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Sucesso mundial, “We Will Rock You” já foi visto por mais de 15 milhões de pessoas em 17 países e chega ao Brasil em 24 de março, no Teatro Santander, em São Paulo. O espetáculo, que é baseado nas músicas do Queen e conta 24 sucessos da história da banda, mostra um grupo de rebeldes que luta em defesa da liberdade de pensamento.

Escrito pelo comediante e autor inglês Ben Elton em parceria com os membros do Queen, Brian May e Roger Taylor, a produção abriu as cortinas pela primeira vez em 14 de maio de 2002, no Teatro Dominion, em Londres. A turnê do musical já passou pelo palco dos cinco continentes. O espetáculo é baseado na música do grupo Queen, sendo composto por 24 dos maiores sucessos da banda. Para o escritor Ben Elton, We Will Rock You é diferente de tudo que já foi feito. “É mais do que um musical e mais do que um concerto de rock”, conta.

NÃO É UMA BIOGRAFIA

Não tem a pretensão de ser uma biografia de Freddie Mercury (morto aos 45 anos, vítima de Aids, em 1991) e seu grupo. Fala do perigo da globalização, principalmente para a música, em que todos ouvem as mesmas músicas, fornecidas por computadores que determinam o hit do momento. A esperança está num pequeno grupo, os Boêmios, que esperam pelo herói que vai fazer renascer o rock, o revolucionário Galileu, personagem do ator e cantor Alírio Netto.

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LEVOU 6 ANOS PARA FICAR PRONTO

A ideia de fazer o musical veio depois de um encontro entre o ator Robert De Niro com os músicos Brian May e Roger Taylor, em Veneza, em 1996. A filha de De Niro era uma grande fã do Queen e o ator perguntou se as lendas do rock nunca haviam pensado em criar um musical baseado em suas canções. Esse foi o começo de tudo e o musical demorou seis anos para ficar pronto.

A HISTÓRIA ACONTECE NO FUTURO, NÃO NO PASSADO

A história de We Will Rock You começa 300 anos no futuro. A terra é agora controlada por uma companhia chamada de Global Soft. A globalização é completa e a individualidade é um tabu. Todos assistem os mesmos filmes, usam as mesmas roupas e pensam as mesmas coisas. A música é gerada pelos computadores da Global Soft, o rock não é mais escutado e todos os instrumentos musicais foram banidos. A esperança de liberdade reside em um pequeno grupo, os Bohemians, que esperam um herói que os lidere para trazer o rock de volta às vidas das pessoas.

O SHOW É SOBRE LENDAS

“O show é sobre lendas,” explica Ben Elton. “Pegamos a lenda do Queen e criamos nossa própria história fantástica de jovens lutando contra grandes corporações que querem suprimir sua individualidade e amor pela música. Eles precisam de um herói e nós temos dois; o sonhador Galileo e a audaciosa roqueira Scaramouche. Adivinhe quem ganha no final?”, finaliza.

OS ATORES PASSARAM POR UMA RIGOROSA SELEÇÃO

No Brasil, os atores Alírio Netto (Galileo), Felipe de Carolis (Toca), Fred Silveira (Khashoggi), Livia Dabarian (Scaramouche), Andrezza Massei (Killer Queen), Nicholas Maia (Brit) e Thais Piza (Ozzy) foram os escolhidos para dar vida aos personagens principais do musical. Beto Sargenteli, além de participar do ensemble, também faz alternância com Galileo. Além deles, mais 18 atores formam o elenco de We Will Rock You.

A BANDA FOI ESCOLHIDA POR INTEGRANTES DO PRÓPRIO QUEEN

Além dos atores, uma banda talentosa de oito músicos acompanha as apresentações. Foram necessários apenas dois dias de testes para os integrantes do Queen Brian May e Roger Taylor escolherem os profissionais. Os músicos escolhidos foram: Rodrigo Hyppolito (diretor musical assistente e teclados), Thiago Rodrigues (teclados), Mário Gaiotto (bateria), Fábio Stamato (guitarra), Lucas Vianna (guitarra), Renato Leite (baixo) e Yara Oliveira (percussão).

