• Mulheres afirmam que mulher com roupa curta merece ser atacada

    Por: Edu | Em: Mundo Macho | 28 de março de 2014

    Como vocês sabem, o Testosterona não apoia  a violência contra a mulher. Por isso acho válido postar essa reportagem aqui, onde as próprias mulheres reforçam um preconceito contra elas mesmas. Confiram:

    Um estudo divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revela que a maioria da população brasileira acredita que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” e que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.

    estupro

    A pesquisa do Sistema de Indicadores de Percepção Social, do Ipea, sobre a tolerância social à violência contra as mulheres entrevistou 3.810 pessoas em todas as unidades da federação durante os meses de maio e junho de 2013, sendo que as próprias mulheres representaram 66,5% do universo de entrevistados.

    O estudo é divulgado logo após a ocorrência de casos de violência contra mulheres no transporte público em São Paulo. No Pará, a Justiça passou a adotar em Belém um dispositivo conhecido como Botão do Pânico para que as mulheres denunciem casos de violência. Na pesquisa do Ipea, os entrevistados foram questionados se concordavam ou não com frases sobre o tema. Nada menos que 65% concordaram que a mulher que usa roupa que mostra o corpo merece ser atacada — 42,7% concordaram totalmente, e 22,4%, parcialmente.

    Em relação à frase “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”, 35,3% disseram estar totalmente de acordo e 23,2% afirmaram concordar parcialmente. Essa concordância acaba por culpar as mulheres pela violência que elas mesmas sofrem. “Por trás da afirmação, está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais; então, as mulheres, que os provocam, é que deveriam saber se comportar, e não os estupradores”, afirmam os pesquisadores no relatório do estudo.

    Fonte: UOL

    contra-estrupro

  • Peladona de Congonhas queima sutiã e protesta por falta de emprego

    Por: Edu | Em: Notícias | 27 de março de 2014

    Jessica-Lopes1Ela está chateada. Jéssica Lopes, a Peladona de Congonhas, decidiu recorrer ao símbolo máximo do feminismo para se manifestar. Sozinha. Cabelos escovados, vestidinho preto indefectível colado ao corpo, saltos e um conjunto de lingerie matador, a loira decidiu queimar um sutiã – tal qual as mulheres que protestavam por melhores condições na década de 1970.

    Com uma garrafinha de álcool e uma caixa de fósforo, Jéssica fez seu protesto solitário porque, como professora, não consegue mais emprego na área. Sendo assim, decidiu mostrar sua indignação em frente a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Não sem antes, claro, tirar o vestido e ficar apenas de lingerie para, digamos, chamar mais atenção para sua condição de “mestre desempregada”. “Já acreditei na educação desse país. O que querem? Que eu coloque um óculos fundo de garrafa, roupas largas e tenha cara de nerd? Só porque sou gostosa não posso dar aula?”, questiona ela, indignada.

    Com o protesto, Jéssica diz que espera chamar a atenção para o preconceito e para a educação no país, que, a seu ver , vai de mal a pior. “Eu tentei ensinar aqueles adolescentes, dar um panorama do que é a vida. Tentei ser amiga, e eles me tiravam. Então, decidi ser a carrasca. Não mostrava os dentes e isso me fazia mal, porque não sou assim. Dei um basta. O Brasil perdeu uma excelente professora”, garante.

    Jessica Lopes2

    Fonte: Globo

  • Mulheres que reclamam

    Por: Edu | Em: Mundo Macho | 26 de março de 2014

    reclamona
    As mulheres reclamam com seus parceiros. Quem quer que tenha vivido intimamente com uma delas sabe disso. No começo, tudo é lindo. Seu jeito distraído, sua preguiça, sua falta de praticidade. Depois de algum tempo – um ano, seis meses? Ainda não descobri – elas param de gostar de tudo e começam a implicar com quase tudo. Você leva bronca porque derruba café na mesa, porque esquece de pagar as contas, porque não lavou a louça. Aos poucos, começa a se sentir como filho. Uma raiva surda e infantil vai tomando conta de você, que também começa a implicar de volta com quase tudo que ela faz. Assim começam a acabar os casamentos, da forma mais banal. Porque as mulheres reclamam.

    Claro, há mulheres com razões de sobra para reclamar. A vida dura no trabalho, as tarefas da casa que o sujeito não divide, os maus hábitos desses homens-meninos de classe média criados por empregadas e mães indulgentes. Mas nem todos os homens são assim, não o tempo todo. Esse rígido olhar materno, entretanto, está lá, permanentemente, voltado para qualquer tipo de sujeito. A maioria das mulheres parece chegar às relações conjugais munida com ele. Na mesma gaveta cultural em que estão os cuidados com a casa, a disposição de cuidar de tudo e aquela lealdade profunda e comovente com o seu homem, encontra-se, também, esse duro olhar maternal sobre o companheiro.

    Esse jeito condescendente de olhar para os homens às vezes me parece a manifestação de um rancor antigo e mal disfarçado. É como se as mulheres dissessem “ok, a gente deixa que vocês mandem no mundo, mas aqui, da porta para dentro, vamos deixar bem claro que vocês são uns imbecis”. Não acho que seja consciente. É profundo, cultural, está embebido na mentalidade feminina que passa de mãe para filha. Faz parte daquele código silencioso que se aprende sem palavras, apenas pela observação do pai e da mãe, do tio e da tia, do avô e da avó. Os exemplos sugerem às mulheres que é preciso mandar nos homens e ralhar com eles como se fossem filhos. Os homens aprendem, assistindo, desde meninos, que isso faz parte da vida.

    O diabo é que ninguém está realmente satisfeito com o papel que lhe cabe nessa história. Os homens não gostam de ser o idiota doméstico que a tradição celebra. Esse negócio de ser tratado como menino, por razões psicanalíticas, é uma das coisas mais incômodas na vida de um sujeito adulto. Ofende e debilita de um jeito tão profundo que ele nem se dá conta. É comum que o ressentimento inconsciente dele exploda na cama, na forma de indiferença pela parceira: meninos não fodem, madame. Quem fode são os homens, capice?

    As mulheres, claro, detestam o papel de bruxas domésticas. Se fosse dada a escolha, elas certamente prefeririam viver com um dos raros homens fluentes na língua da casa e das crianças, alguém com quem se pudesse, efetivamente, dividir a pesada tarefa de organizar a vida, cuidar dos pequenos e preparar as coisas para as férias. Mas, quando os homens de carne e osso se apresentam, na sua imensa precariedade psicológica, nas suas incontáveis incompetências, elas, em vem de mandá-los embora, os adotam e se apaixonam por eles. Talvez pelas fraquezas deles. Recebem, acolhem, fazem sexo com eles. Rapidamente, se põem a educá-los, com alguma perversidade, nas tarefas práticas da vida. Como as suas mães e avós fizeram com seus pais. continue lendo…