Home Saúde Dia Nacional de Combate à Sífilis; jovens são maioria no aumento de casos

Dia Nacional de Combate à Sífilis; jovens são maioria no aumento de casos

Há quase um ano, escrevemos uma matéria bastante informativa sobre uma epidemia de Sífilis que estava causando problemas aqui no Brasil. Uma doença “obsoleta” para o senso comum nos dias de hoje, quando a sua prevenção é feita pelo simples uso de camisinha – em todas as relações sexuais (vaginal, anal ou oral).

A transmissão sífilis ainda se mantém em taxas elevadas, apesar de ser bem conhecida, estudada, com triagem sorológica disponível e de baixo custo.

Por isso, instituíram o dia 21 de Outubro, como o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita. A proposta surgiu com o grupo do Setor de DST da Universidade Federal Fluminense e da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST).

Números absurdos

Para se ter uma noção, em 2015, o número de indivíduos notificados com sífilis adquirida foi de 65.878, além de 33.365 gestantes com a doença no mesmo período no país.

Os casos de sífilis congênita, transmitidas de mãe para filho, chegaram a 19.228, dos quais 687 resultaram em abortos e 661 em natimortos, sem contar os 221 óbitos pós-nascimento, um total que ultrapassa inclusive o número de mortes provocadas pelo zika vírus.  

Dados completos sobre a incidência da sífilis no Brasil computados pelo governo federal podem ser encontrados no link http://indicadoressifilis.aids.gov.br/.

Quem mais contraiu a doença?

A sífilis adquirida vem crescendo em todas as faixas etárias no Brasil. De 2010 a 2015, os casos notificados subiram de 1.249 para 65.878, ou seja, 52 vezes. Os maiores aumentos ocorreram entre os jovens de 13 a 19 anos (61 vezes), seguido de pessoas entre 20 e 29 anos (59 vezes) e acima de 50 anos (55 vezes).

Mulheres

“As mulheres se encontram em situação de maior vulnerabilidade para aquisição das ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) em geral e da sífilis em particular, principalmente pela dificuldade de negociação para o uso de preservativo em razão da desigualdade de gênero”, reflete o Dr°Valdir Monteiro Pinto.

Homens

“Por outro lado, os homens, apesar de mais vulneráveis às doenças crônicas e de morrerem mais precocemente, não buscam os serviços de saúde de atenção básica, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno das ISTs, incluindo a sífilis”, completa o Dr°Valdir Monteiro Pinto.

Problemas na gravidez

“Mulheres que engravidam com a infecção, sem diagnóstico nem tratamento devido, transmitem a bactéria através da placenta para o feto, causando abortamento ou infecção no recém-nascido, que deverá apresentar várias sequelas graves como deformações dentárias, nos ossos, surdez, perda da visão, deficiência mental e até morte”, adverte Paulo Giraldo, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP).

“A gestante deve fazer o pré-natal para que haja o diagnóstico e o tratamento correto, durante a gravidez, impedindo a transmissão do treponema para o seu bebê”, aponta Claudio Barsanti, presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Na gravidez é mandatório o exame de sangue para diagnóstico e tratamento precoce e a parceria sexual deve ser investigada.

Para onde correr?

Se você não está na dúvida sobre seu estado, saiba que os postos de saúde oferecem testes rápidos para diagnosticar a doença. O tratamento da doença é feito gratuitamente por meio do serviço público, entretanto, a penicilina, medicamento utilizado para administrar o tratamento,tem problemas de abastecimento.

Sabemos que a camisinha, às vezes, deixa sua experiência um pouco menos prazerosa, mas na dúvida é melhor não contrair uma sífilis ou outra DST, quando pode se prevenir.

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