A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de oito milhões de pessoas sofrem com a infertilidade no Brasil e mais de 50 milhões em todo o mundo. Segundo a entidade, é considerado infértil um casal que mantém relações sexuais sem métodos contraceptivos durante 12 meses sem engravidar.

infertilidade

Apesar de boa parte da população ser infértil, muitos fatos ainda são desconhecidos e Pedro Monteleone, especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e coordenador técnico do Centro de Reprodução Humana do Departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas, tirou algumas dúvidas falando se as informações são mitos ou verdades, dá uma olhada:

A idade aumenta a infertilidade em mulheres

Verdade. A fertilidade feminina tem uma relação direta com a idade. A mulher nasce com as células precursoras dos seus óvulos já formadas no ovário. A cada mês, essas células são disponibilizadas durante a ovulação. Alguns folículos são selecionados e, apenas um se desenvolve e o óvulo conclui sua maturação. Os outros são descartados (na menstruação). Com o passar dos anos, aumenta a incidência de erros nesse processo, o que ocasiona a formação de embriões menos aptos para a fecundação, resultando na queda das taxas de gravidez.

A mulher é mais infértil que o homem

Mito. A fertilidade do homem e da mulher têm fisiologias diferentes e, portanto, mecanismos patológicos diversos. Em geral, a probabilidade de mulheres e homens serem portadores de infertilidade é homogênea. A proporção de casais inférteis por fatores femininos ou masculinos é semelhante, inclusive com fatores associados mistos, ou seja, quando ambos apresentam problemas. Também há um número significativos de casos sem fator algum encontrado na investigação básica. A grande diferença é que a idade tem uma contribuição mais relevante no prejuízo da fertilidade da mulher.

O uso de medicamentos pode melhorar a fertilidade

Verdade. Na presença de situações que contribuam para a infertilidade, o uso de terapias medicamentosas pode contribuir para melhora da função reprodutiva. Por exemplo, em mulheres com dificuldades ovulatórias devido a Síndrome dos Ovários Policísticos, as drogas indutoras da ovulação podem corrigir o problema, favorecendo a concepção.

Estresse causa infertilidade

Mito. É muito frequente a presença de estresse no casal com dificuldades de engravidar. Contudo, este estresse é uma consequência do problema, não a causa. Diversos tratamentos são realizados para resolução da infertilidade, em todos eles, o estresse não participa na avaliação prognóstica da chance de sucesso de tratamento. Portanto, o estresse não causa nem contribui para a dificuldade de se alcançar a gravidez.

Não há prevenção para a infertilidade

Mito. Mulheres que engravidam antes dos 35 anos, em geral, têm menos dificuldade em alcançar a maternidade do que após esta idade, tanto pelo possível acúmulo de exposição a situações que potencialmente causam infertilidade, mas também pela própria queda da qualidade ovular com o avançar da idade.

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O que é muito importante, principalmente para as mulheres, é manter em dia a rotina ginecológica, dieta balanceada e atividade física regular. Doenças como Síndrome dos Ovários Policísticos e Endometriose, por exemplo, podem ser controladas desde o diagnóstico, diminuindo assim a probabilidade da necessidade de técnicas de Reprodução Assistida para engravidar.

A obesidade atrapalha a fertilidade

Verdade. A obesidade pode atrapalhar a fertilidade, uma vez que a gordura corporal pode ser uma fonte de descontrole hormonal, levando a alteração do ciclo, muitas vezes até com interrupção da ovulação. Além disso, as mulheres com sobrepeso têm risco maior de desenvolver diabetes e pressão alta durante a gravidez.

Usar anticoncepcional causa infertilidade

Mito. O uso de anticoncepcionais orais não causa infertilidade. As pílulas têm como função bloquear os ovários, impedindo a ovulação. Entretanto, quando a mulher para de tomar, essa função é reestabelecida. O que acontece é que os ovários podem demorar até quatro meses para retornarem sua função normal. Isso varia de acordo com a fisiologia de cada mulher.

O diabetes afeta a infertilidade

Verdade. A Diabetes descompensada pode afetar a função ovulatória por uma série de mecanismos. Um deles é a insensibilidade periférica à insulina. Toda essa patologia pode afetar a função da tireoide, bem como dos ovários, levando a ciclos anovulatórios, quando não há liberação de óvulos.

Endometriose dificulta a gravidez

Verdade. Endometriose é uma doença inflamatória sistêmica que pode afetar a qualidade dos óvulos e do endométrio, o que pode dificultar a gestação espontânea. Porém, as taxas de sucesso aumentam quando a mulher que possui a doença é submetida a Fertilização in Vitro (FIV).

O diagnóstico precoce da infertilidade aumenta as chances de gravidez

Verdade. O principal fator de infertilidade se relaciona com a idade da mulher. Mulheres mais jovens têm, a princípio, qualidade ovular melhor. Quanto mais cedo investigamos e sabemos a causa da infertilidade do casal, mais rápido podemos tomar a conduta terapêutica, melhorando as chances de gestação.



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