A primeira vez que eu assisti a um show do Iron Maiden ao vivo foi na turnê “Dance of Death” em 2004, já com bons anos de estrada e uma verdadeira coleção de hits transmitidos por fãs de geração pra geração. Longos 8 anos atrás,  lembro de ter sentido falta de mais clássicos, mas geralmente é assim mesmo, a banda lança um álbum novo, sai em turnê pra divulgá-lo e enche o set-list de músicas novas. No caso de uma banda clássica como essa, a maioria dos fãs querem ver aqueles hits que estão na nossa cabeça desde que nos conhecemos por gente.

E apesar de estar divulgando seu novo álbum e tocar nada menos do que 6 músicas do recente “Book of Souls”, que não é um álbum ruim, mas não empolga tanto quanto os clássicos dos anos 80, assistir o Iron Maiden ao vivo é algo que todo fã de música pesada que se preze deveria fazer pelo menos uma vez na vida, e foi o que nada menos que 42 mil pessoas fizeram no Alianz Park em São Paulo.

 

Uma das coisas mais legais num show deste tamanho é ver um verdadeiro choque de gerações, senhores de longos cabelos brancos, jovens e até crianças, todos unidos por amor ao rock. numa bela noite pra ouvir música boa e beber cerveja com seus amigos.

Poucos músicos têm a simpatia dos tiozões, especialmente Bruce Dickinson, ele conversa com o público, conta histórias, corre de um lado pro outro, e parece um adolescente, apesar dos seus 57 anos. “Estou triste porque este é o último show da nossa turnê aqui no Brasil. Mas guardamos a melhor apresentação da turnê para São Paulo”, disse Bruce antes de cantar ” Children of the Damned”. “Viemos para o Brasil pela primeira vez em 1985, quando muitos de vocês nem eram nascidos. Já passamos por Curitiba, Belém, Recife, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, entre outras cidades. Mas sempre que viemos aqui percebemos a diferença. São Paulo é o coração pulsante do metal brasileiro”, afirmou o vocalista.

O show tem tudo o que se espera de uma apresentação dos ingleses, muita energia, Bruce Dickinson correndo com uma bandeira da Grã Bretanha enquanto canta “The Trooper”, o mascote Eddie aparecendo em tamanho gigante, o trio de guitarristas e seus solos rápidos, um simpático Nicko Mcbrain atrás da sua bateria imensa e Mr. Steve Harris gerenciando tudo com o seu baixo. “Fear of the Dark”, “Number of the Beast” e “Wasted Years” foram as músicas mais aclamadas pelo público. Dentre as novas, as boas “If Eternity Should Fail” e “The Book of Souls” também animaram o público. Em resumo, uma banda como o Iron Maiden não faz show ruim, os músicos são excelentes, qualidade de som boa, pirotecnia de primeira. Quem esteve lá com certeza não se arrependeu!

Mais cedo quem se apresentou foi Anthrax, que está divulgando seu novo álbum, o ótimo “For All Kings”, que foi muito bem representado pelas canções “Evil Twin” e “Breathing Lightning”. Mesmo com tempo reduzido de apresentação, a banda conseguiu compor um repertório vibrante, equilibrando o jogo com material novo e clássicos de sua carreira como “Indians” e a ótima “Caught in a Mosh. Uma excelente escolha pra banda de abertura.