Estudos de uma Universidade francesa concluíram que a maioria das pessoas não se importam com a veracidade e procedência de informações que atendam, ou, contemplem suas necessidades, desde que as mesmas pareçam vir de fontes confiáveis, como uma Universidade francesa.

O pensamento é rápido, simples e preguiçoso. Por que eu estudarei e me aprofundarei em um assunto e tentarei tecer uma teia de raciocínio para provar ou chegar no meu ponto, se alguma “autoridade” já deu seu parecer? Técnica antiga usada na Publicidade, o fato de usar autoridades economiza em tempo, palavras e argumentos. Afinal, com tantos milhões no bolso o Neymar usa a famosa cueca que aparece em campo, quem sou eu para dizer que não é uma marca boa? O que as pessoas não param pra pensar é que: se 9 entre 10 dentistas recomendam tal creme dental, talvez aquele que sobrou não tenha sido procurado para receber o cachê da empresa.

Mas isso é outra história. O problema real é que informações importantes para a sociedade foram deturpadas por aí, a torto e a direito, utilizando-se de Instituições e veículos consagrados, para que a informação ganhasse um “que” de verdadeira. Pesquisas, estudos e teses que nunca foram mencionadas, são confirmadas e celebradas por cientistas e especialistas que ninguém sabe o nome, mas sabem que aquilo os agrada e por que não compartilhar?

Ou seja, vivemos na cultura do “Eu disse” ou “Eu já sabia” onde as pessoas, quando se deparam com “estudos” e “pesquisas” que ratificam teses que elas defendiam, passam adiante duas vezes antes de pensar. Não precisa ter link, não precisa ter o nome do pesquisador responsável, basta dizer aquilo que ela queria ler. “É a era da informação!”; “Temos tudo na ponta dos dedos!”. Realmente, temos muita coisa disponível, mas apenas o discernimento será capaz de separar o que é útil das milhões de teorias conspiratórias, estudos sem pé e nem cabeça, e a plena certeza de que tudo é um plano da Globo para que nós sejamos manipulados.

Talvez aquele estudo nunca tenha sido realizado. É bem provável que aquela pesquisa que você compartilhou semana passada, não tenha passado de uma piada. Não acomode-se de ter todas as “respostas” na mão através do Google. Até porque, antes de apertar o botão “Buscar”, você precisa saber o que vai perguntar, e isso ninguém te dará de graça. Somente a sua experiência de vida fará com que você se faça as devidas perguntas para buscar as suas respostas, tirando isso, é só informação inútil e inventada por alguém que quis provar algo através de um suposto estudo de uma Universidade francesa.

Texto originalmente publicado no blog do André, E Coisa & Tal.