O Arctic Monkeys é uma das bandas mais aclamadas da atualidade, o grupo inglês tem 16 anos de carreira, e acaba de lançar o seu sexto álbum de estúdio, o controverso Tranquility Base Hotel & Casino. Alguns fãs adoraram, outros acharam uma verdadeira chatice.

Mas o que este álbum tem de tão diferente? Vamos tentar explicar pra vocês a seguir.

Evolução

Ponto Positivo. É um clichê, mas bandas mudam. Músicos envelhecem, se cansam de fazer o mesmo tipo de música depois de um tempo, e começam a expandir-se musicalmente, e até conceitualmente.

Quer um exemplo disso? Ouça o primeiro e o último disco dos Beatles e me diga se não parecem duas bandas completamente diferentes. Sem querer comparar as bandas, mas todo mundo tem o direito de seguir outra direção musical em algum ponto da carreira, mesmo que isso desaponte alguns fãs.

O que eu quero dizer é que pode esquecer aquele clima animado de músicas como Fake Tales of San Francisco e Flourescent Adolescent, lançadas entre 2006 e 2007. Essa sonoridade foi substituída por um ar mais “cabeça”, e músicas com andamento lento e muito mais intensos, como por exemplo a faixa American Sports, a minha favorita do novo trabalho.

Complexidade

Ponto Negativo. É inegável que comparado a seus antecessores Tranquility Base Hotel & Casino não é de fácil assimilação, ele não tem melodias pegajosas, e conta com poucos refrões grudentos. As músicas não ficam ecoando na sua cabeça logo de cara, como por exemplo em canções como Do I Wanna Know? ou The Hellcat Spangled Shalalala.

Talvez até por isso a primeira música a virar single tenha sido Four out of Five, que é música que mais lembra o tipo de som que a banda vinha fazendo nos seus dois últimos álbuns, e tem aquele refrão chiclete, que as FM´s adoram. Afinal, por trás da banda temos uma gravadora querendo faturar uns trocados.

Pra ser sincero, eu precisei ouvir o álbum algumas vezes pra ir entendendo a proposta, e depois do susto inicial, a audição de cada faixa tornou-se extremamente prazerosa. E sim, ele é diferente de tudo o que o Arctic Monkeys fez até hoje.

Influências

Tranquility Base Hotel & Casino é um verdadeiro quebra-cabeças que pode estar bastante claro na cabeça do seu líder Alex Turner, mas não na nossa. Ele tem letras recheadas de metáforas, das quais não conseguimos decifrar nem metade. Musicalmente, percebe-se que banda tentou buscar referências em músicos que gostam de fazer sua música de forma poética, como Bob Dylan, David Bowie e Pink Floyd.

A viagem musical é grande, e em muitos momentos parece um trabalho muito pessoal, quase um álbum solo de Alex tocando piano. Eu não reclamaria de algumas músicas mais rock, mais pesadas, e mais rápidas. O que não quer dizer que as músicas mais cadenciadas não sejam boas.

Eu acho que a banda embarcou nessa onda de resgatar essa sonoridade mais clássica e um tanto psicodélica. Tentando dar um ar de anos 70 nas músicas, ou mesmo aquele clima de música de ficção científica.

 

 

Musicalidade

O ponto principal de todo álbum, obviamente é sua musicalidade. E você vai sentir uma estranha sensação de estar ouvindo música de elevador em algum momento, principalmente porque ele foi composto a partir de melodias de piano, então surge aquele clima lounge. Imagine-se jantando no restaurante de um hotel caro em Nova York, enquanto um músico toca seu piano e canta com tranquilidade. Talvez a melhor palavra pra definir este álbum seja: introspectivo.

Esse clima intimista foi o que certamente assustou os fãs, mas é inegável que até mesmo as músicas mais lentas e quase estranhas deste novo trabalho, foram compostas por alguém com extremo talento.

Destaco as ótimas One Point Perspective e a faixa que dá nome ao álbum como outras duas obras primas de Alex e sua trupe.

Conceito

Chega a ser curioso uma banda atingir um sucesso tão grande com um álbum, e no trabalho seguinte lançar algo que vá por uma outra direção musical. Mas eu respeito isso, seria muito mais fácil repetir a fórmula do AM, e lançar outras 12 canções mais ou menos na mesma pegada. Mas a verdade é que o Arctic Monkeys resolveu ir na contramão de si mesmo, e para isso lançou um álbum que é quase conceitual e certamente único.

É como se o tema geral desde novo trabalho fosse algo entre a aversão ao sucesso e uma crise de identidade, ou até mesmo a tentativa de fazer algo mais intimista e orgânico. Alguns acharam genial, e podem me incluir nessa turma, outros acharam chato e pretensioso, mas independente do que você venha a achar, ouça-o inteiro pelo menos umas 3 vezes.

No meu ponto de vista, Tranquility Base Hotel & Casino não é um álbum pra se ouvir no carro indo pro trabalho, mas sim quando você quer dar uma relaxada e ouvir música boa, e que não foi feita pra tocar na rádio.

Desfrute as melodias, e deixe-se levar pelas músicas, como a incrível faixa que encerra o álbum, The Ultracheese.



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