Eu tenho pena do canalha. Sério. É o costa-larga oficial das pessoas desiludidas, é nele que, de uma forma metafísica, depositam a culpa do que deu errado em um relacionamento.

Antes de existir a ciência e a filosofia. Os deuses levavam o crédito por tudo. Se chovesse, Zeus tinha mandado a chuva. Se ventasse, a culpa era de Éolio. E assim a humanidade seguia, até que descobriram as razões de chover e de ventar. Mas, como não querem descobrir a causa das desilusões, a culpa ainda é do canalha.

O que ocorre é que o canalha é um mau mágico, ele faz o truque mas não consegue sustentá-lo, e é descoberto. O problema é que as pessoas se interessam de uma maneira intensa, e se iludem e forçam-se a acreditar. Observam a mágica do Tio Pimpão, imaginando o David Cooperfield. Se o truque não dá certo, e você vê sua ilusão indo embora e a realidade batendo na sua testa. A culpa é de quem? Do Tio Pimpão, que aprendeu na internet? Ou sua, que colocou suas expectativas, o que você achava, acima de tudo, sem dar uma olhada na realidade?

“A culpa é deste canalha!” Gritam as que um dia disseram “Ele é tudo pra mim!”. Se você põe sua vida nas mãos de alguém, um dia chegará à vez de pôr a culpa. E o seu modo de agir, levará a conclusão de que ninguém presta. E então, surge à máxima: “Homem é tudo igual. Tudo canalha!”. Nós, homens, somos como doce. Somos bons. A dor de barriga só vem se você abusar.

Não estou defendendo os canalhas. Até porque, canalha, canalha mesmo. Não existe mais. A última vez que escutou-se sobre a ação de um canalha. Foi em algum lugar no interior do nordeste. Tentou utilizar sua lábia, mas a “vítima” já tinha lido sobre sua reputação no Twitter. Mandou o canalha embora, e nunca mais ouviu-se falar dele. Não existe mais a ingenuidade necessária para que esse personagem sobreviva. Existe exagero e falta de “pé no chão”, o que torna qualquer pessoa, um canalha em potencial.