Há aqueles que não bebem por medo da ressaca. E se formos parar para analisar a sua lógica, ela acaba sendo coerente. A ressaca nos presenteia com dores de cabeça, enjoos e outras sensações ruins. Querer evitar isso é algo normal, compreensível. Alguns evitam beber para alcançar esse fim. Isso sim é repreensível.

É o mesmo cara que não encara batalhas por medo de derrota. Insiste em se apegar a zona de conforto e fica ali, abraçado com a comodidade, dormindo com a mesmice. Um dia ele será obrigado a batalhar e perder pode trazer duas coisas, ou uma sensação de inutilidade ou experiência, ou ambas. Assim como a ressaca, você fica inutilizado no dia seguinte, mas conta algumas histórias, com as poucas memórias que sobraram, da noite anterior. E com o tempo, descobrem-se modos de evitar ou diminuir a ressaca. Preservando os bons momentos vividos no bar, e as boas mentiras de bêbado.

Beber é uma das batalhas da vida. E o álcool, como maior e verdadeiro inimigo do homem, deve ser enfrentado até que não reste dele nem mesmo a mísera gota no copo. Verás que amigo teu não foge a luta, nem teme a própria ressaca. E então percebemos que já somos derrotados, desde que nascemos, e estamos em busca da vitória. Não batalhar significa não viver. E é com esse pensamento que temos que entrar no bar do seu Zé, pedir uma gelada e uns petiscos de carne.

Isso se aplica há muitas desistências pela simples possibilidade de derrota. Como desistir de dar em cima da mulher que está no balcão, por achar que seria difícil demais. Você já tem o “não” e até mesmo um tapa na cara lhe renderia uma boa história, uma experiência.

E o homem será homem quando encarar a ressaca. Entender que ela existe e pronto. Tentar evitar, amenizar, é normal. Porém, não fazer o que gosta por medo de coisas ruins que a vida tanto tem, é covardia. E não falo só de bebidas.



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