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Eu e o Marcelo Coleto conseguimos uma entrevista exclusiva com o cantor e ator Alírio Netto, que interpreta o personagem principal do musical, o Galileu. Ele falou sobre o processo de seleção para o We Will Rock You, a relação com o Queen e também sobre o aumento e popularização de musicais da Broadway no Brasil. Leia a entrevista:

– Qual é a sua relação com o Queen, Freddie Mercury e as músicas da banda?

Sempre fui muito fã da banda desde o primeiro Rock In Rio, o meu primeiro vinil foi o a Night At The Opera, tenho uma relação muito íntima com todo o repertório do Queen. Virei cantor por causa do Mercury que para mim sempre foi uma referência.

– Por que resolveu se inscrever no processo seletivo?

Fui chamado pela produtora para fazer o teste um pouco antes das audições começarem. Os testes foram bem rápidos, mas muito intensos. Muita gente boa fica de fora, ainda bem que não foi o meu caso. (Risos)

– Como foi o processo de seleção para entrar no “We Will Rock You”?

Fizemos teste de canto e cena, e o engraçado foi que meu primeiro teste de cena foi com a Livia Dabarian, que acabou ficando com o papel de Scaramouch. Em testes assim não temos margem para erro, a pressão é grande e ganha quem está mais bem preparado.

– Acreditou desde o início que podia fazer parte do musical?

Esse musical tem a minha cara! Quando vi o anúncio senti que esse papel do Galileo poderia ser meu. Me joguei com tudo nos testes e aqui estou agora.

– Como está sendo participar de um musical tão importante e com fãs tão diferentes como os do Queen?

O legal de um show como esse é que ele possibilita a junção do público que é fã do Queen com o público do teatro. No musical, as músicas estão inseridas para dar suporte à história, então isso dá a possibilidade para o público de reviver essas músicas de um outro ponto de vista.

– Qual foi sua maior dificuldade até agora?

As coreografias! (Risos) Estou em cena o tempo inteiro, tenho muito texto e muitas músicas, o processo é bem cansativo mas também gratificante.

– Qual a expectativa de repercussão?

Sendo um musical do Queen no Brasil, acredito que será um sucesso! Já podemos perceber isso através da mídia e redes sociais.

– Quais os seus maiores ídolos e inspirações?

Freddie Mercury e o número 1 para mim. Ele me inspira sempre, seja como cantor, compositor, e através das suas letras que sempre traduzem uma verdade incrível.

– Como você vê o crescimento dos musicais no Brasil? Há anos os da Broadway vem para cá e agora os baseados em bandas estão chegando, como o do Green Day que foi confirmado para 2017.

Isso é incrível! Tanto para o artista como para o público, gera empregos e diversão com um nível poucas vezes vista no Brasil. Os níveis de produção daqui e o mesmo que na Broadway por exemplo. O mercado está fervendo também com muitos musicais com temática brasileira, o que aproxima o público do teatro.

– Dizem que Cultura no Brasil é cara e o teatro é um pouco mais exclusivo. O que você acha disso? Afinal, shows internacionais são muito caros e sempre lotam.

Trazer um musical como este tem um custo muito alto, o que acaba sendo repassado ao público. No caso dos musicais temos uma quantidade considerável de sessões a preços populares, então o público mais carente tem uma opção.

– Na sua opinião qual artista ou carreira musical de alguma banda poderia virar um musical?

Angra, Beatles, Guns N Roses, etc… Se as letras forem boas, a história acontece.

– Há cerca de 10 anos o mercado de shows tem crescido muito no Brasil a ponto de termos uma dúzia de grandes artistas se apresentando aqui. Você vê isso no teatro de forma geral?

Com certeza é isso é muito bom para o país. Gera empregos, atrai investimentos, e põe o país no mapa dos grandes eventos. Hoje estamos entre os cinco maiores produtores de musicais do mundo.

SERVIÇO:
Onde? Teatro Santander (Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041)
Quando? De 24 de março a 17 de abril (5ª e 6ª, 21h; sáb., 17h e 21h; dom., 16h e 20h)
Quanto? De R$80 a R$300
Ingressos: ingressorapido.com.br