A tão aguardada (e disputada) exposição O Mundo de Tim Burton está em São Paulo, no Museu da Imagem e Som, para a felicidade dos fãs do cineasta e curiosos do mundo da sétima arte. A exibição estreou dia 4 de fevereiro e fica até 15 de maio, com mais de 500 itens que fazem uma retrospectiva da carreira do diretor, entre desenhos, fotos, bonecos usados nos filmes, esboços de roteiros e rascunhos.

E se você não é tão fã de Tim Burton mas ficou curioso para saber por que falam tanto desse cara e dessa exposição, fique sabendo que a genialidade dele vai muito além dos mais de vinte filmes que dirigiu. Além de se revelar um artista que incentiva todo tipo de arte. Em coletiva à imprensa, Burton disse que “a exposição pode inspirar as pessoas a criarem e, mesmo que você não seja artista, fazer arte é importante”.

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Pela primeira vez na América Latina, a exposição é dividida por “sentimentos”, que são elementos presentes e essenciais na obra do diretor.  Já imaginou como foi a criação de Edward Mãos de Tesoura (1990)? Tem alguns rascunhos lá. E aqueles Umpa Lumpas de A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005)? Tem os bonecos que foram usados nas filmagens. Desenhos, storyboards, esboços, cartas, anotações, fotos, vídeos, filmes… E, dentre tudo isso, separamos 8 detalhes que mostram o diretor além dos conhecidos filmes, provam que sua arte está muito mais presente do que você imaginava e que é muito mais natural e espontânea do que você está acostumado a ver.

1 – Tim Burton desenhava em QUALQUER lugar

E principalmente em “lugares quaisquer”. Inclusive, há uma parede com um painel enorme de desenhos feitos em guardanapos de papel, alguns estampados pelo bar ou restaurante em que estava. Outra com folhas de seu caderno de esboços e rascunhos. E mesmo muitos dos desenhos estavam em papeis amassados e sequer tinham título. Você percebe que raras vezes eram com materiais profissionais e não importa, a qualidade era incontestável de qualquer forma.

2 – Tem um senso de humor ótimo para autorretratos

Um dos papeizinhos tinha Tim em meio a guardas chineses e o retrato que ele fez dele mesmo no papel é a prova de que ele tem perfeita noção da ideia que as pessoas fazem dele – e não se importa nem um pouco.

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3 – E tem um lado criança muito presente dentro dele

Tanto é que tem um ESCORREGADOR dentro da exposição! Ele mesmo disse que nunca tinha visto algo parecido em uma exposição e que agora quer em todas! O escorregador é logo no começo da mostra, para ir da área “Humor e Terror” para “Felicidade”. Descendo por ele e chagando a um colchão, você encontra uma réplica de um boneco de ar de seis metros do “Menino-Balão”, que movimenta os olhos em direção à pessoa que acena para ele. Nessa parte, estava tudo do trabalho de Burton que faz referência ao conflito entre a infância e a vida adulta.

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4 – Retrata sentimentos humanos em desenhos como ninguém nunca fez

O desenho acima, “Garota ouvindo um homem com mau hálito” é um dos expostos que, com o jeito Tim Burton de ser, retrata com perfeição sentimentos cotidianos das pessoas de modo que você é capaz até de “ouvir” os desenhos emitindo sons. Na série “Criatura”, faz críticas à sociedade e retrata sentimentos modernos como esquizofrenia e complexo de perseguição de uma perspectiva nunca antes vista.

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5 – Ainda fazia poesia, fotografava e pintava

Alguns desenhos vinham acompanhados de poesias e, não que precisasse de texto, davam muito mais emoções e sensações com sua percepção sempre bem humorada das coisas. Em contrapartida, as Polaroides são perturbadoras e assustadoras, muito provavelmente porque tratam-se de elementos mais próximos do real do que seus desenhos – em sua maioria, são de bonecos usados em seus sets de filmagens. As pinturas estavam mais “escondidas” e podiam passar desapercebidas pelos menos atentos. Ao final da exposição, tinha uma parede com buraquinhos estratégicos nos desenhos, por onde era possível ver mais desenhos e pinturas de Tim Burton.

6 – Dirigiu clipes de músicas

Eu tenho uma relação de amor e ódio com o clipe de “Here With Me”, The Killers, justamente pela mistura de sentimentos que ele causa, a reflexão e aquela angústia que consegue provocar em cinco minutos. Tamanho foi o meu choque quando cheguei na parte “Encantamento” da exposição e a música estava tocando. Para assistir ao making of do clipe, dirigido por Tim em 2012, era preciso segurar uma placa de vidro e mirá-la na televisão, que ficava o tempo todo branca, para que as imagens aparecessem (A técnica utilizada isso é simples: a película da TV é retirada e colocada na placa de vidro, que passa a mostrar as imagens que estavam antes fixadas na televisão). O vídeo exibido lá está aqui em baixo. Tim Burton ainda dirigiu outro videoclipe da banda, “Bones”, em 2006.

7 – Já ouviu alguns “não” na carreira e lutou para chegar onde está

Uma das partes mais emocionantes é o painel em que estão os desenhos de “O Gigante Zlig” que ele enviou à The Walt Disney Company em 1976 com uma carta escrita à mão pedindo que considerassem a publicação da obra. Junto está uma carta de resposta de T. Janette Kroger, editora à época elogiando o trabalho, desejando sucesso, mas negando o pedido de Tim. Só em 1979 ele conseguiu um emprego como estagiário de na animação na Walt Disney Studios, onde trabalhou no desenho “O Cão e a Raposa” e, em seguida, fez seus três primeiros curtas metragens, um deles, “Frankenweenie”, envolvia um cachorro morto num atropelamento sendo ressuscitado de forma análoga ao Frankenstein, que foi considerada sombria demais pela Disney, e foi esse o motivo que levou à demissão de Burton. E, vejam vocês, acabou se tornando o principal traço pelo qual é reconhecido mundialmente.

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8 – Tentou várias vezes antes de acertar

E se você acha que foi tudo feito perfeitamente de primeira, enganou-se. Estão expostos seis esboços diferentes de Edward Mãos de Tesoura, que foram feitos até chegar à versão final. E não só esse, mas vários outros rascunhos podem ser apreciados, como os de Coringa e Batgirl, em Batman, e muitos outros. Ah, e tem também a área de “Projetos Não Realizados”, com anotações, rascunhos e textos para filmes e projetos que acabaram não dando certo ou sequer levados a frente.

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