosos e precisa sobreviver aos contratempos da vida, ele é aquele típico advogado trambiqueiro de porta de cadeia, e você vai criando laços com ele logo nos primeiros episódios, então acho que o gráfico do Netflix não funcionou direto comigo.

demolidor

– DEMOLIDOR, por Gustavo Gusmão
Apesar de ter seus momentos – como aquela luta sensacional no corredor logo no segundo capítulo –, a ótima série do Demolidor não é das mais animadas em seus primeiros episódios. Vemos o surgimento do herói mascarado, o início da firma de Murdock e Foggy e as primeiras menções a Fisk e seus “companheiros” da máfia russa. Mas a coisa começa a engrenar de vez entre o quarto e o quinto episódios. É bem neles que o principal antagonista revela seu pior lado e os protagonistas começam a finalmente desvendar alguns mistérios. Assim, dá para entender porque é justamente o capítulo número cinco que fisga o espectador de vez na história, segundo a análise de dados divulgada pela Netflix.
(Alerta de spoliers) Para refrescar a memória, o capítulo começa logo depois do vilão mostrar seu lado mais violento – ele esmaga a cabeça do russo Anatoly na porta do carro. Fisk ainda dá um jeito de jogar a culpa no Demolidor, deixando Vladimir, o irmão do finado, ainda mais puto com o herói. E da parte do protagonista, é aqui que ele entra em conflito direto com a polícia local pela primeira vez, após descobrir que parte da corporação não é muito de seguir as leis. Também é justamente nesse episódio que o antagonista principal revela seu plano megalomaníaco à Vanessa, sua amada – e ainda começa a colocá-lo em execução ao ordenar que uma série de prédios em Hell’s Kitchen fosse explodida. Ele atinge, dessa forma, o líder dos russos e o Demolidor, que se encontram no fim do episódio, brigam e terminam abordados pela polícia – uma forma bem esperta de deixar várias perguntas no ar, manter o espectador curioso e estimulá-lo a ver o desenrolar da história.

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– HOUSE OF CARDS, por André Filho
Segundo o Netflix, os brasileiros foram “fisgados” por House of Cards no quarto episódio. À essa altura, eu já estava completamente imerso na trama, querendo que o dia não acabasse, para que eu pudesse assistir só mais um movimento de Francis. Acho que fui “fisgado” pela primeira cena do primeiro episódio, uma apresentação espetacular de alguns personagens e parte da trama, e o melhor de tudo, a famigerada ânsia pelo poder de Frank Underwood. House of Cards mexe com o brio do ser humano e toca em nosso íntimo. Afinal, quem não gostaria de estar sentado na Sala Oval, pensando no que faria em seguida?

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– HOW I MET YOUR MOTHER, por Rafael Justplay
HIMYM eu acho que assisti a 3 episódios pra ficar viciado, não levou mais do que isso. O gráfico errou! :p Até assisti algumas outras mas acho que a falta de tempo me pegou antes dos seriados, estilo Better Call Saul que eu vi uns 5 e House of Cards que eu vi a 1° temporada inteira mas não consegui ir adiante. E Breaking Bad eu levei a temporada inteira para entender que eu queria ver a segunda temporada também.

orange

– ORANGE IS THE NEW BLACK, por Louise Carvalho (Proibido Ler)
Segundo o serviço de streaming, o público mundial foi conquistado pela série no 3º episódio, enquanto o brasileiro foi no 4º. Eu acredito que esSa análise esteja 100% correta e, além da minha experiência pessoal, levo em consideração os acontecimentos dos primeiros episódios de OITNB para concordar. Se há algo que ficou claro nestes 3 anos de série, é que a protagonista não é o ponto mais interessante da história. Qualquer pessoa que assiste OITNB pode confirmar isso. Piper nos leva para a prisão e, a princípio, acompanhamos os acontecimentos pelos olhos dela, mas o interessante está ao seu redor, nas detentas.
No 3º episódio, Piper já está na prisão (os anteriores foram de despedidas melosas entre ela e seu noivo entendiante, de adaptação e dela cometendo os primeiros vacilos lá dentro) e chama a atenção da Crazy Eyes. Partindo do ponto de que esta é uma das personagens mais amadas, divertidas e conquistadoras da série, é claro que este episódio seria importante para a conquista do público. Não é pela Piper e nem pelo seu (exagerado) drama, é pela Crazy Eyes.
​Contudo, a personagem vivida por Uzo Aduba não foi o suficiente para fisgar de vez o público brasileiro. No 4º episódio conhecemos a dura história de vida de Claudette, uma mulher forte que está cumprindo pena por ter cometido um crime que, na mesma situação, muitos espectadores também cometeriam. Temos a confusão com a chave de fenda, a primeira despedida e uma das primeiras demonstrações de afeto entre Bennet e Daya. Para variar, o episódio conquistou por não ser focado em Piper e mostrar com simplicidade o quanto cada uma daquelas detentas possui algo em comum conosco, aqui fora. O povo brasileiro é sofrido e romântico por natureza, provavelmente foi este tempero que faltou nos 3 primeiros episódios, mas arrebatou de vez os corações tupiniquins no 4º.

walking

– THE WALKING DEAD, por Tulio Dias (Cinema de Buteco)
O brasileiro gosta muito de carros, ainda mais quando se trata de um carrão vermelho pilotado por um moleque em alta velocidade. Não importa se estamos no meio do apocalipse zumbi: carros velozes sempre terão nossa atenção. Talvez essa seja uma teoria para explicar o estudo da Netflix que afirma que o público brasileiro ficou apaixonado por Walking Dead no segundo episódio da série, aquele em que Glen salva Rick e a turma toda escapa junto de um edifício-abrigo. No final, Glen está pisando no fundo no acelerador de um automóvel usado na fuga. Acredito que Walking Dead passou por momentos bons e outros ruins, já que eu só fui me apaixonar de vez na metade final da segunda temporada. Insisti até lá porque amo zumbis. Muito mais do que carros, aliás.