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O poker tem algumas armadilhas, as vezes. Não é sempre que estamos com a frieza necessária de deixar um adversário levar poucas fichas do pote para ficarmos vivos e tentarmos numa próxima oportunidade. Porém, esse é um dos fundamentos mais importantes para ser um vencedor no nosso esporte da mente. E hoje eu vou tentar ensinar vocês a soltarem mãos boas que podem estar batidas quando chegarmos no river. E vocês vão me agradecer por isso.

Quando aprendemos poker, somos instruídos a jogar somente com mãos premium. Grandes partes, AJo+ e eventualmente TKs+ são mãos que sabemos que estamos com boas chances de estar na frente. Mas especialmente quando jogamos com grandes pares temos a tendência de não largá-los após o flop, turn ou talvez até no river. O que quero propor aqui é algo que pode mudar um pouco sua forma de jogar o poker e se sentir mais confiante para deixar uma mão se sentir que pode estar perdendo.

Jogadores mais experientes ou mais confiantes possuem uma tendência em comum: eles entram em mãos com uma range maior de cartas. 78 do mesmo naipe é uma mão que pode disputar bem contra um AK, por exemplo, num flop baixo. O par de KK pode tomar uma virada horrível quando o TJ acertar o flop TJx. Nesse último exemplo, são tantos os combos possíveis que fica complicado apostar e ir contra o adversário, concordam? São possibilidades maiores do que aquelas que estamos habituados, mas são possibilidades reais ainda assim. E é por isso que temos que prestar atenção extrema aos outros fatores, como tamanho da aposta, velocidade de resposta e creditar um determinado range ao nosso adversário.

Você só vai ser feliz realmente no poker quando tiver um AA na mão e conseguir largar antes de chegar ao final da mão. E isso não é estranho, porque portar AA antes do flop não te garante a vitória naquela mão. Uma parcela das mãos você será batido e um dos segredos é conseguir largar essa mão para viver e continuar na disputa, procurando uma possibilidade melhor.

Eu demorei para conseguir largar um AA. Por sinal, eu larguei um AA antes de largar um KK pela primeira vez na vida. Mas foi a partir desse momento que eu consegui ter um pouco mais de confiança no meu jogo, um pouco mais de entendimento do poker e de suas possibilidades e foi, definitivamente, a partir daí que eu parei de chorar pelas maravilhosas possibilidades que levaram meu adversário a vitória e passei a tentar explorar isso de forma mais efetiva. E eu lembro, por exemplo, qual foi a última vez que quebrei um par de AA, já que foi na última quinta-feira. Acontece, é do jogo, use a seu favor.

Não pense que sua mão é imbatível, se você não estiver com o nuts. E se houver a menor possibilidade de ser batido, analise se você realmente está ou estão blefando você. É melhor correr e viver do que não conseguir largar e perder suas últimas fichas, você vai sentir isso também. E nos vemos semana que vem!

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