Não confio em quem bebe cerveja quente. Beber cerveja quente é aceitar qualquer coisa, é dizer sim pro que tem, não para o que você quer. E dizer sim pra isso, é mostrar a irresponsabilidade de não ter pensado nisso antes. De não pôr a cerveja pra gelar, ou ir a um bar que preste. Isso revela seu caráter. E por isso, eu não confio em quem bebe cerveja quente.

Claro que, por vezes, a cerveja quente será inevitável. Assim como qualquer derrota. Porém, como tal, deve apenas preceder grandes conquistas. Deve ser engolida com desgosto e o pensamento de que a luta pela cerveja gelada será incessante. Não pode ser mole. Tem que ser homem.

Planejamento e organização, é o que um homem precisa ter, seja para cumprir seu papel natural, seja para tomar uma gelada. Se em coisa simples, ele aceita o que vier, imaginem coisas maiores, aquilo que ele não tem o controle total. Apenas assentirá e fica por isso mesmo. Isso é ser fraco. É não dar conta do seu papel como homem.

E um homem de verdade – prestem atenção, mulheres! – tem que saber se impor. O cara que aceita cerveja quente numa boa, é o mesmo que vai te deixar na mão – literalmente – quando você mais precisar. Vai deixar a lâmpada queimada, o chuveiro frio e a TV chiando. E se a cerveja não estiver gelada? Ele toma, tanto faz, tá bom assim.

Admiráveis são os que vão atrás de isopor e gelo como quem procura uma salvação. E de fato é: A salvação da integridade dos bebedores e consagração da virilidade, brindada com boas e – perdoem o clichê – estupidamente geladas cervejas!

E nisso pode-se basear a vida. Há os que aceitam de tudo. E há aqueles, que podem até aceitar, mas têm a plena convicção de que aquele tropeço, o descuido e a falha, servirão de lição e motivo para sempre irem atrás do que realmente querem. Mesmo que tenham que ir a todos os bares da cidade.