Home Crônicas Masculinas Sexo! [CRÔNICAS MASCULINAS #3]

Sexo! [CRÔNICAS MASCULINAS #3]

Crônicas Masculinas é uma série do Testosterona que acompanha a vida de Pedrinho à partir dos seus 15 anos de idade. A cada crônica descobrimos algum acontecimento na vida de Pedro Henrique, que está um ano mais velho que no texto anterior. No texto de hoje: sexo!

Crônicas Masculinas

#1 – Primeiro Amor
#2 – Seja Homem!

sexo!

Sexo!

No ano em que descobriu os prazeres carnais, o ingênuo Pedrinho achou que enfim tinha se tornado um homem de verdade. Notou que sexo era assunto na televisão, na música, na publicidade, na literatura… O mundo respirava sexo, e seus hormônios gritavam SEXO! na sua cabeça.

Ouvia alguns amigos contarem suas experiências sexuais e não sabia que muitas dessas histórias eram mentiras. A maioria dos jovens cresce num contexto bizarro que os empurra pro mundo adulto ensinando que transar é uma demonstração de força e masculinidade. Como se o sexo fosse um rito de passagem pra vida adulta e não a conexão entre duas pessoas.

Seu interesse pelas garotas cresceu exponencialmente desde o seu primeiro namorico no ano anterior. Aconteceu que o jovem que só queria conhecer uma garota legal passou a querer o “objeto” mulher. Afinal, as lições que aprendeu nessa fase de descoberta de alguma forma estranha colocavam sempre o homem numa posição dominante. Era o homem quem ia atrás da sua “presa”, cortejava, conquistava, levava pra jantar e esperava o sexo como recompensa.

Anos depois sua terapeuta lhe diria que os brinquedos violentos que são dados aos meninos influenciam e reforçam comportamentos agressivos e de dominância, então tudo fez sentido na sua cabeça. Lembrou que nessa época ele passou a agir como um predador atrás de presas do sexo feminino pra conseguir transar. E funcionou!

As aulas de contrabaixo que fazia há algum tempo ajudaram. Graças a elas Pedrinho entrou numa banda e pouco tempo depois tocava em festinhas pelo bairro. Foi assim que conheceu algumas mulheres interessantes. Pedro Henrique imitava o comportamento dos amigos, sendo o mais novo da turma sua única referência era o que os companheiros faziam. Dava em cima de todas, chamava algumas garotas pra assistir os ensaios da banda e dessa forma se envolveu com Keila.

Depois de algum tempo os beijos do casal se tornaram cada vez mais intensos e a mão de Pedrinho explorava o corpo da garota por dentro do seu decote. Ele eventualmente conseguiu o que queria dela, insistiu tanto que ela acabou cedendo. Pouco tempo depois começaram a namorar. O sexo em si foi desajeitado e um pouco estranho no começo, mas com a prática a dinâmica sexual do casal melhorou.

A cabeça do garoto fervia e seus hormônios continavam gritando SEXO! na sua cabeça. Keila era uma boa namorada, mas a competição masculina entre ele e os caras da banda não dava trégua. Os rapazes mais velhos diziam que o mundo estava cheio de mulheres e que ele deveria aproveitar. Não deu muita bola pra eles e seguiu feliz com o namoro.

A ingenuidade e sensação de inferioridade começaram a se dissipar. O jovem andava cada vez mais confiante, tinha uma namorada, fazia parte de um grupo e tudo parecia entrar nos trilhos. Nessa época Pedrinho teve contato com uma realidade que só entendeu mais tarde: Homens sabem que outros homens representam ameaça às mulheres ao seu redor

Aconteceu quando ele foi conhecer os pais de Keila. Foi recebido pelo pai, que antes de convidá-lo pra entrar perguntou em tom de brincadeira se ele era virgem. A informação foi confirmada pelo garoto para visível alívio no rosto do velho. O mais estranho aconteceu em seguida: o pai da namorada imitando um lutador com as mãos posicionadas na frente do corpo perguntou se ele era bom de briga. Pra sorte de Pedrinho a cena incomum foi interrompida pela sua nova sogra que colocou o rapaz pra dentro dizendo pra ele não ligar pro velho. 

O comportamento do pai de Keila era outra demonstração de que os homens precisam exercer sua força, muitas vezes através da violência, sob o pretexto de “proteger” o frágil sexo feminino. Essa relação de poder e dominância sobre o sexo oposto continuou permeando alguns acontecimentos nos primeiros anos da vida adulta de Pedro Henrique. Ele só sentiu na pele os efeitos deste comportamento corrossivo dos homens muitos anos mais tarde, quando sua filha foi estuprada pelo namorado.

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