• Testosterona Entrevista – Syanne Neno

    Por: Fran Vergari | Em: Entrevista | 23 de julho de 2015

    Syanne Neno foi a primeira repórter esportiva a vestir saias no estado do Pará, apresentou por 10 anos o Globo Esporte regional e foi, durante esse tempo, a repórter de Rede, contando as histórias do Paysandu na Libertadores da América, em 2003, para todo o Brasil. Hoje, com 42 anos, Syanne mantém o blog Neno de Salto e é colunista no Testosterona Sports.

    Para o Testosterona Entrevista, Syanne contou sobre sua paixão pelo Paysandu, sobre o subestimado futebol da segunda divisão e mais: que já viu jogador sem toalha em entrevista no vestiário!

    Entrevista: Fran Vergari

    Conta como é o seu caso de amor com o jornalismo esportivo?

    Sempre fui apaixonada por futebol! Comecei a ir ao estádio com uns 7 anos, acompanhando meu pai e meu irmão. Ficava fascinada com a torcida, os cantos e as vezes esquecia até do jogo para prestar atenção naquelas figuras típicas dos estádios: o velhinho com o radinho de pilha, o desdentado sem vergonha na hora de gritar o gol…Tudo me despertava tanta curiosidade quanto os discos de história que eu escutava. Comprava a “Placar’ e colecionava figurinhas, uma loucura! (risos) Assistia às reportagens de TV sobre os jogos de futebol e prestava atenção nos textos, desde antes de decidir fazer jornalismo. Minha irmã era repórter de TV na afiliada da Globo em Belém e eu pedia a ela para me trazer os roteiros do Globo Esporte. Ficava lendo na frente do espelho, fingindo ser apresentadora. A decisão já estava dentro de mim e eu nem sabia. Escrever sobre futebol e sentimentos era meu sonho, que virou realidade.

    syanne-neno-1

    Foi difícil em algum momento por você ser mulher? Sabemos que o clube do bolinha geralmente resiste à presença de mulheres.

    Fui a primeira repórter esportiva a vestir saias no Pará. E quando comecei, tinha 21 anos e cara de menininha. Foi difícil no início ser assertiva e convencer aqueles marmanjos que aquela baixinha não estava ali pra tietar jogador e que eu entendia, sim, sobre futebol. Mas a aceitação foi menos demorada do que eu pensava. Graças a Deus, o meu talento conseguiu despontar de forma inquestionável.

    Já aconteceu de passar por situações embaraçosas por ser mulher? Tipo, receber cantada de fonte, essas coisas? 

    Não. Acho que o fato de ser reservada e tímida (sim, eu era!) ajudou. Agora, com jogadores já é mais complicado. Uma noite, depois de um Paysandu x Flamengo, em 1995, tive que entrar no vestiário, que é uma coisa que evitava de todos os jeitos. Naquela época, não tínhamos assessor de imprensa. O Flamengo perdeu o jogo por 2 a 0 e o então técnico Edinho caiu. A nossa afiliada pediu uma entrevista com ele para o Jornal da Globo. Não tinha jeito dessa vez.  Respirei fundo e entrei no vestiário do Flamengo. Fiz a entrevista com o Edinho, mandei pelo motoqueiro e, aproveitando o embalo, gravei com o Edmundo também. No meio da entrevista, ele deixou cair a toalha com a qual ele estava enrolado. Me fiz de lesa, continuei com o nariz empinado, terminei a entrevista, agradeci e fui embora.

    A paixão pelo Paysandu você consegue explicar?

    Meu tio era jogador e foi o herói bicolor do título de 72, com um gol no último minuto. Meu pai já foi diretor de futebol do Paysandu e eu amava ouvir as histórias dele. Futebol era o principal cordão umbilical da caçula temporã com o pai. A paixão pelo Paysandu aumentou ainda mais depois que virei jornalista. A época gloriosa do Papão, Campeão dos Campeões, que foi à Bombonera calar o Boca Juniors, foi a minha melhor fase profissional. Eu ajudei a contar a história desse time para o Brasil. Como não amar?

    O público não implica por você declarar para qual time torce? 

