xtreme-race-capa

Você consegue me imaginar tentando sair de uma caçamba cheia de gelo ou me arrastando por baixo de arames farpados? Pois é. Fui para Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, cobrir a XtremeRace para o Testosterona Sports e acabei aceitando o desafio. Foram 19 obstáculos distribuídos em 8km, com cordas, arame farpado, travessia suspensa, caçambas de gelo, pneus, fogo e ainda uma rampa de 3,3 metros – além de muita lama e barro (você pode ler meu relato aqui).

E quem diz que corrida de obstáculos é“coisa pra macho” não faz ideia do que a mulherada anda fazendo por aí. Não pude deixar de notar a quantidade de mulher “normal” que tinha lá na largada, levando em conta ser uma modalidade que exige muita força, principalmente nos membros superiores: 40% dos atletas que correram a primeira etapa eram do “sexo frágil”, como gostam de chamar. E quando pensamos em mulheres fortes, logo vem à cabeça a imagem de musculosas, à laGracyanne Barbosa. Mas, na verdade, não é bem isso. Eu, que não sou nenhuma marombeira, completei a prova sem problemas. Obviamente não ganhei troféu, nem me igualei aos tempos recordes, mas completei (sem roubar, juro).

xtreme-race01Eu não estava preparada para aquela prova, nunca tinha feito nada parecido também, e imagino que as outras competidoras (essas, sim, devem ter treinado para aquilo) tenham feito tudo com muito mais facilidade que eu. Mas, o ponto é: quem pode correr uma corrida de obstáculos? Qualquer pessoa que queira. Até eu e você.

Quem cuida do meu treino é o personalRichard Curti, que concorreu ao posto de Garoto Fitness 2014 e faz parte da equipe de corrida e crossfit Extreme Force, da Academia Combat. Encontrei com ele minutos antes da minha largada (ele tinha acabado de passar a linha de chegada) e pedi algumas orientações. Ele disse, todo sujo de lama: “Tá tranquilo, vai na manha”.

A intenção do percurso da XtremeRace era justamente que qualquer pessoa com o mínimo preparo fosse capaz de completá-lo. “Nosso objetivo é desenvolver um evento que possa ser concluído pela grande maioria dos participantes. Os desafios mais difíceis estarão presentes, assim como a necessidade de superação individual, mas de uma forma bastante democrática”, explica Maurício Fragata, um dos organizadores da Xtreme Race.

Richard conta que o treino para homens e mulheres que querem competir não muda, já que o objetivo é o mesmo.  “Na prova todos vão passar por todas as dificuldades dos obstáculos. Os treinos têm base na distância final, porém, existem circuitos que farão a diferença na prova, barras, cordas, saltos em plataformas são algumas das diversidades a serem aperfeiçoadas”, explica.

O tempo de preparação, segundo Richard, depende do seu objetivo: “Para pessoas que querem apenas concluir a prova, o ideal é serem ativas, quem tiver o mínimo de preparo físico consegue concluir a prova. Para quem busca superar limites e metas pessoais, o ideal é estar sempre preparada, treinamento específico ou direcionado, precisam de uma periodização mínima de três meses”.

xtreme-race03Um exemplo: a empresária Elaine Cristina tem 41 anos, pratica crossfit há 8 meses e já consegue levantar um pneu de 90 quilos! Mas se defende: “No meu caso não pego muito peso porque não quero ficar com as costas e braços muito fortes, só quero definição dos músculos mesmo”, conta.

As modalidades que mais completas e eficazes nesse tipo de corrida são justamente o crossfit ou treinamento funcional – apesar da base do treino ainda ser a boa e velha corrida. E a musculação? “A musculação ajuda, mas não prepara para as adversidades do percurso. Nesse caso, vale pedir para seu personal direcionar o treino para resistência e força, sempre mesclando”, esclarece Richard.

A atleta Milena Camboias, que levou o segundo lugar na classificação geral feminina (43m56s), faz parte da equipe de crossfitdo Richard. Bom, sendo assim, posso acreditar que logo estarei perto do tempo dessa mulherada “mais macho que muito homem”. E depois de ter concluído essa prova nas minhas condições, faz muito mais sentido uma coisa que meu pai sempre me dizia e eu relutava em acreditar: “Não é questão de força; é questão de jeito”.

Fotos: Equipe J.Mantovani