controle
Em tempos longínquos, se algum pobre mortal quisesse mudar o canal de seu televisor, era um sacrifício. Um ritual masoquista, consistia no abandono da confortável poltrona na qual o telespectador estava instalado, um percurso distante até o televisor, passando pela mesinha-de-centro (fatal para os dedos mindinhos do pé), culminando com uma precisão cirúrgica e paciência ímpar rotacionando, o falecido, “sintonizador de canais”. Graças a uma intervenção Divina, um gênio inventou o controle remoto.

Uma revolução! A invenção do controle remoto foi a conquista primordial para o sedentarismo completo. Não seria mais necessário todo o masoquismo supra-citado. Uma vitória! Os primeiros controles, claro, não tinham muitas funções, trocavam de canal e oscilavam o volume da TV. E quem disse que era preciso mais? A sensação de se ter um controle era maravilhosa, parecia bruxaria, era só apertar um botão e voilá!

O controle se tornou um símbolo da masculinidade. Macho que é Macho tem e sempre terá o controle em suas mãos, em todos os sentidos. E puseram diversos canais na TV, e diversos botões no controle. Entre eles, um botão chamado “Last” uma invenção e tanto, quando apertado volta imediatamente pro canal anteriormente visto. Ideal para homens casados, que alternavam entre um documentário sobre pinguins gentoo, e um ritual de acasalamento humano, desses bem explícitos, entre uma ida ou outra da esposa à cozinha. O paraíso!

Hoje em dia os controles têm diversas funções. Pausam a programação ao vivo, voltam, compram, fazem tudo. Existem os Universais, que controlam muitos equipamentos ao mesmo tempo, pra ligar a TV, o DVD, e desligar o som, só é preciso um controle. Falta fazerem um que faz a mulher ir pegar cerveja bem gelada no fundo do frezeer. Isto sim, ia ser de uma utilidade tamanha!
Este sim é um objeto que merece uma estátua, já salvou várias vidas e com certeza alguns casamentos. Se o cachorro é o melhor amigo do homem, e o wiskhy é o cachorro engarrafado, como dizia Vinicius. Este objeto é o cachorro eletro-eletrônico!

Texto originalmente publicado no blog do André, E Coisa & Tal.

andre