poker
Um tempo atrás falamos um pouco sobre a matemática do poker e como descobrir se a sua jogada é ou não lucrativa. Para complementar aquela lição, temos uma tão ou mais importante quanto: a hora em que definimos com quais mãos nossos adversários podem estar jogando. Afinal de contas, se podemos calcular se nossa jogada foi certa ou errada quando sabemos que mãos enfrentamos, como saberemos na hora do jogo se vale ou não a pena pagar?

Antes, eu já deixo aqui um alerta: será quase impossível acertar com precisão as mãos de seus adversários, por diversos fatores. Mas procurar fazer isso pode te ensinar a “farejar” melhor, dependendo das ações tomadas por eles, e colocá-los em pelo menos uma range de mãos bem específica. Ao restringir esse leque, você poderá tomar atitudes com um pouco mais de segurança. E quando você fizer isso sempre (dica: você realmente nunca fará isso sempre, passem os anos que forem tentando) você terá a certeza de que pode vencer todas as mãos que disputar, seja perdendo menos fichas ou ganhando mais. É tão impossível quanto desejável. Um sonho, daqueles bons. Algo que jogadores como Daniel Negreanu e Phil Ivey são especialistas e por isso são o que são e estão onde estão. E se eles chegaram lá, nós podemos passá-los.

Para facilitar um pouco esse trabalho, o certo é colocar seu adversário num leque específico de mãos. Você já deve ter ouvido (ou até mesmo dito) que “ele tinha AK, eu sei que tinha” e acabou ficando sem saber de verdade se era isso mesmo. E se ele tivesse AJ, AQ ou KK? Em alguns casos, essas mãos todas venceriam a sua e você precisa encarar que elas estão dentro do leque de mãos do seu adversário jogaria naquele determinado momento. Essa intuição baseada em ações (valores das apostas, tempo de resposta, reações) vai ser fundamental, inclusive na hora que você optar por aplicar um blefe ou um semi-blefe, assim que mais uma carta que completará o board vier e te ajudar.

Vamos a um exemplo: Um jogador nas primeira posições faz um raise. Você está na posição antes do botão portando KK. Pelo que você conhece sobre poker e sobre os jogadores da sua mesa acredita que ele está com um par maior do que de 10 (TT/JJ/QQ/KK/AA) além de AQ/AK/AJ/KQ. Você resolve dar apenas call e o flop vem A83. Você faz uma aposta e o seu adversário aumenta ainda mais a aposta. O que você faz?

Pois é, amigos. é nessa hora que temos que colocar os dois pés no chão, pensarmos com calma se ele realmente está dentro desse range que o colocamos e se, dentro dele, ele realmente possui o A. Ele pode ter o 88, o 33 ou o 83 que não consideramos e isso seria uma fatalidade. Mas ele pode ter um QQ ou um JJ ou TT e está tentando saber se você não está tentando blefá-lo ou afastá-lo da mão. Consegue enxergar o mar de possibilidades com um exemplo tão simplório?

Lembre-se de algo importante: estamos falando nesse momento apenas sobre as mãos, desconsiderando outros fatores. Vários motivos podem ser aceitáveis caso você dê o call, como a quantidade dos stacks, o fator “bolha”, sua vontade de testar a sorte talvez… mas se temos para nós que o nosso adversário está com aquelas mãos, devido as informações que você colheu, não tem porque dar o call aqui. Tudo vai da certeza que você tem ou não sobre as cartas que ele tem em mãos.

Dito tudo isso, é hora de estudar um pouco. Observe alguns torneios, online ou ao vivo. Veja disputas na TV ou no Youtube. Lembre de algumas mãos clássicas do poker e procure ter a empatia sobre o jogador que precisou dar o call ou acabou fugindo. E depois comece a atribuir ranges específicas aos seus adversários, baseado em tudo o que você ver e o que ele te disser com ações. A medida que melhoramos esse lado no jogo estamos cada vez mais próximos de vencer mais vezes.

Nos vemos semana que vem!