nem-tudo-pode-ser-perfeito
Um grande filósofo disse uma vez: “Nem tudo pode ser perfeito, nem tudo pode ser bacana.” E a própria frase é uma ironia. São muitas as pessoas que desgostam do estilo, do jeito, das músicas de Benito di Paula. Eu gosto. E como um consolo, ou algo assim, ele nos diz, rebatendo todas as críticas sobre cafonice, breguice e defasagem, que, quer queiramos, quer não. As coisas nem sempre serão como nós desejamos.

Isso, para muitos, é mais intragável que cerveja quente. Não conseguem conceber como uma vontade sua não foi feita. A cada dia, mais pessoas se jogam na falsa ilusão de que vivemos arrodeados de espelhos que estão aí para refletir o que bem entendemos. Mas há muito querer a ser refletido. E pouca reflexão sobre o sentido das coisas não serem iguais no mundo. É muita frescura que há por aí, se é que me permitem dizer isso, já que pode ferir os sentimentos de alguns, e não podemos ferir os sentimentos de ninguém. Ah! Há aqueles que confundem sentimentos com ego, mas esses são só a maioria.

Entendam. É normal que discordâncias existam. Sempre alguém vai jogar na mesa a dúvida “Cristiano Ronaldo ou Messi?” e a discussão rolará solta, e mesmo nisso, em uma conversa entre amigos, haverá desavenças entre os sábios no quesito futebol, e os que admiram o Cristiano Ronaldo. Imagine com coisas maiores, discussões políticas, religiosas e ideológicas. A coisa toda fica insuportável e permanece a dúvida sobre a liberdade tão requerida e tão admirada, que nós mesmos tiramos uns dos outros.

Trocentos manuais são ditados pela sociedade. Uns contradizem os outros. E todos nos impedem de beber o que bem entendemos, e nesse caso não tem metáfora. “Aja dessa forma”; “Pense assim”; “Acredite nisso”; “Aquilo é proibido”. E aos poucos a sociedade começa a ter uma consciência unilateral, tolindo toda a pluralidade que temos como essência. É como chegar num bar, observar as estantes todas abarrotadas de garrafas de diversos tamanhos, cores, idades e sabores. Sentir o cheirinho de whisky, quase ouvir as pedras de gelo serem vagarosamente molhadas com o derramar poético da bebida no copo, e o barman só permitir que você beba água. Opa, eu não quis dar ideia.

Ainda no imaginário do bar. Há aqueles que gostam de água, e há os que preferem whisky. O que você ou o barman acham disso, não me interessa. A minha relação é com meu copo. E você deveria preocupar-se só com o seu. Pois, enquanto desvia o olhar para prestar atenção e palpitar no copo do outro, alguém pode estar cuspindo no seu. E se você não gostar. Desculpe. Mas “nem tudo pode ser perfeito, nem tudo pode ser bacana.”