Eu descobri minha paixão por escrever anos atrás, antes do Testosterona eu tive um portal sobre Heavy Metal e fazia resenhas de álbuns por lá, além de fazer uns bicos escrevendo pra Roadie Crew em meados de 2006. Talvez eu tenha feito poucos posts por aqui falando sobre álbuns bacanas, mas vez ou outra vem aquela inspiração e vontade de compartilhar com outras pessoas as impressões sobre um grande trabalho do meu estilo musical favorito. E depois de ouvir Omni, o novo lançamento do Angra, essa vontade de resenhar um álbum bateu forte por aqui.

O Angra foi a minha porta de entrada pro metal, e por isso sempre tive um carinho especial pelos caras. Sou daqueles fãs antigos que sempre vai achar a fase com os vocais do André Matos a melhor, mas aí veio a fase com o Edu Falaschi, que também teve bons momentos como os ótimos Rebirth e Temple of Shadows, e ainda a entrada de Fabio Lione mais recentemente, que deu um ar novo pra banda, mas que ainda não tinha me cativado até ouvir o Omni.

Que a banda já vem flertando cada vez mais com o metal progressivo e acrescentando elementos novos ao seu som todo mundo já percebeu, mas a minha impressão é que o Angra voltou a se encontrar e acertar a mão numa sonoridade bastante única, misturando a força das melodias do seu power metal, com aquela sonoridade brasileira que só eles conseguem imprimir em suas canções, e junto a isso, adicionando passagens progressivas, que mostram influências e pitadas leves de rock setentista em alguns momentos.

Omni é um novo passo na carreira do Angra

Curiosamente as minhas faixas preferidas estão mais pro final do álbum, mas ele abre com aquele “Power-metal-padrão-Angra”, com riffs rápidos e cheios de melodia. Light of Transcendence e Travelers of Time, são os abre-alas do álbum, onde a banda não esquece suas origens, e dá uma aula de power metal, é basicamente o Angra sendo Angra.

O primeiro momento ousado está na terceira faixa, Black Widow’s Web, que tem os vocais da Sandy (que particularmente eu achei desnecessários, apesar dela ser uma boa vocalista), e também a participação da vocalista Alissa White-Gluz, que tem um vocal bem rasgado e gritado. Eu nunca imaginei ver o Angra com um vocal neste estilo, e ficou bem pesado e interessante.

Insania é uma faixa que lembra muito o Angra da fase Edu Falaschi, com corais e refrão grudento, apesar de ser uma música comum e simples, é uma faixa bem legal.

Alcançando Horizontes

Pra mim, o que faz de Omni é um grande álbum é sem sombra de dúvidas o uso dos vocais de Rafael Bittencourt, hoje o único membro da formação original da banda. A voz dele contrastando com os grandes vocais épicos do italiano Fabio Lione deram vida nova ao Angra, e expandiram os horizontes da banda, a prova disso é a excelente Always More, uma música mais lenta, que começa com os vocais de Rafael e vai crescendo e ganhando corpo até chegar num refrão grandioso cantado por Lione.

The Bottom of My Soul é uma balada com uma letra muito legal, e carregada de emoção, certamente estará presente no setlist da banda nos próximos anos, ela é toda cantada por Rafael, e uma das minhas favoritas do álbum.

Em Magic Mirror a banda abraça de vez a veia progressiva, com melodias, mas sem abusar do virtuosismo, a música é certeira e tenho certeza que você vai ficar cantarolando o refrão na sua cabeça depois, essa pra mim é a melhor música do Omni.

Heavy Metal e cultura

Outro momento memorável é Caveman, essa música é a perfeita união entre o Angra do Holy Land e a nova fase da banda, tem aquela pegada brasileira, inclusive com trechos da letra em português, e vai se transformando numa canção épica. E aqui vai uma curiosidade, a letra é inspirada no mito da caverna de Platão, leia a letra, ouça a música e depois leia este texto e tudo vai se encaixar perfeitamente. É o heavy metal mostrando que passa longe da alienação.

Confesso que a essa altura da carreira da banda eu não esperava um álbum tão bom, e uma sonoridade tão própria, certamente a banda deu uma grande virada na sua carreira com este lançamento, e que venham outros trabalhos tão legais e inspirados como este no futuro.



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