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Li uma reportagem sobre o porquê dos homens nunca lembrarem de nada e fiquei pensando que é bem por aí mesmo – nos relacionamentos, principalmente, os homens são os que nunca lembram de nada. É claro que não é uma regra. Mas também, eu não julgo. Acho que eles têm um tipo de memória seletiva. Porque, quando querem, lembram de quem fez o gol naquele jogo de mil novecentos e sabe quando, que campeonato era, quem era o juiz que estava apitando, público pagante e tudo o mais.

Será que as mulheres têm a memória melhor que a dos homens?

O que a reportagem explica é que, sim, existem diferenças entre os cérebros masculinos e femininos e isso tem sido mostrado em vários estudos (você pode ler a reportagem original e completa aqui). Também é sabido que os homens têm melhor habilidade espacial, enquanto as mulheres são mais desenvolvidas em áreas de linguagens e idiomas. Mas, no caso da memória, as diferenças neurobiológicas ainda não são tão claras.

O professor pesquisador Javier de Felipe, do Cajal Laboratório de Circuitos Corticais, da Universidade Politécnica de Madrid, reconhece as diferenças biológicas, mas no campo das memórias, enfatiza a educação: “Embora as coisas estejam mudando, a educação não é, geralmente, igual em ambos os sexos desde a infância e isso conduz a diferenças comportamentais e psicológicas”, explicou.

Resumindo: se você for ensinado, desde pequeno, a ter atenção aos detalhes, se esforçar para registrar coisas e forçar o cérebro a fazer outras “ligações”, como interagir com o meio ambiente, com a família, ler e escrever, ele vai estar, digamos, mais preparado para memorizar as coisas.

O psicólogo Sergio Garcia Soriano também argumenta que o fato de as mulheres se lembrarem de mais coisas que os homens é, principalmente, um resultado de treinamento. Se o namorado esquece alguma data, por exemplo, pode ser que essa data não ocupe um lugar importante na memória dele – embora não signifique falta de interesse, pode sugerir que algo mudou na relação.

A culpa é da educação sexista, segundo o psicólogo.

E é verdade, pode reparar. Todo mundo acha engraçadinho quando o menino esquece das coisas, chamam de “desligado” e etc, e não forçam para que ele treine essa memória. Sei bem disso porque tenho um irmão mais novo e nunca – nunca – foi cobrado dele que prestasse atenção em nada. “Mãe, onde tá [tal coisa]?” é a frase que ele mais diz até hoje, com 20 anos. Esquece datas, horários e compromissos porque sempre teve a minha mãe para lembrá-lo de tudo. Aí comecei a pensar que talvez um pouco da culpa seja disso mesmo.

“Os homens têm um sistema de atenção unívoca, ou seja, se concentram em uma coisa e, em seguida, vão se concentrar em outra. Em contrapartida, as mulheres têm uma memória mais circular, mais emocional e lembram o que aconteceu e em que contexto”, explica o psicólogo. Por mais que a ciência tente justificar as diferenças com argumentos biológicos, a educação sempre aparece como a última explicação sobre as diferenças entre os sexos.

Então, se as mulheres reclamam tanto que os homens se esquecem das coisas, já podem passar metade da culpa para a sogra. A outra metade, bem, cada um com seus problemas.