    Em Belém, a rivalidade é algo que extrapola qualquer limite do bom senso. A implicância de alguns torcedores do Remo era enorme, mas na época em que era repórter da Globo em Belém. Meu sorriso era o símbolo do “insucesso” do rival. E sabe como é cabeça de torcedor fanático, eles viam uns 64 dentes em mim quando eu falava do Paysandu… Mas isso foi serenando com o tempo e principalmente com os meus textos nas crônicas para o jornal e blog. Independente do time, eles sabem que eu escrevo com paixão e verdade. Meu maior orgulho hoje é ver textos sobre o Remo até mais elogiados do que alguns sobre o Paysandu.

    syanne-neno-3

    E com os blogs agora, como está sendo o digital para você, com o retorno imediato dos leitores? 

    Estou em um relacionamento muito sério com o jornalismo digital. O blog e a repercussão dele através das redes sociais é muito estimulante.

    Sua coluna no Testosterona Sports é sobre a série B do Brasileiro. Acha que é um jeito de levar mais espectadores para a segunda divisão?

    Espero que sim! Decidi escrever sobre a série B porque, além de ser a minha realidade, esse ano traz o Brasil de fato em campo, com times de todas as regiões. É um universo muito rico de personagens e culturas diferentes.

    syanne-neno-2

    Aliás, acha que as pessoas subestimam o futebol da segunda divisão?

    Acho que subestimam porque acabam sabendo menos sobre ele também. Falta um pouco de carinho da mídia nacional. É preciso assimilar de vez que existe talento além da série A. A divulgação é menor e o torcedor não tem estímulos para se interessar pela série B.

    Tem algum projeto em mente, além do blog? 

    Quero fazer especialização e virar professora. Continuar aprendendo sempre, estudar e também ensinar. Me fascina a ideia de repassar experiência, dicas e ajudar a formar profissionais éticos, criativos, que amam de verdade o futebol e não usam o jornalismo esportivo apenas como um trampolim para “aparecer na TV”.

  • Instagram proíbe hashtag que valoriza mulheres com curvas

    Por: Fran Vergari | Em: Notícias | 22 de julho de 2015

    Mais uma do Instagram. Dessa vez, acusados até de promover a gordofobia, a rede social baniu a hashtag “#curvy” (curvilínea), que era usada por mulheres com curvas, em sua maioria consideradas acima do peso, para demonstrarem orgulho de seus corpos.

    O Instagram alegou que a hashtag era usada para exibir conteúdo sexualmente explícito (o que é proibido por lá), justificando que milhares de fotos pornográficas eram associadas a ela. Um ponto apontado na repercussão do caso na internet foi que hashtags como #skinny e #thin ainda funcionam e que elas, além de também reunirem nudez, exibem perfis que as utilizam para encorajar a anorexia e bulimia. Tanto que, quando você buscar por essas hashtags, aparece uma mensagem alertando que “as imagens podem apresentar conteúdo explícito” e direcionam a um link caso você queira informações ou apoio sobre distúrbios alimentares.

    testosterona_girls15
    O mais estranho é que existem outras várias hashtags com fotos muito “piores” e foram banir logo a que era usada justamente para a valorização e empoderamento da mulherada. Algumas como #toplesstuesdays  e #titsfordays

    Política de restrição
    Não é a primeira vez que o Instagram causa polêmica com sua rígida política de restrição (que muitas vezes não entendemos). Teve o caso da escritora que aparecia deitada na na cama com o pijama sujo de sangue pela menstruação, em março desse ano; a gordinha que postou foto de lingerie e teve a conta deletada em julho de 2014 (devolveram a conta, mas a foto não); a cantora Rihanna postou a foto da capa de uma revista em que ela estava com os mamilos de fora e teve a conta deletada em maio de 2014 (ela só voltou à rede social seis meses depois); váááários casos de topless básicos e até meros pelos pubianos já foram motivo de caos no Instagram (relembre 10 aqui).

    As mulheres reagiram
    Com essa proibição, blogueiras e modelos plus size começaram a se mobilizar e postar fotos de suas curvas usando hashtags alternativas, como #curvee (#curva), #bringcurvyback (#tragacomcurvasdevolta), #everybodyisbeautiful (#todomundoébonito), e outras, para promover a beleza das gordinhas ou de qualquer mulher que se ame com as curvas que tem.

    Aproveitando o episódio, lembramos que o Testosterona valoriza a beleza de todas as mulheres e tanto somos a favor das curvas que criamos uma hashtag para as leitoras participarem e apoiarem a causa. As fotos enviadas pelo Twitter com #QuartaDasCurvas estarão no próximo post de leitoras do Blog!