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Coronavírus: Jeitos de lidar com a ansiedade e depressão

O mundo enfrenta uma luta diária contra o Coronavírus. As medidas tomadas para evitar o avanço da doença, como o isolamento social, acaba por gerar outras doenças como a depressão e ansiedade em algumas pessoas. São tantas notícias ruins que impactam o medo de um futuro incerto. Como lidar com isso?

A BBC Brasil entrevistou psicólogos e psiquiatras que recomendarem medidas plausíveis para enfrentar esse momento caótico. Coisas que podem ajudar a evitar a ansiedade e depressão. Fique tranquilo, estamos todos juntos.

Contato Digital em tempos de Coronavírus

Éramos congestionados com o poder das redes sociais. As pessoas ficaram tão líquidas que esqueceram de como é viver no mundo real. Entretanto, parece que agora, mais do que nunca, temos que manter esse poder digital para o bem segundo Nelson Fragoso, professor de psicologia,  da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

O ideal é fazer conversas em vídeo para ver as reações da outra pessoa e ter um contato mais humano do que uma simples ligação de voz. Isso também diminui a sensação de distanciamento“, afirmou

Se possível, participar de grupos de Whatsapp entre amigos, colegas de trabalho e família, mas é claro, devemos compartilhar conversas positivas e informações que farão bem ao outro, nada melhor do que voltar a se aproximar.

Partilhar uma conversa rotineira sobre o dia a dia, encontrar razões para se manter no caminho e trocar atividades em grupo, agora a distância. Como todos assistir algum filme juntos.

“O principal a se fazer nesse momento é se manter ocupado e calmo. Seja com exercícios físicos, leitura ou qualquer outra atividade. Esse é um fenômeno novo. As pandemias têm um perfil de guerra sem ter uma bomba e contra um inimigo invisível. Isso deixa as pessoas permanentemente inseguras”, afirmou.

Um dia de cada vez

Nessa necessidade de possuir muito mais tempo que antes, as pessoas tendem a viverem ao extremo, agora que estão casa, querem fazer tudo para ontem. Superlotam de atividades. Calma lá. Precisamos fazer tudo com calma.

É importante não fazer tudo num dia, como lavar toda a roupa ou limpar a casa inteira. Serão pelo menos 30 dias isolados, então o ideal é fazer tudo com calma e dividir as atividades entre toda a família. Se o filho lava a garagem, o pai cuida do banheiro, e assim por diante“, afirmou o professor Nelson Fragoso.

Como passamos o tempo em casa, perdemos a noção dele, exclusivamente de qual dia estamos. Por isso é bom criar uma rotina, o professor ainda ressalta que praticar exercícios de respiração é fundamental, a própria meditação e o yoga são boas companheiras nessa fase. A intenção é se manter calma e relaxado e não se influenciar por tantas notícias. 

O medo do outros pelo Coronavírus

Uma preocupação relevante apontada pelo psiquiatra Claudio Martins é o medo das pessoas de contrair o vírus possa desenvolver o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) agora e no futuro. 

A pessoa pode manifestar esse transtorno pelo vício de passar álcool gel nas mãos, além de desenvolver uma fobia social. Principalmente aquelas pessoas que já têm dificuldade de interação acabam ampliando seus medos, mesmo após o fim do isolamento. Para piorar, outras ainda são contaminadas pelo pânico externado pelo outro e passam a reagir da mesma maneira“, afirmou o psiquiatra.

A pessoa também pode acreditar que qualquer sintoma possa vir a ter seja o próprio vírus. Aquilo começa martelar em sua cabeça. O psiquiatra explica que o contágio do pânico gera efeitos sociais nada agradáveis, como o desespero em estocar alimentos com medo de faltar algo no futuro. 

O pânica ocasiona em uma mobilidade da sociedade de maneira totalmente errada. Fatores psicológicos como síndrome do pânico e a ansiedade leva a uma exploração podem consumir o indivíduo. 

Um exemplo desses é a pessoa que está calma em casa, mas sabe que o vizinho estocou comida para três meses. Ela, sem necessidade, vai querer fazer o mesmo para se sentir segura e isso pode desencadear uma cadeia de comportamento e gerar um desabastecimento real“, afirmou o especialista.

Os próprios especialistas afirmam que a melhor forma de evitar e combater o pânico é se informar de fontes confiáveis de notícias, claro que, com uma mensurar para não absolver somente fatos ruins.

Usar a criatividade para fugir da rotina

Segundo o professor Nelson Fragoso, mesmo sem seguir as recomendações anteriores, a pessoa consegue lidar com isolamento por duas semanas. A partir da terceira e quinta semana, o tédio começa a reinar e é necessário uma inovação, fugir do padrão.

É importante, por exemplo, fazer novas receitas no almoço. Fazer exercícios diferentes em casa. Procurar novos canais no YouTube e tentar quebrar a rotina ao máximo. Parar uma série no meio e começar outra, interromper o livro no meio e começar outro. Desobedecer a ordem natural das coisas e tentar sermos pessoas diferentes é essencial“, afirmou

Mesmo que esse período recluso possa parecer uma prisão, temos que encontrar boas razões para se manter focados, separamos até uma lista de aplicativos que podem lhe ajudar nessa fase. O professor de psicologia da Mackenzie ressalta que é um momento de autodefesa e especialmente de praticar a solidariedade, antes esquecida.

É importante ser criativo, se adaptar a essa nova rotina e não lamentar. Também é hora ser ser solidário. Ajudar o próximo com o que puder. Seja uma aula, fazer uma companhia virtual ou produzir algo que possa doar. Temos esse espírito em grandes tragédias e acho que agora não deve ser diferente.” ressalta Nelson Fragoso.

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