mentindo

Um dia, em uma cidade qualquer, a muito tempo atrás, em frente a um dos primeiros espelhos inventados. Uma mulher que estava se vestindo, com todos os panos que havia direito e tudo mais, resolveu, por ventura, fazer uma coisa que nunca havia feito, virou-se para o marido, este já de cartola e fraque, pronto a mais de uma hora e perguntou-lhe: “Meu amor, você acha que eu possa estar acima do peso?”. Foi aí, neste singelo momento, que tudo começou.

Graças a isso, todo homem entende a importância de colocar bem as palavras e tomar cuidado com expressões faciais. Os que não sabem, um dia saberão, ou pelo amor ou pela dor. Graças a este homem, que Deus o tenha, hoje sabemos a complexidade de uma resposta dessas. Porque a mulher não aceita uma resposta simples, um isolado “não” nunca a convencerá de que não está gorda, é necessária uma dissertação, e muitas vezes, vários elogios.

É do feitio feminino nos cercar com perguntas desses tipos e não somente isso. As vezes, protagonizamos situações que a mulher espera uma certa reação, mas não dá nem pista do que seja, então, com muita calma, você vai tateando o solo, pra ver qual o melhor caminho pra sair, as minas estão espalhadas e só ela tem o mapa, um mapa bastante confuso, que nem ela sabe ler.

Então, a capacidade de reconhecer uma situação dessas e livrar-se dela nos foi dada. Como por instinto e um presente de Deus pela costela faltante. Pela infelicidade do nosso desavisado amigo de fraque, só ganhamos isso com a evolução e o pobrezinho ficou com fome aquela noite, porque a esposa se recusou a sair pra jantar depois do: “Está sim, eu ia até lhe avisar” e não tinha comida em casa. Devemos ser gratos a homens como este que aprenderam antes de nós e nos repassaram, como uma irmandade. E hoje conseguimos escapar de qualquer: “tô gorda?”; “ela é maior que eu?”; “quem é mais bonita?”; “ficou bom meu cabelo?”. Se você ainda não sabe como sair ileso de algumas dessas perguntas, pergunte ao homem mais próximo, ele irá te ajudar.